*José Renato Nalini
Todos intuímos que a música é essencial para a vida. A música nos transporta para o etéreo, nos emociona, faz recordar coisas lindas e provoca reações que os humanos já experimentaram. Desde o enlevo, até o choro contido ou convulsivo.
Mas a intuição tem raízes científicas. Para quem escreve, canta ou maneja um instrumento musical, a música é um fator importante de acréscimo da saúde física e mental. É o que diz o professor Christian Dunker, do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP.
Ele diz, com autoridade científica: “A música tem, pelo menos na cultura brasileira, uma grande conexão com duas formas de linguagem: a letra e a musicalidade. A letra nos remete à poesia, nos remete à poesia em prosa, nos remete a um certo conteúdo discursivo, enquanto a musicalidade, por si só, sempre pensando na música instrumental ou na música erudita, nos priva da representação, porque ela não tem palavras. A gente coloca palavras e emoções, traduzimos por sentimentos, articulamos a musicalidade com a nossa historicidade. Esse processo de junção entre música e letra, que parece simplesmente uma técnica composicional, tem um correlato psíquico, é a forma como juntamos os aspectos negativos da linguagem, negativos no sentido de sentido, daquilo que é fonema, que é pré-semântico, que é agramatical, que rompe com as regras da conversação. É a forma como conectamos o campo do assemântico com o campo dos sentidos”.
Maiores ainda os benefícios da música para quem cria. Para quem escreve, canta ou toca algum instrumento musical. Cantar é algo acessível a todos. Não é necessário ser afinado, nem conhecer profundamente as pautas musicais. Basta embarcar na melodia e mergulhar no enlevo que ela provoca. Para Dunker, “O ato de compor e de se expor à música, de cantar, principalmente cantar junto com o outro, num madrigal, coral, interação social ou religiosa, por exemplo, têm um efeito vinculador e um efeito transformativo muito importante. Mas isso depende muito de como a pessoa se relaciona com a musicalidade. Se a gente for radicalizar, você pode dizer que a própria fala, a maneira como a gente diz, a entonação, a prosódia, a paralinguagem, a maneira como sotaques, dialetos e a temporalidade do dizer interferem na nossa relação com o outro e com nós mesmos.” Por isso e por muito mais, música é saúde! Invistamos nela! Cantemos, pois a vida cantada é muito mais bonita
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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