*José Renato Nalini
Se todos são responsáveis pelo
aquecimento global, embora em proporções distintas, a tutela do ambiente é
também missão de que se não pode descuidar.
Interessante o conceito de “Justiça Climática”,
para a proteção prioritária dos vulneráveis, as vítimas preferenciais dos
fenômenos extremos. São os mais injustiçados, pois os que menos prejudicam a
atmosfera, já que não possuem os potentes veículos movidos aos venenosos
combustíveis fósseis.
Mas há um outro aspecto da Justiça
Climática que não pode ser negligenciado. É aquele de levar à barra dos
Tribunais os governos omissos ou cúmplices dos exterminadores do futuro. É o
que vem acontecendo em algumas partes do mundo e não demorará para chegar ao
Brasil.
A sociedade norte-americana sempre
foi muito cônscia de seus direitos e deveres, pois ali o Federalismo nasceu
espontaneamente, não imposto por mero espírito de cópia. Pois ali, uma coalizão
de grupos ambientalistas e de saúde movem processo contra o governo federal,
diante da revogação do texto que serviu de fundamento à luta contra as emissões
de gases do efeito estufa no território ianque.
A contundência da demanda é
eloquente e inspiradora: “Processamos para impedir de reduzir a cinzas o futuro
de nossos filhos com o objetivo de oferecer um gigantesco presente às
companhias petrolíferas”.
Era
muito importante a decisão adotada por Barack Obama em 2009 e que se tornou
conhecida como determinação de perito, que estabelecia que seis gases de efeito
estufa eram perigosos para a saúde.
Eles continuam a ser ainda mais
perigosos, diante da perseverança em expelir veneno na atmosfera, com o
negacionismo que recrudesceu de forma trágica, exatamente no momento em que o
relógio da meia noite está sinalizando a ultrapassagem do momento de transição
para a catástrofe.
A união de várias entidades
ambientalistas e de saúde mostra que a sociedade ainda conserva lucidez e pode,
quando quer, bater às portas da Justiça para impedir que governos pratiquem o
mal que atinge não só os viventes, como as futuras gerações.
Que a ação prospere e que se crie
precedente para a Justiça de todo o planeta.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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