Instabilidade econômica exige gestão de risco robusta e foco no longo prazo nos fundos de pensão, alerta IPCOM
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Em evento do IPCOM com a APEP, a vice-presidente do instituto, Ana Paula De Raeffray (foto), defende o fortalecimento dos modelos de governança para proteger patrimônio que supera R$ 1,3 trilhão no país.
O cenário de volatilidade nos mercados financeiros e as constantes oscilações das taxas de juros impõem desafios crescentes às metas atuariais das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). O alerta marcou a abertura do 8º Seminário "Previdência Complementar em Debate", evento promovido pelo Instituto de Previdência Complementar (IPCOM) em parceria com a Associação Nacional dos Fundos de Pensão do Setor Privado (APEP).
A vice-presidente do IPCOM, Ana Paula De Raeffray, atuou como palestrante principal no painel de abertura. Ao lado do jurista e professor Wagner Balera (presidente do IPCOM) e de Arthur Pires (presidente da APEP), a especialista conduziu as discussões com uma reflexão sobre a evolução histórica da compreensão do risco na sociedade moderna.
Com um patrimônio consolidado que ultrapassa R$ 1,3 trilhão — o equivalente a cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro —, o sistema previdenciário fechado exige o aprimoramento contínuo dos mecanismos de governança e de avaliação de riscos para assegurar o pagamento de benefícios a milhões de participantes ao longo das próximas décadas.
Além desse volume expressivo, o aumento da expectativa de vida no país impõe a revisão constante das projeções atuariais. Em um cenário de volatilidade dos mercados, o controle de riscos preserva a liquidez das entidades e consolida o setor como vetor estratégico de financiamento do desenvolvimento nacional.
Longe de constituir apenas uma reserva passiva, esse volume de capital atua como um dos principais motores do crescimento nacional, com capacidade para financiar projetos de infraestrutura e o mercado de capitais. Por essa razão, o fortalecimento da segurança jurídica e o cumprimento estrito dos deveres fiduciários são premissas indispensáveis para a proteção dos beneficiários.
Em sua apresentação, a advogada e professora da PUC/SP SP, vice-presidente do IPCOM, Ana Paula De Raeffray, utilizou como referência a obra "Against the Gods: The Remarkable Story of Risk" (traduzida no Brasil como "Desafio aos Deuses: A Fascinante História do Risco"), de Peter L. Bernstein, com destaque para o papel da probabilidade, da estatística e dos instrumentos de decisão na estruturação dos planos previdenciários. A especialista destacou que a gestão de incertezas é um elemento indissociável da sustentabilidade dos fundos de pensão:
"— A previdência complementar é, por natureza, uma construção de longo prazo. Projetamos cenários, trabalhamos com probabilidades e administramos incertezas para sustentar compromissos que atravessam gerações. Diante do quadro econômico atual, o rigor na gestão de riscos deixa de ser apenas uma exigência técnica e passa a ser a garantia de sustentabilidade do setor."
O painel inicial contou com as intervenções do jurista e professor Wagner Balera, presidente do IPCOM, e de Arthur Pires, presidente da APEP. Os palestrantes debateram os impactos da regulação vigente e a relevância da segurança jurídica para estimular a expansão da previdência fechada no país.
O encontro também reuniu outros especialistas e lideranças do setor para debater as perspectivas, as tomadas de decisão e os desafios do segmento previdenciário no Brasil.
O evento também se consolidou como um ponto de convergência entre os principais agentes da previdência complementar brasileira, promovendo reflexões qualificadas sobre governança, tempo e capacidade analítica diante dos cenários econômicos e sociais do país.
Ao final do encontro, as entidades ratificaram a intenção de manter o debate permanente entre juristas, atuários e dirigentes do setor, com o propósito de consolidar diretrizes analíticas capazes de proteger as reservas previdenciárias contra turbulências conjunturais.
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