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sábado, 11 de março de 2017

Perda de audição pode levar idoso ao isolamento e à depressão

Perceber e aceitar a perda auditiva não é uma atitude fácil. Com o avançar da idade, a constatação de que já não se ouve bem é sempre ruim. O fato é que apenas 40% das pessoas com perda de audição reconhecem que ouvem mal. Por isso, é fundamental questionar o arraigado preconceito contra os aparelhos auditivos. A falta de informação quanto à discrição e praticidade das próteses auditivas atuais ainda faz com que a maioria das pessoas demore, em média, seis anos para procurar tratamento, o que afeta a autoestima e cria várias dificuldades no dia a dia.

O que geralmente não se percebe é que a perda auditiva prejudica não só a audição em si, mas afeta também o aspecto psicológico e social. Há casos em que o indivíduo, depois de muitos anos sem ouvir direito, quando procura ajuda já está em depressão. A privação sensorial causada pela diminuição de audição gera um isolamento social devastador, além da redução significativa das atividades cerebrais, comprometendo a atenção, o entendimento de fala e a memória, facilitando ainda o aparecimento das demências.

"Como o idoso não consegue ouvir bem, ele naturalmente se isola para não passar por situações constrangedoras. Ele não participa mais da festa de aniversário do vizinho, por exemplo, porque as pessoas não têm mais paciência para conversar com ele; não quer nem mesmo ir à padaria porque o funcionário fala muito baixo e ele não consegue entender. A pessoa vai se sentindo envergonhada, incapaz e esse isolamento pode levar à depressão", conta Isabela Papera, fonoaudióloga da Telex Soluções Auditivas.

À medida em que você envelhece, as células ciliadas da orelha interna começam a morrer, mas há pessoas que perdem a audição mais cedo e mais rápido do que outras. Muitos começam a sentir dificuldades para ouvir quando estão ainda na faixa etária dos 30 aos 40 anos. Pesquisas revelam que quase a metade da população deficiente auditiva ainda está economicamente ativa.

"A família é fundamental no processo de aceitação da perda auditiva daquele ente querido e na busca de ajuda para que ele resgate os sons da vida. O deficiente auditivo que não usa aparelho se isola, primeiramente da vida social e, depois, dos próprios familiares, em casa. Alguns dos sintomas mais comuns na surdez são a irritabilidade e a agressividade", destaca a fonoaudióloga, que é especialista em audiologia.

Ao sentir alguma dificuldade para ouvir, o melhor é procurar um médico otorrinolaringologista para avaliar a causa, o tipo e o grau da perda auditiva. A partir do resultado dos testes, como o de audiometria, será indicado o tratamento mais adequado. O uso do aparelho auditivo é o apoio necessário em grande parte dos casos.

""Quando têm a indicação de uso de aparelho auditivo, alguns se sentem punidos por isso. Mas com o decorrer dos anos, a deficiência atinge um estágio mais avançado. Não há demérito algum em usar aparelho auditivo. Atualmente, existem diversos tipos, com tecnologia digital, pequenos e quase imperceptíveis. Alguns ficam até mesmo invisíveis, pois são colocados dentro do canal auditivo. Por que então não fazer uso dessa tecnologia para ouvir melhor, sentindo-se mais confiante para conversar com os familiares ou colegas de trabalho?", conclui a fonoaudióloga da Telex.De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, cerca de 9,7 milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva.

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