Mulheres avançam em cargos de direção, mas desigualdade persiste nos níveis intermediários, avalia jurista


Monya Tavares, sócia do Mauro Menezes & Advogados,

O crescimento da presença feminina em cargos de direção nas empresas representa um avanço importante, mas ainda está longe de traduzir uma realidade de igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. A avaliação é da advogada Monya Tavares, sócia do Mauro Menezes & Advogados, ao analisar dados de um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que aponta a ampliação da participação das mulheres em posições de comando nas últimas décadas. 

O estudo constata que a representação das mulheres à frente das empresas melhorou na última década e que passou de 13,1% em 2013 para 30,9% em 2025. Da mesma forma, a proporção de empresas dirigidas por uma mulher aumentou de 23,4% para 28,2% no mesmo período. Monya Tavares assinala que a evolução da participação feminina precisa acontecer em todos as camadas de gestão, para que efetivamente assegure um avanço palpável.

Para a advogada, embora o aumento da presença feminina nos postos mais elevados de liderança seja positivo, os números precisam ser analisados com cautela. Isso porque a desigualdade também se manifesta nos níveis intermediários das organizações, justamente onde são construídas as oportunidades de ascensão profissional.

“Os avanços descritos no relatório da OIT são insuficientes. O aumento da presença de mulheres em cargos diretivos de alto nível nas empresas, embora animador, não reflete a realidade da maioria. A carreira se decide nos cargos intermediários, e ali o avanço em 25 anos foi mínimo”, afirma Monya.

Na avaliação da especialista, a superação desse cenário exige mais do que compromissos institucionais ou declarações de boas intenções por parte das empresas. É necessário estabelecer mecanismos concretos que permitam identificar desigualdades, corrigir distorções e assegurar condições efetivas de desenvolvimento profissional para as mulheres.

“Para mudar esse quadro, não basta a empresa declarar boas intenções. Precisamos de transparência nos salários, de fiscalização e de meios reais para que a mulher possa alcançar uma igualdade efetiva”, destaca.

A advogada também chama atenção para a importância da Lei nº 14.611/2023, que estabelece medidas para garantir a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens. A legislação representa um instrumento relevante no enfrentamento da desigualdade, mas sua efetividade depende da aplicação prática das regras e da atuação dos órgãos responsáveis por assegurar seu cumprimento.

“A Lei 14.611/2023 vai nessa direção, mas vai depender muito de como for aplicada, e a Justiça do Trabalho tem um papel importante nisso”, ressalta Monya.

O debate, portanto, não se esgota na representatividade feminina nos cargos de comando. O desafio está em garantir que as mulheres tenham condições equivalentes de ingresso, permanência, reconhecimento e crescimento profissional, com oportunidades reais de alcançar posições de liderança e remuneração compatíveis com as funções que exercem.

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