*José Renato Nalini
O carvão é o mais poluente dos
combustíveis fósseis. Em 2023, seu consumo foi recorde no planeta. Mas o Reino
Unido mostrou que é possível viver sem carvão. Fechou a Usina Ratcliffe-on-Soar
e se tornou o primeiro país do G7 grupo que reúne as nações mais desenvolvidas
do mundo, a banir a produção de energia a carvão.
Londres tem história na luta contra
a poluição. Enfrentou o grande fog que matou milhares de pessoas. Utilizou-se
do carvão para obter energia durante quase século e meio. Em 2015, anunciou que
fecharia as usinas na década seguinte. Àquela altura, cerca de trinta por cento
da eletricidade inglesa vinha do carvão. Com vontade e perseverança, em 2023
esse percentual caiu para apenas um por cento.
O grupo dos países que pretende se
livrar também do carvão congrega cerca de sessenta nações. Nenhuma delas ainda
chegou ao estágio dos ingleses. O importante é a demonstração de que, se o
governo quer, a poluição pode regredir. Uma tragédia o que aconteceu na
Alemanha, que tinha uma promissora política verde, mas que, com a guerra na
Ucrânia, ressuscitou as famigeradas usinas de carvão. Ali, cerca de vinte e
cinco por cento da eletricidade provém da queima de carvão, assim como trinta
por cento é a dependência dos japoneses dessa fonte energética letal.
É interessante que os países assinam
acordos, como o de Paris, para reduzir a emissão dos gases causadores do efeito
estufa e encontram escusas, algumas esfarrapadas, para não cumprir com as
obrigações assumidas. No ano passado, o mundo consumiu 8,53 bilhões de
toneladas de carbono, queimadas para produzir energia. Cresceu o uso na China e
na Índia, além da Indonésia.
E o Brasil? O que vai para cumprir o
Acordo de Paris? Aqui, a maior fonte de emissão é o desmatamento, cruel
extermínio de um patrimônio que não foi construído pelo homem, porém que, na
ignorância de braços dados com a ganância, está desaparecendo antes mesmo de
ver inventariada a sua exuberante biodiversidade.
A sociedade civil precisa acordar e
exigir do Estado seja responsável pelas atuais e futuras gerações, como
determina a Constituição da República, notadamente o seu artigo 225.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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