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sábado, 7 de maio de 2016

Conhecer-se melhor

*José Renato Nalini
 
A máxima socrática "Conhece-te a ti mesmo" continua a ser poderoso instrumento de obtenção do equilíbrio. É um dos eixos do conceito de inteligência emocional, hoje mais interessante de se abordar do que o superado índice do quociente de inteligência. E por que a inteligência emocional se torna tema sedutor para todos, mas essencial para os educadores? Porque ela interfere na saúde física. Administrar angústia e estresse é algo que se aprende ao se autoconhecer. A inteligência emocional controla nossas atitudes e perspectivas de vida. Alivia a ansiedade, evita a depressão. Favorece a adoção de atitudes positivas, auxilia detectar perspectivas menos sombrias, tão frequentes nos períodos de crise.

Investir na inteligência emocional propicia relacionamentos mais saudáveis. Quantos desencontros surgem da dificuldade de adequada comunicação dos sentimentos? Aprenderemos a conhecer melhor as pessoas, compreender suas necessidades, sentimentos e reações do outro. Com isso, edificaremos relacionamentos mais consistentes, duradouros e satisfatórios. Instrumento valioso na resolução de conflitos, a inteligência emocional permite discernir as emoções das pessoas e atuar com empatia ao reconhecer seus pontos de vista. Em lugar do estranhamento, a abertura ao entendimento. Tudo isso representa verdadeiro crescimento da personalidade, pois aumenta a autoconfiança, incrementa a capacidade de identificar problemas, relativizá-los e solucioná-los sem estimular ressentimentos.

O mundo não precisa de mais agressividade. A vida é muito curta para ser encarada com rancor. A diversidade emocional de pessoas ameaçadas pelas vicissitudes de um presente incerto, sofredoras por antecipação diante de um futuro sombrio, aparentemente perdidas diante da falência dos valores, reclama alguns líderes que consigam preservar a serenidade. Construir pontes de relacionamento, abrir janelas de compreensão, acolher com o abraço fraterno é tudo o que o mundo espera do que restou de lucidez.


*José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado de São Paulo

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