*José Renato Nalini
Impressionante verificar que o mundo
consegue resolver problemas que nós não conseguimos. Em 1980, a Nova Zelândia
estava à beira do caos. Dois choques no preço do petróleo trouxeram inflação. Maus
governos erraram, como é natural. Havia distribuição de subsídios, aumento
salarial inflacionário, controle de preços e juros muito baixos, convivendo com
impostos muito elevados.
A Nova Zelândia até chegou a ser
chamada de “A Albânia do Pacífico Sul”. Só que veio um governo sério e
competente. O Ministro das Finanças, Roger Douglas, removeu o controle cambial,
cortou subsídios, privatizou serviços e entregou a definição da taxa de juros
ao Banco Central. Adotou-se uma estratégia contábil copiada da iniciativa
privada.
Tudo começou a ser baseado em
competência, banidas as práticas dispendiosas do Governo. Todos tiveram de
pensar a longo prazo e maximizar o uso eficiente dos ativos.
O governo constituiu um Fundo para
pagar pensões futuras. Deu certo. Ele é visto com inveja pelos outros países. O
orçamento inclui uma cobrança anual para contemplar a depreciação. Com isso, o
governo gerencia mais eficientemente o seu patrimônio.
A dívida foi administrada com
austeridade e, depois de duas décadas de déficit, o balanço patrimonial
equilibrou-se. O patrimônio líquido neo-zelandês cresceu todos os anos, até a
pandemia. Esse modelo pode servir para
os governos que não sabem o que fazer com a excessiva dívida pública. Até para
o “poderoso” conglomerado chamado Estados Unidos. Sua dívida pública está
próxima a 100% do PIB e projeta-se chegue a 122% até 2034. Imagine-se, então, a
situação dos países emergentes. O FMI calcula a dívida pública global superior
a cem trilhões de dólares, ou seja: 93% do PIB global.
A lição da Nova Zelândia vale para
todos: países e entidades subnacionais. Inclusive para os Municípios. Uma regra
singela é não gastar mais do que se arrecada. Normalmente, a tomada de decisões
se dá no escuro. Outra recomendação: o que o governo não sabe fazer, tem de
delegar à iniciativa privada. Ela não admite prejuízo. Por que continuar a se
encarregar de fazer aquilo que sempre custa mais caro, não é melhor e ainda
sugere práticas pouco republicanas ou, mais claramente, ilícitas?
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo
das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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