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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Safra de uva 2017 é recorde no Rio Grande do Sul

Mais de 750 milhões de quilos da matéria-prima para elaboração de vinhos, sucos e derivados foram colhidos no Estado. Apresentação dos dados ocorreu na tarde desta quarta-feira (31), no Palácio Piratini, na capital gaúcha

Legenda da foto : O aumento de volume mais significativo foi observado principalmente entre os pequenos produtores gaúchos (crédito Silvia Tonon)
 
 
Os 750.612.622 quilos de uva que ingressaram nas vinícolas gaúchas em 2017 totalizam a maior safra a ser processada no Estado. O volume é 5,8% maior que o número registrado em 2011, último recorde registrado, com 709,6 milhões de quilos. Desse total, 89,6% foram de uvas americanas e híbridas e 10,4% de uvas vitis viníferas. Esse ano, 418 vinícolas distribuídas em 68 cidades declararam processamento da matéria-prima, cultivada em 136 diferentes municípios. Os dados foram divulgados na tarde desta quarta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi-RS), em coletiva no Palácio Piratini, com a presença do governador José Ivo Sartori, do secretário Ernani Polo e do presidente do Ibravin, Dirceu Scottá.
 
“Fomos surpreendidos com o volume final da safra, principalmente em virtude da quebra histórica registrada no ano passado, de 57%. Mas a situação se inverteu esse ano porque a produção de uvas é bastante sensível ao clima e, durante o ciclo vegetativo dessa safra, as condições climáticas foram muito favoráveis”, avaliou o presidente do Ibravin, Dirceu Scottá.
 
O bom tempo também colaborou para a qualidade da matéria-prima. “Apesar de não ter sido igual em todas as regiões, de uma forma geral, a sanidade estava excelente, as variedades de colheita mais tardia foram bastante favorecidas e as regiões vitícolas mais altas tiveram condições excepcionais. As vinícolas terão rótulos muito bons à disposição do consumidor”, observou o dirigente.
 
O governador José Ivo Sartori afirmou que os números da safra são importantes num período de grandes dificuldades que a economia atravessa. “São dados positivos e que certamente contribuirão para a retomada da economia no Estado”, disse.  O governador garantiu, ainda, que vai conversar diretamente com o secretário da Fazenda para reduzir a Margem de Valor Agregado (MVA) que incide sobre o vinho.
 
“Estes números recordes são excelentes, para a produção de vinhos, sucos e espumantes de grande qualidade e também pela recuperação do setor, que agregou mais vinícolas a todo o processo, gerando mais emprego e renda. Este levantamento também foi possível devido a parceria do Ibravin com a Seapi na viabilização do Cadastro Vinícola, que reúne dados da produção no estado, o que permite um mapeamento da produção, servindo como balizador para a elaboração e aperfeiçoamento das políticas públicas para a vitivinicultura do RS”, resumiu o secretário Ernani Polo.
 
Além do clima propício, o setor observou que, nos últimos anos, apesar de não haver um aumento significativo da área plantada no Estado, algumas cultivares foram substituídas por outras mais produtivas, entre elas a Bordô e as desenvolvidas pela Embrapa Uva e Vinho, como a Lorena, e a Isabel precoce. O aumento de volume mais significativo foi observado principalmente entre os pequenos produtores. Metade da safra deverá ser destinada para os vinhos tranquilos e espumantes e a outra metade para os sucos e derivados.
 
“O volume processado em 2017 ajudará o setor a equalizar os estoques de passagem, principalmente para os vinhos de mesa e sucos 100%, que no ano passado ficaram abaixo do montante considerado ideal. A projeção é de iniciar 2018 com 281,3 milhões de litros, contra 127,7 milhões registrados em 1º de janeiro desse ano”, informa o vice-presidente do Ibravin e presidente da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho/RS), Oscar Ló.
 
A comercialização de vinhos e espumantes nacionais recuou 14% no primeiro quadrimestre do ano em relação ao mesmo período de 2016. A retração desacelerou em abril, pois no primeiro trimestre a queda registrada pelo setor, em litros, era de 20%. Os rótulos brasileiros (vinhos de mesa, finos e espumantes) representam 60% do total consumido no país. A comercialização dos sucos de uva 100%, por sua vez, está 6,4% abaixo do mesmo quadrimestre de 2016.
 
 
Dados da safra de uva para processamento 2017:
 
Total Processado:  750.612.622 kg
- Uvas vitis vinífera: 78.005.958 kg – 10,4%
- Uvas americanas e híbridas: 672.606.664 kg – 89,6%
 
Destino das uvas:
- Vinhos e derivados: 50,4%
- Sucos e derivados: 49,6%
 
Vinícolas ativas no Rio Grande do Sul: 673
Vinícolas que processaram uvas em 2017: 418
 
Total de municípios que produziram uvas para processamento: 136
Total de municípios que processaram uvas: 68
 
As safras anteriores*:
Ano
Volume (milhões de kg)
2011
709,6
2012
696,9
2013
611,3
2014
606,1
2015
702,9
2016
300,3

* Uvas para processamento de vinhos, espumantes, sucos e derivados. Dados referentes ao Rio Grande do Sul, provenientes do Cadastro Vitícola, mantido por meio de parceria entre Ibravin e Embrapa Uva e Vinho, com recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis).
 
MUNICÍPIOS DE MAIOR PRODUÇÃO:
Município                              Volume (kg)        Participação
Bento Gonçalves
116.392.645
15,5%
Flores da Cunha
109.773.407
14,6%
Farroupilha
67.600.691
9,0%
Caxias do Sul
56.152.417
7,5%
Garibaldi
52.034.124
6,9%
Monte Belo do Sul
49.395.080
6,6%
Nova Pádua
37.079.473
4,9%
Antônio Prado
27.625.258
3,7%
Cotiporã
24.906.474
3,3%
São Marcos
24.350.324
3,2%
 
MUNICÍPIOS COM MAIOR PROCESSAMENTO:
Município                              Volume (kg)      Participação
Bento Gonçalves
234.336.880
31,3%
Flores da Cunha
194.591.845
26,0%
Caxias do Sul
68.605.450
9,2%
Farroupilha
67.874.290
9,1%
Garibaldi
43.184.601
5,8%
São Marcos
42.537.624
5,7%
Antônio Prado
25.354.963
3,4%
Campestre da Serra
20.692.841
2,8%
Monte Belo do Sul
10.499.688
1,4%
Nova Pádua
7.753.989
1,0%
 
 
FOTO
Crédito:
Silvia Tonon
Legenda: O aumento de volume mais significativo foi observado principalmente entre os pequenos produtores gaúchos

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