Fórum Debate da ABDE reúne especialistas para discutir caminhos do financiamento climático no Brasil

Realizado em Vitória (ES), encontro debateu o papel do Sistema Nacional de Fomento na descarbonização da economia e apresentou resultados de estudo sobre a transição verde na indústria
 


A Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) realizaram, nesta quinta-feira (5), em Vitória (ES), o Fórum Debate – Financiamento para uma Economia de Baixo Carbono. O encontro reuniu especialistas, representantes do Sistema Nacional de Fomento (SNF), do governo, do setor produtivo e da academia para debater os desafios e as oportunidades da transição ecológica no Brasil. Ao longo de quatro painéis, foram discutidos temas como descarbonização da economia, financiamento à indústria, resiliência climática e inovação tecnológica.

Na abertura, o diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, destacou a atuação do banco na estruturação de projetos sustentáveis e o compromisso do Espírito Santo com a transição energética e verde. Segundo ele, a estratégia adotada pela instituição desde 2023 buscou alinhar o financiamento ao desenvolvimento sustentável às prioridades econômicas do estado, fortalecendo a capacidade regional de atrair investimentos.

A presidenta da ABDE e diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Fernanda Coelho, ressaltou a importância de consolidar uma agenda de transição climática que articule as prioridades nacionais e regionais, aproveitando a experiência das instituições que compõem o SNF. Para ela, o sistema pode atuar como catalisador de um debate baseado em evidências e na construção de soluções para ampliar o financiamento à descarbonização.

“O Brasil tem projetos, vocação e o sistema de fomento presente em todo o território. Nosso desafio é transformar nossas prioridades, que dialogam com a redução das desigualdades, em projetos financiáveis”, afirmou Maria Fernanda.


Novos caminhos para o desenvolvimento sustentável

O primeiro painel discutiu os novos eixos do desenvolvimento e as oportunidades de descarbonização dos setores produtivos brasileiros. Com a participação de representantes do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), do Ministério da Fazenda, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), do Instituto E+ Transição Energética e do Bandes, o debate abordou o potencial de atividades como bioenergia, infraestrutura verde e economia circular para impulsionar o crescimento econômico sustentável.

Entre os temas discutidos estiveram a necessidade de ampliar a mobilização de capital privado, aprimorar os mecanismos de financiamento climático e fortalecer a integração entre políticas públicas e vocações produtivas regionais. O painel também destacou o papel das instituições de desenvolvimento na construção de soluções financeiras para setores estratégicos da economia brasileira.


Estudo aponta desafios para financiar a transição verde na indústria

Um dos destaques do Fórum foi a apresentação dos resultados do projeto Transição Verde na Indústria (TVI), desenvolvido pela ABDE em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e o Institute for Manufacturing (IfM), da Universidade de Cambridge, com apoio da Open Society Foundations.

Na abertura do evento, o diretor de Projetos Estratégicos e Relações Institucionais do CGEE, Caetano Penna, apresentou dados de um levantamento realizado com instituições do SNF. Das 35 instituições consultadas, 21 responderam à pesquisa. Entre elas, 16 já possuem compromisso formal com a transição verde, enquanto 15 avaliam como baixa ou muito baixa sua capacidade técnica para estruturar projetos de descarbonização industrial.

“Temos uma orientação, mas falta ainda essa capacidade plena. A agenda que nos reúne aqui hoje mora entre esses dois números”, destacou Penna, ao chamar a atenção para a necessidade de transformar compromissos institucionais em projetos concretos de financiamento.

Os resultados também apontam desafios relacionados à diversificação dos instrumentos financeiros e à oferta de apoio não financeiro, como assistência técnica, preparação de projetos e capacitação. O diagnóstico reforça a importância de fortalecer as competências das instituições para ampliar os investimentos em tecnologias e processos industriais de baixo carbono.

O segundo painel aprofundou essas discussões, com a participação do analista de Políticas Sênior da Universidade de Cambridge, Mateus Labrunie, do assessor técnico do CGEE, Marcos Arcuri, e da gerente executiva do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marília Gabriela Elias da Silva. O debate abordou os desafios enfrentados pela indústria na modernização de seus processos produtivos e as oportunidades para ampliar o acesso a instrumentos de financiamento e inovação.


Seguros e resiliência climática

No período da tarde, o Fórum Debate abordou a importância dos seguros e dos instrumentos de mitigação de riscos para o financiamento da transição ecológica. O painel reuniu representantes do Bandes, da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), do Instituto IRB, da Finance in Motion e do Banestes Corretora de Seguros.

As discussões destacaram o papel do mercado segurador na proteção de investimentos diante dos impactos de eventos climáticos extremos, especialmente em setores como agronegócio e infraestrutura urbana. Também foram abordadas oportunidades de integração entre recursos públicos e privados para ampliar o financiamento de projetos de adaptação e resiliência climática.


Inovação e tecnologias para a descarbonização

O último painel, dedicado à inovação e às tecnologias emergentes, reuniu representantes da ABDE, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e da indústria, representada pela Tupy.

Com a participação do diretor executivo da ABDE, André Godoy, o debate abordou a importância de fortalecer o financiamento à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação para acelerar a descarbonização da economia. Entre os temas discutidos estiveram o potencial dos minerais críticos e das terras raras, o desenvolvimento de novas tecnologias e as oportunidades para ampliar a participação brasileira em cadeias produtivas estratégicas para a transição energética.

O Fórum Debate reforçou a importância da articulação entre instituições financeiras de desenvolvimento, governo, academia e setor produtivo para transformar os desafios da agenda climática em oportunidades de investimento, inovação e desenvolvimento sustentável. As discussões também evidenciaram o papel do Sistema Nacional de Fomento na estruturação de soluções capazes de fortalecer a competitividade da economia brasileira e contribuir para a redução das desigualdades regionais.


Acesse!

Confira a transmissão do Fórum Debate – Financiamento para uma Economia de Baixo Carbono no canal da ABDE no YouTube: Link

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