Dor na mama é sinal de câncer? Todo caroço é perigoso? Quem tem silicone pode fazer mamografia? Saiba o que merece atenção e quando procurar atendimento médico
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Sentir dor nas mamas, perceber um caroço durante o banho ou receber um resultado de exame com termos desconhecidos são situações que costumam despertar preocupação. Mas será que toda alteração nas mamas indica uma doença grave? A dor pode estar relacionada ao câncer? E quem não tem casos da doença na família precisa se preocupar?
Neste Outubro Rosa, a Secretaria de Políticas para a Mulher do Estado de São Paulo quer ampliar o acesso à informação sobre saúde mamária, esclarecendo dúvidas frequentes e desmistificando crenças que ainda influenciam a maneira como as mulheres cuidam da própria saúde.
Embora o câncer de mama seja um dos principais temas da campanha, os cuidados com as mamas envolvem questões que fazem parte de diferentes fases da vida, desde a adolescência até a menopausa. Alterações hormonais, cistos, nódulos benignos, amamentação e procedimentos estéticos também despertam perguntas que precisam ser respondidas com informações confiáveis.
Para esclarecer algumas dessas questões, a Secretaria conversou com o mastologista Dr. João Ricardo Auler Paloschi, especialista em saúde mamária, que explica quais alterações merecem atenção e reforça a importância da avaliação médica e do diagnóstico precoce.
Nem todo caroço é câncer
Uma das maiores preocupações das mulheres está relacionada ao aparecimento de nódulos nas mamas. Apesar do receio que esse sinal costuma provocar, nem todo caroço indica câncer. Cistos, fibroadenomas e outras condições benignas também podem causar alterações, especialmente em determinadas fases da vida.
O médico explica que a presença ou ausência de dor não é suficiente para determinar se uma alteração é benigna ou maligna. Embora exista a crença de que o câncer de mama não provoca dor, essa característica não permite diferenciar as doenças.
"Existe uma falsa crença de que o câncer não dói é uma doença benigna que tende a doer", esclarece o mastologista.
Alterações no formato das mamas, mudanças na pele, secreção pelo mamilo, feridas que não cicatrizam e o aparecimento de nódulos também estão entre os sinais que merecem avaliação profissional.
De acordo com Paloschi, ao identificar alguma dessas alterações, a orientação é procurar atendimento médico para uma investigação adequada. O mastologista poderá avaliar o histórico da paciente, realizar o exame clínico e indicar os procedimentos necessários para esclarecer o diagnóstico.
Mamografia: quando fazer e quem tem silicone pode realizar o exame?
A mamografia é um dos principais exames utilizados na identificação precoce do câncer de mama, inclusive em situações nas quais a doença ainda não apresenta sinais ou sintomas.
De acordo com as orientações vigentes do Ministério da Saúde, a mamografia de rastreamento populacional é recomendada a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 anos também podem acessar o exame de rastreamento no SUS, mediante orientação sobre riscos e benefícios. Já a investigação de sintomas suspeitos pode ser indicada independentemente da idade, conforme avaliação médica.
Já nos casos em que existem sintomas ou alterações suspeitas, a investigação pode ser indicada independentemente da idade, conforme avaliação médica.
O mastologista reforça que o acompanhamento deve considerar as características individuais da paciente, incluindo idade, histórico pessoal e familiar e eventuais fatores de risco. Em determinadas situações, também pode ser necessária a realização de ultrassonografia ou ressonância magnética.
Outra dúvida frequente é se mulheres com próteses de silicone podem realizar mamografia. Segundo Paloschi, a presença dos implantes não contraindica o exame.
O especialista esclarece, ainda, que as próteses mamárias não são consideradas causa de câncer de mama. Existe, entretanto, uma associação rara entre determinados tipos de implantes e o linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, doença diferente do câncer de mama mais comum.
Por isso, alterações como aumento repentino do volume de uma das mamas, especialmente em mulheres com implantes, devem ser investigadas por um profissional de saúde.
Mitos que interferem nos cuidados
Além das dúvidas sobre exames e sinais de alerta, algumas crenças ainda provocam receio e podem influenciar a maneira como as mulheres cuidam da própria saúde.
Uma delas é a associação entre o uso de desodorantes antitranspirantes e o desenvolvimento de câncer de mama. O mastologista esclarece que não há evidências científicas que sustentem essa relação.
