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sábado, 8 de outubro de 2016

Equilíbrio

Reginaldo Villazón

Repetidamente, o público toma conhecimento de irregularidades trabalhistas praticadas por grandes empresas contra seus funcionários. Empresas bem conhecidas e avançadas – bancos, operadoras de telefonia, indústrias eletrônicas e outras – são autuadas por fiscais trabalhistas por cometerem ações nocivas à qualidade de vida, à saúde e à segurança dos seus funcionários. Tudo é justificado pela busca da produtividade e da competitividade, virtudes valorizadas pela chamada economia de mercado.

São ações institucionais sistemáticas. Manter um nível estressante de competição entre funcionários e equipes, impedir ou limitar pausas de descanso após trabalhos desgastantes, controlar o uso dos banheiros. Repreensões e punições abusivas. Indução a pedidos de demissão pelos funcionários e demissões arbitrárias. Para piorar, especialistas em carreiras profissionais alertam que os empregos tradicionais – nos quais havia comprometimento entre empresas e funcionários – não existem mais.

Aparentemente, o cenário é horrível aos trabalhadores. Eles agora precisam investir tempo e dinheiro em qualificação, ser ágeis nas tarefas e focados nos resultados. Para, enfim, ser explorados por empresas que descumprem leis e princípios éticos. Mas este contexto é passageiro, fruto de uma revolução em curso. A economia capitalista venceu a economia comunista, mas agora ela mesma (capitalista) está mal das pernas. É urgente que as empresas capitalistas assumam inovações radicais.

Todos nós sabemos. Já existem empresas que permitem horários de trabalho flexíveis. Liberam o uso de bermudas e a companhia de animal de estimação em certos dias da semana. Recomendam pausas de descanso em salas especiais confortáveis. Estimulam o uso da criatividade em favor do rendimento do trabalho. Remuneram seus funcionários de forma honesta. Sem dúvida, estas empresas não colocam o capital – de modo absoluto – no centro das decisões. Este é um fator essencial de sucesso.

Um fato interessante. Estes novos tempos têm favorecido as cooperativas, em especial pelo seu modelo de gestão democrática. No mundo, em 147 países, elas envolvem 1 bilhão de pessoas em suas atividades. No Brasil, 6.500 cooperativas envolvem 50 milhões de pessoas. Aqui, destacam-se as cooperativas agrícolas, de trabalho, de crédito, de transporte, de saúde e de educação. E não faltam novidades. Este ano, entrou em operação no país a primeira cooperativa de energia renovável.

No Estado do Pará, município de Paragominas, 23 pessoas formaram uma cooperativa e investiram R$ 600 mil na instalação de uma micro-usina de energia solar equipada com 288 placas fotovoltaicas, com capacidade de produzir 11.550 KWh por mês de energia limpa. Tudo foi realizado de acordo com as normas legais e técnicas vigentes, com margens para ampliações. Um bom exemplo de equilíbrio entre modernidade, eficiência, aplicação de capital, interesse social e responsabilidade ambiental.

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