*José Renato N alini
Qualquer pessoa provida de um mínimo de discernimento pode constatar que o clima está doente. A enfermidade do planeta é causada por nós mesmos, pérfidos inquilinos. Sacrificamos a natureza, dela extraímos os recursos naturais e não repomos como deveríamos. A ciência alertou durante muitas décadas. Hoje, quem assumiu o descontrole foi a própria natureza.
Chuvas inclementes e violentas em todos os lugares. Mortes continuam a ocorrer. Só no Estado de São Paulo, foram 19 neste 2026. Mais dezenas em outros Estados. Em Juiz de Fora, numa só noite, 14 pereceram em virtude das tempestades.
Nos Estados Unidos, as nevascas paralisaram as aulas, interromperam o tráfego aéreo e deixaram milhões assustados. Avalanche nas Montanhas Rochosas evidencia aquilo que os cientistas já vinham afirmando: o aquecimento global eleva o risco de desmoronamentos. Foram computadas 123 mortes por avalanche no oeste dos Estados Unidos. Assim como ele, o aquecimento provocado pelo excesso de emissão de gases do efeito estufa, é a causa de perda de terra firme, entregue ao mar que tem o seu volume aumentado em virtude do degelo das calotas polares. É o que está a acontecer no litoral brasileiro, desde Maceió até Camboriú.
As cidades têm de assumir o enfrentamento desse estado de coisas antinatural. Os fenômenos não são naturais. São provocados pela inconsciência humana. São as populações urbanas as vítimas preferenciais desses fenômenos extremos e a cidadania que inflou os municípios, num êxodo rural, agora tem de colaborar para atenuar os impactos e para adaptar a cidade, a fim de que ela possa suportar as desgraças.
Como é que ela pode ajudar? Primeiro, plantando árvores e cuidando daquelas que já existem. A árvore é a maior amiga da vida, inclusive da humana. Depois, descartando adequadamente o seu desperdício. O exagero na produção de lixo faz com que este frágil planeta se torne uma esfera coberta de imundície. Isso não condiz com a pretensão humana de ser a primícia dentre as espécies, a única provida de razão. Vamos agir para provar que isso não é uma falácia.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

Comentários
Postar um comentário