Região passou de 21 focos em agosto de 2025 para 16 neste ano; Estado teve menor número de ocorrências para o mês em 28 anos
A região de São José do Rio Preto registrou 16 focos de calor em agosto de 2026, uma redução de 23,8% em relação aos 21 registrados no mesmo mês de 2025. No Estado de São Paulo, foram 171 focos no período, o menor número para agosto desde o início da série histórica, em 1998, segundo dados do sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).O resultado faz parte do monitoramento realizado pelo Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), no âmbito das ações de prevenção e resposta durante a temporada de estiagem.
Os focos de calor são um importante indicador para o monitoramento do território durante o período de seca. Detectados por satélite, eles permitem localizar rapidamente áreas com anomalias térmicas que podem estar relacionadas à ocorrência de fogo e direcionar a atuação das equipes de fiscalização, especialmente em regiões consideradas prioritárias.
Até então, em todo o Estado, o menor número de focos de calor registrado em agosto havia sido em 2022, com 315 ocorrências. Já o maior foi registrado em 2024, quando o São Paulo contabilizou 3.612 focos.
O resultado histórico ocorre em um cenário de condições meteorológicas favoráveis e de intensificação das ações de prevenção, monitoramento e fiscalização adotadas pelo Estado. Para o subsecretário de Meio Ambiente da Semil, Jônatas Trindade, a combinação desses fatores ajuda a explicar o desempenho, mas não reduz a necessidade de manter a mobilização durante a temporada de estiagem. “Agosto nos traz um resultado histórico: o menor número de focos de calor para o mês desde o início da série, em 1998. As condições meteorológicas, com chuvas acima do habitual, contribuíram para esse cenário, e o Estado também chegou à temporada de estiagem mais preparado, com investimentos, monitoramento permanente, fiscalização e ações preventivas em áreas prioritárias. É uma combinação que nos permite olhar para esse resultado com satisfação, mas sem baixar a guarda. A temporada ainda está em curso e seguimos mobilizados para proteger nossas áreas naturais e responder rapidamente a qualquer mudança nas condições”, afirma.
Focos de calor ajudam a orientar o monitoramento
Os focos de calor são detectados por satélite, a partir da identificação de anomalias térmicas na superfície. O indicador é utilizado para acompanhar possíveis ocorrências de fogo e apoiar a definição das áreas que precisam de verificação em campo e eventual atuação das equipes.
Por se tratar de uma detecção feita por satélite, um foco de calor não corresponde necessariamente a um incêndio, já que diferentes situações podem gerar uma anomalia térmica, como por exemplo uma queima prescrita. Por isso, os dados do BDQueimadas são utilizados como uma ferramenta de monitoramento e alerta, em conjunto com outras informações e com as verificações realizadas em campo.
Para a temporada de estiagem de 2026, o Estado mobilizou mais de R$ 400 milhões em investimentos e ações preventivas, envolvendo diferentes órgãos e parceiros. Entre as medidas estão o monitoramento meteorológico e de focos de calor, o uso de imagens de satélite, sensoriamento remoto e inteligência artificial, a preparação das equipes e a fiscalização de áreas consideradas prioritárias.
Fiscalização e monitoramento em áreas prioritárias
A Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental (DPFA) da Semil intensificou as ações de campo durante a temporada de estiagem. Na Fase Amarela, foram priorizadas 24 Unidades de Conservação estaduais, com 2.146 quilômetros percorridos e mais de 142 horas de monitoramento. As equipes também emitiram 38 notificações e ofícios relacionados à implantação ou adequação de medidas preventivas.
Na Fase Vermelha, iniciada em julho e prevista até outubro, os técnicos da DPFA já percorreram 3.151 quilômetros, em 316 horas e 53 minutos de monitoramento, com a participação de 27 profissionais. As equipes atuam na orientação da população, distribuição de materiais informativos, identificação de locais que precisam de melhorias em aceiros e acompanhamento de áreas com maior risco de ocorrência de fogo.
Unidades de Conservação registram queda nos incêndios
Nas Unidades de Conservação sob gestão da Fundação Florestal, os registros de incêndios efetivamente identificados em campo também apresentaram redução. Em agosto de 2026, foram contabilizadas 31 ocorrências, contra 39 no mesmo mês de 2025, uma queda de 20,5%.
A Fundação Florestal vem ampliando as ações de Manejo Integrado do Fogo (MIF) como estratégia de prevenção. Em 2025, foram realizados 350 hectares de queimas prescritas. Em 2026, já foram executados 600 hectares, com meta de chegar a 2 mil hectares até o fim do ano. Também estão previstos 2 mil quilômetros de manutenção de aceiros.
Em 2026, a Fundação Florestal implementou ainda uma iniciativa coordenada pelo Departamento de Planejamento (DEPLAN) para a elaboração integrada de planos específicos de prevenção e combate a incêndios para cada Área de Proteção Ambiental (APA) inserida nas Unidades de Conservação de Uso Sustentável. O trabalho é desenvolvido com participação da sociedade civil, proprietários de áreas privadas, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar Ambiental.
As medidas fazem parte de uma estratégia que vem apresentando resultados. Em 2025, as Unidades de Conservação registraram redução de 50% no número de incêndios e de 91% na área queimada, em comparação com 2024. Em 2026, a Fundação Florestal destinou R$ 19,3 milhões para equipamentos e estrutura operacional voltados à prevenção e ao combate aos incêndios.
Plano de Manejo Integrado do Fogo
O Governo de São Paulo também trabalha na elaboração do Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF), instrumento que estabelece diretrizes para prevenção, preparação, resposta e recuperação diante dos incêndios florestais. A previsão é que o plano seja concluído dentro do prazo legal, até março de 2027.
As ações integram a Operação São Paulo Sem Fogo, que reúne Semil, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental, Fundação Florestal, Cetesb, municípios, concessionárias e representantes do setor produtivo em uma atuação conjunta de prevenção e combate aos incêndios florestais.
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