Painel debate caminhos práticos e pioneirismo para o etanol atingir intensidade de carbono neutra ou negativa
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| Divulgação / DATAGRO |
Líderes da Cocal, FS, MREPL e Embrapa apresentam avanços em economia circular, captura geológica de carbono e inovações industriais que redefinem a pegada ambiental do setor sucroenergético.
A busca por matrizes energéticas cada vez mais limpas e eficientes foi o foco do painel “Etanol rumo à intensidade de carbono neutra ou negativa”. Moderado por Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, Chefe Geral da Embrapa, o encontro reuniu especialistas e executivos para debater as inovações tecnológicas e os marcos regulatórios que estão transformando a indústria de bioenergia no Brasil e no mundo.
Representando o modelo de otimização no campo, Abel Uchoa, Diretor Presidente da Cocal, apresenta os resultados da gestão de 257 mil hectares e o processamento de 16 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Uchoa destaca que a transição já é uma realidade prática, inclusive na renovação de frotas agrícolas. "O nosso conceito de economia circular abrange desde o açúcar e o etanol até o biogás, biometano, energia elétrica, biofertilizantes e créditos de descarbonização. Quando desenhamos a nossa planta de biogás, projetamos uma estrutura aberta, capaz de impulsionar novos negócios e fechar praticamente toda a cadeia produtiva, aproveitando todo o potencial da biomassa da cana", afirma Uchoa.
No segmento de etanol de milho, a FS apresentou o seu avanço histórico com o projeto BECCS (Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono). Daniel Lopes, Vice-Presidente Executivo de Sustentabilidade e Desenvolvimento de Negócios da companhia, detalha o trabalho de dois anos e meio que culminou em um investimento de US$ 90 milhões para estocagem geológica no Mato Grosso.
"É um projeto inovador, onde vivemos as dores e as delícias de sermos pioneiros. Tivemos um trabalho muito robusto na área regulatória, atuando como projeto-piloto junto à ANP no escopo do Combustível do Futuro", explica Lopes. "Hoje, com os requisitos geológicos totalmente validados, temos a capacidade de estocar 420 mil toneladas de carbono ao ano, o que nos permitirá comercializar 650 milhões de litros de etanol certificado com pegada negativa. É um modelo altamente escalável para o Brasil."
A descarbonização também passa por inovações na infraestrutura térmica das usinas, conforme pontuou Makarand Chitale, Diretor da Mist Ressonance Engineering Pvt Ltd (MREPL). A empresa indiana evidencia sua Tecnologia de Criação de Névoa e os Condensadores de Vácuo de Entrada Comum (MTCEC), que substituem as tradicionais torres de resfriamento. "Nossos produtos fornecem às usinas soluções práticas para reduzir o consumo de energia elétrica e a demanda térmica. O sistema proporciona uma geração de vácuo mais rápida, otimizando o ciclo de fervura e traduzindo-se em economia real de vapor. Esse impacto é quantificável em toneladas de CO2 equivalente, criando uma base transparente e verificável para os benefícios ambientais e econômicos da adoção da tecnologia", enfatiza Chitale.
O painel foi concluído com a análise científica e regulatória de Marilia Folegatti, Pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente. Ela reforça que o RenovaBio já prevê bonificações de até 20% para emissões negativas e citou alternativas além da captura na fermentação (BECCS), como a adoção do biocarvão (biochar), que atua como condicionador de solo e mantém o carbono estável por mais de um século.
Folegatti enfatizou ainda o potencial da mudança direta do uso da terra (dLUC). "A expansão agrícola sobre pastagens severamente degradadas nos dá a condição de chegar a uma emissão negativa. Com essa métrica, 62% dos municípios canavieiros teriam a possibilidade de reverter suas emissões", revela a pesquisadora. "O que falta para consolidar o carbono negativo é o reconhecimento do dLUC, além do empilhamento de instrumentos que integrem o RenovaBio, o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e os mercados voluntários com integridade."
Serviço
26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol
Data: 26 e 27 de outubro de 2026
Local: Grand Hyatt Hotel – Avenida das Nações Unidas, 13.301, São Paulo (SP)
Mais informações: https://datagroexperience.com/
Sobre a DATAGRO
Com mais de 40 anos de mercado, a DATAGRO é uma consultoria agroindustrial independente com atuação global e referência no setor.
A companhia produz análises, notícias e dados primários sobre agropecuária, soja, milho, algodão, cana, açúcar, etanol, biodiesel, café, citrus, pecuária, leite e outros mercados, orientando a tomada de decisão de clientes em mais de 50 países. São mais de 130 relatórios mensais sobre 18 commodities agrícolas, de energia e mercados.
Ao todo, a DATAGRO reúne doze unidades de negócios: Alta Performance, Análise de Mercado, Consultoria Estratégica, Gestão, Markets, Financial, Governos, Benri, DataMaps, Deag, Geocane e Experience, área responsável pelos eventos, incluindo o Global Agribusiness Forum (GAF) e o Global Agribusiness Festival (GAFFFF).

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