Leandro Alberione Batista da Costa
Catequista e membro da Comissão Bíblica
Diocesana
É fácil ser fiel quando todos concordam
conosco. Difícil é quando o mundo vive de outra forma e tenta nos impor seus
valores. Daniel e seus três amigos sabiam disso. Arrancados de casa, foram
parar na Babilônia, com outra língua, outros deuses e um rei que queria
refazê-los por dentro. Eram estrangeiros. Nós também somos, sempre que não
entramos na fofoca, não topamos o "jeitinho", não pomos o dinheiro
acima de tudo. A palavra "paróquia" vem do grego paroikía: a
casa dos pároikoi, os que vivem como estrangeiros, a caminho da
verdadeira terra.
Os quatro enfrentaram a fornalha e a cova
dos leões. Disseram ao rei que Deus podia livrá-los e que, mesmo que não o
fizesse, jamais serviriam a outros deuses (Dn 3,17-18). E nós, diante do poder,
do dinheiro, do medo e das delícias da corte, nos renderíamos ou seríamos
fiéis?
O que os sustentava era a esperança. Bento
XVI, na Spes Salvi (43-44), lembra que um mundo sem Deus é um mundo sem
esperança e que só Deus pode criar justiça. A Babilônia parecia eterna, mas os
reinos humanos passam e o Reino de Deus permanece (Dn 2,44). O Juízo final, diz
o Papa, é antes de tudo esperança: a injustiça não terá a última palavra (Dn
7,9-14; 12,2). É também apelo à responsabilidade, pois diante do Juiz não vale
o que aparentamos, mas o que somos de verdade. Baltazar ouviu isso na parede:
"foste pesado na balança e achado em falta" (Dn 5,27). Essa esperança
não nos tira do mundo, nos lança nele.
Mas ninguém a sustenta sozinho. Daniel
tinha três amigos. Hoje, a tentação é dizer "prefiro rezar em casa",
e aí esfriamos e a comunidade enfraquece. Nosso Deus é comunhão, não solidão. A
CNBB nos exorta a viver a paróquia como comunidade de comunidades: lugar onde
as pessoas se conhecem pelo nome, vivem como irmãs e cuidam umas das outras.
Para isso, a Comissão Bíblica Diocesana oferece círculos bíblicos
(diocesedejales.org.br/circulos-biblicos) e roteiros de leitura orante do
Evangelho de domingo (diocesedejales.org.br/roteiros-de-leitura-orante).
Somos comunidade para sermos missão: sal
da terra, luz do mundo, fermento na massa (Mt 5,13-14; 13,33). O sal só serve
dissolvido, o fermento só age misturado, a luz só ilumina acesa no escuro. Como
pedia Paulo VI, é preciso transformar, desde dentro, os valores que contam (Evangelii
Nuntiandi, 19-20). Neste outubro, mês missionário, sejamos uma Igreja em
saída: no mundo, sem ser do mundo, testemunhando Jesus em comunidade e vivendo
os valores do Reino que permanece para sempre.
Santa Fé do Sul, 30 de setembro de 2026

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