Vitor Inácio Fernandes da Silva, assessor de Comunicação da Diocese de Jales ejornalista das rádios Assunção e Regional FMs
O mês de julho nos
proporcionará a oportunidade de celebrar duas datas importantes, com sentidos próximos.
No dia 20, será o Dia do Amigo, enquanto no dia 30 será o Dia Internacional da
Amizade. O samba, escrito por Cleber Augusto da Cruz Bastos, Djalma Falcão e
Bicudo, interpretado pelo grupo Fundo de Quintal, já dizia: “A amizade nem
mesmo a força do tempo irá destruir. Somos verdade, nem mesmo este samba de
amor pode nos resumir”. Já Milton Nascimento eternizou em Canção da América que
“amigo é coisa pra se guardar. Debaixo de sete chaves. Dentro do coração. Assim
falava a canção que na América ouvi”.
E foi aqui na
América do Sul que a comemoração do Dia do Amigo iniciou-se, primeiramente na
Argentina, criada pelo professor de Psicologia e filósofo argentino Enrique
Ernesto Febbraro, que se inspirou na chegada do homem à Lua, em 20 de julho de
1969, como uma oportunidade de fazer novos amigos. Somente em meados da década
de 90 que a data passa a ser conhecida no Brasil. A celebração do Dia
Internacional da Amizade, por sua vez, foi uma comemoração estimulada pela
Organização das Nações Unidas (ONU), desde 2011, com a intenção de que a
amizade entre os povos se consolide e pelos esforços de paz.
Mesmo com várias
datas a serem celebradas, com a inspiração do professor Ernesto, nos
distanciamos da possibilidade de vivenciar nossas amizades. Os relacionamentos
sociais se realizam atualmente de forma online, onde muitos colecionam milhões
de seguidores e amigos, mas não vivenciam a verdadeira amizade. Diariamente
vemos exemplos de desunião e o individualismo nos afasta.
Segundo o Papa
Francisco, a amizade deve ser cultivada. “Em geral, as amizades
verdadeiras não se explicitam: acontecem e vão sendo cultivadas. A tal ponto
que a outra pessoa já entrou na minha vida como preocupação, como bom desejo,
como uma sadia curiosidade de saber como ela está, como vai à sua família, os
seus filhos. A paciência é necessária para construir uma boa amizade entre duas
pessoas. Tempo e paciência. Como dizem os árabes, é preciso ‘comer vários
quilos de sal’. Muito tempo de conversa, de estar juntos, conhecer-se, e assim
a amizade vai se construindo” (Mensagem do Papa Francisco à Rádio FM
Millennium, 15 de setembro de 2015).
O texto-base da
Romaria Diocesana de Jales de 2024 nos aponta que, “Cristo doou sua vida por
nossa salvação. No seguimento a Cristo, “também nós devemos dar a vida pelos
irmãos” (1Jo 3,16). Por isso, a exemplo do Bom Samaritano, nos “fazemos
próximos” (cf. Lc 10,25-37), solidarizando-nos afetivamente com quem sofre,
“cuidando suas feridas” com “entranhas de misericórdia”, e solidarizando-nos
efetivamente, sobretudo com os pobres, em suas lutas por condições dignas de
vida, promovendo, também, necessariamente, partilha de recursos. Doando-nos com
o mesmo amor de Cristo, testemunhamos amizade verdadeira”.

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