O estresse e a ansiedade também costumam ser apontados como possíveis causas da doença. Entretanto, não existe comprovação de uma relação direta de causa e efeito entre essas condições emocionais e o surgimento do câncer de mama.
Outro ponto importante é a presença de dor nas mamas antes da menstruação. O especialista explica que esse desconforto, conhecido como mastalgia cíclica, é comum e geralmente está relacionado às alterações hormonais do ciclo menstrual. Quando a dor é intensa ou interfere nas atividades diárias, recomenda-se avaliação médica.
Já em relação aos hábitos de vida, Paloschi destaca que, embora não seja possível prevenir completamente o câncer de mama, algumas atitudes podem contribuir para reduzir o risco de desenvolvimento da doença.
Entre elas estão a prática regular de atividade física, a manutenção de um peso corporal adequado, a alimentação equilibrada e a redução do consumo de bebidas alcoólicas.
O consumo de álcool, inclusive em pequenas quantidades, está associado ao aumento do risco de câncer de mama, segundo o especialista.
Informação e cuidado durante todo o ano
Mais do que concentrar a atenção no mês de outubro, a campanha Outubro Rosa reforça a importância dos cuidados contínuos com a saúde das mamas. Conhecer as características habituais do próprio corpo, reconhecer alterações e procurar orientação profissional são atitudes fundamentais para a identificação precoce de possíveis doenças e para o cuidado com a saúde em todas as fases da vida.
Em São Paulo, as mulheres contam com diferentes serviços de orientação, prevenção, diagnóstico e tratamento disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A principal porta de entrada são as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde é possível receber atendimento, avaliação clínica e encaminhamento para exames e serviços especializados, conforme a necessidade.
Para ampliar o acesso à mamografia, o Governo de São Paulo também disponibiliza as Carretas de Mamografia do programa Mulheres de Peito, da Secretaria de Estado da Saúde. As unidades móveis percorrem diferentes municípios oferecendo exames gratuitos, sem necessidade de agendamento. Mulheres de 50 a 74 anos podem realizar o exame apresentando documento de identidade e Cartão SUS, sem pedido médico. Para aquelas de 35 a 49 anos e acima de 74 anos, é necessária solicitação médica, conforme os critérios do programa.
Durante o Outubro Rosa de 2026, as carretas têm atendimento previsto em 15 municípios paulistas, entre eles São Paulo, Catanduva, Jaú, Eldorado, Salesópolis e Descalvado. Os locais, datas e horários são divulgados pelos canais oficiais do Governo do Estado.
Outra fonte de informação é o portal SP Por Todas, que reúne conteúdos sobre saúde, direitos, serviços e políticas públicas voltadas às mulheres. Na página especial do Outubro Rosa, a população pode consultar informações sobre a campanha e orientações relacionadas à saúde das mamas.
Além da atenção básica, o Estado dispõe de hospitais, ambulatórios especializados e maternidades que integram a rede de assistência à saúde da mulher. Quando há necessidade de investigação ou tratamento especializado, o acesso é realizado por encaminhamento e regulação do SUS, conforme o perfil assistencial de cada unidade.
Hospitais e ambulatórios especializados
A rede estadual conta com unidades de referência em saúde da mulher, mastologia, ginecologia e oncologia, entre elas:
- Hospital da Mulher: Av. Rio Branco, 1080, Campos Elíseos, São Paulo. Conta também com atendimento a vítimas de violência sexual, 24 horas.
- AME Mulher: Av. Celso Garcia, 2477, Belenzinho, São Paulo, no Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros.
- Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp): referência em assistência oncológica de alta complexidade.
- Centro de Referência da Saúde da Mulher — Pérola Byington: referência em saúde da mulher e oncologia mamária e ginecológica.
O encaminhamento para atendimento especializado é realizado conforme a necessidade clínica e os fluxos de regulação do SUS.
Outubro Rosa
O Outubro Rosa é uma campanha de conscientização sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado com a saúde das mamas. Ao longo do mês, o Governo de São Paulo reforça a importância do acesso à informação confiável, da atenção aos sinais de alerta e do acompanhamento médico adequado em todas as fases da vida. Para saber mais sobre saúde da mulher, orientações e serviços disponíveis, acesse o portal SP Por Todas.
SP Por Todas
O SP Por Todas é o movimento do Governo do Estado de São Paulo que reúne políticas públicas voltadas às mulheres nos eixos de segurança e proteção, saúde e autonomia. Acesse: www.spportodas.sp.gov.br
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