por José Reis Chaves
Sempre esteve presente no cristianismo a ideia muito errada de que os nossos pecados ofendem a Deus, o que na verdade nunca jamais acontece, pois Deus é como se fosse vacinado contra quaisquer tipos de males ou de sofrimentos. E Ele não nos criaria em condições para sermos, como se diz, dor de cabeça para Ele!
Porém, alguém que está lendo este princípio desta minha coluna de hoje em O TEMPO, pode dizer que leu na Bíblia que o pecado ofende a Deus. É um modo de dizer, principalmente, nos tempos antigos, quando a cultura, de um modo geral, era muito limitada, sendo este um dos motivos por que não podemos interpretá-la, literalmente. Inclusive, São Paulo nos adverte dizendo que não podemos interpretá-la ao pé da letra, pois que a letra mata (2 Coríntios 3:6). Mas há também abusos de interpretação figurada da Bíblia. E ela tem hoje muitos erros de tradução para ser adaptada às ideias doutrinárias dos tradutores. Por isso, tenho dito muito que a Bíblia não é a palavra de Deus, mas de homens sobre Deus e em épocas diferentes. Para ser escrita, oram 1.350 anos.
Mas vamos ao assunto principal desta coluna. Realmente, Deus não errou em nos criar com o nosso livre-arbítrio ou plena liberdade para agirmos. Porém, se agirmos de modo errado, por exemplo, contra os bons costumes ou leis civis, morais e divinas, sofre o nosso próximo e, por consequência, sofre também o autor da transgressão dessas leis. É o funcionamento da chamada lei bíblica e universal de causa e efeito ou de colheita do que semeamos. E como ensina muito a doutrina espírita, a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória! É estranho que no cristianismo pouco se fala sobre essa tão importante lei de causa e efeito. Muitos líderes religiosos gostam de falar muito sobre o sem fim ou sempiterno, quando ele é temporário ou eterno, lembrando que o sentido verdadeiro deste adjetivo eterno é de tempo indefinido e não sem fim ou sempiterno de já falei acima e tenho dito também em outras colunas com mais detalhes. Por um erro milenar, aprendemos de modo errado o significado do tempo de duração do Inferno, como se ele fosse para sempre, o que seria uma injustiça, pois a pena não pode ser maior do que a falta! E, como digo sempre, e defender a ideia do Inferno sem fim ou sempiterno é até uma blasfêmia contra Deus! O grande teólogo São Gregório Nanziazeno (VI Século) já discordava do Inferno para sempre ou de duração sempiterna.
Pelo que vimos nessa coluna, Deus não errou mesmo ao criar-nos com o livre-arbítrio, o que não é surpreendente, já que Ele é onisciente e, pois, é também infalível.
José Reis Chaves é professor aposentado de português e literatura, formado na PUC Minas, ex-seminarista Redentorista, jornalista, escritor, entre seus livros: "A Reencarnação na Bíblia e na Ciência" e "A Face Oculta das Religiões", Ed. EBM-Megalivros, SP, ambos lançados também em Inglês nos Estados Unidos e tradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, Ed. Chico Xavier. contato@editorachicoxavier.com.br Cássia e Cléia. Programa “Presença Espírita na Bíblia, na TV Mundo Maior” e coluna no jornal O Tempo de Belo Horizonte. Vídeos de palestras e entrevistas em TVs no Youtube e Facebook. Email: jreischaves@gmail.com).

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