*José Renato Nalini
O poeta que mais celebrou São Paulo se chama Paulo Bomfim. Nesse 2026, ele completaria cem anos. Nasceu em 30 de setembro de 1926. Chegou aos noventa, mas nos abandonou. A Academia Paulista de Letras e o Tribunal de Justiça de São Paulo, ao qual serviu por mais de meio século, farão homenagens para que sua presença continue, imperecível e intacta, entre nós e entre as gerações que virão.
Paulo era tão amante de São Paulo, que minha mãe, devota admiradora sua, o chamava de “São Paulo Bomfim”. E ele, como o último dos “Príncipes dos Poetas”, foi aquele que escreveu belíssimas poesias, crônicas encantadoras e memórias que traduzem o que São Paulo é e o que São Paulo significa para os paulistas.
Ele gostaria de reler o que José Bonifácio de Andrada e Silva, o “Patriarca da Independência”, tutor de Pedro II, que foi o governante mais ético do Brasil, vergonhosamente traído por seus amigos no golpe de 15.11.1889, escreveu ao encerrar o relato de sua “Viagem Mineralógica à Província de São Paulo”.
Textualmente: “Esta única Província de São Paulo, sendo povoada e civilizada, formará um grande Estado, visto que, pela variedade do seu clima, sendo parte entre os trópicos, a outra, fora deles; pela abundância de madeiras e dos seus campos, pelos inumeráveis rios e ribeiros, em grande parte navegáveis, pelas riquezas de ferro, ouro, diamantes, outros metais, e pedras preciosas, é realmente um dos países mais privilegiados do globo, e uma obra prima da benfazeja natureza. Acrescente-se que a raça que o habita é das mais belas e fortes da América meridional. Foi a ela, e aos indígenas conquistados pelos Paulistas, que é devida a descoberta e a povoação dos vastos desertos do Brasil. Aos Paulistas se devem os primeiros habitantes do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nas diferentes guerras, desde a primeira colonização do Brasil até agora, sempre o valor dos Paulistas se assinalou; e mesmo hoje, foi da Província de São Paulo que saiu o primeiro grito de Liberdade e Independência do Brasil”.
Será demais esperar que de São Paulo saia o Projeto de Brasil que os pretendentes a governarem nossa Pátria deveriam divulgar perante o aflito eleitorado?
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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