*José Renato
Nalini
É incrível e
lastimável a produção diária de quinze mil toneladas de lixo na capital
paulista. Essa quantidade insólita, fruto do consumismo, do desperdício e da
ignorância de quem não sabe destinar o que joga fora, vai multiplicando os
chamados “aterros sanitários”, que ocupam espaço reservado a finalidades
ambientalmente corretas, como parques, jardins, florestas, lagos e unidades de
conservação.
A cruzada
contra a incineração é equivocada. Como observa o Professor Ronan Contrera, do
Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Poli-USP, a tecnologia
termelétrica moderna é essencial para São Paulo. O preconceito é fruto do apego
ao passado, onde havia equipamentos obsoletos, sem filtros adequados.
Quem visita as Unidades de
Regeneração Energética – UREs da China, fica encantado. São construções
arquitetônicas esteticamente agradáveis, com jardins, bibliotecas, auditórios e
vocação temática. Não se sente um grau de temperatura diferente do ar condicionado.
Não há odor, não há ruído. Há beleza, há o aproveitamento do lixo para a
fabricação de energia elétrica e o resíduo é um tijolo ecológico.
O controle de emissão é rigoroso e
cientificamente comprovado. Fumacinha branca, partículas d’água, com a melhor e
mais adequada destinação daquilo que as pessoas descartam.
A advertência de Contrera é
contundente: a verdadeira bomba-relógio ambiental são os aterros. Estes exigem
manutenção contínua e vigilância contra vazamento de chorume altamente tóxico
por décadas. Isso onera o sistema, com cifras milionárias insuscetíveis de
serem provisionadas nos contratos iniciais. Muito boa a imagem do mestre: “O
aterro sanitário é uma dívida no cartão de crédito; um dia, a gente vai pagar
caro por ele”. Para concluir, os aterros emitem grande quantidade de gases de
efeito-estufa através vazamentos no solo. E não é CO2 que eles emitem: é
metano, vinte e cinco vezes mais nocivo do que o gás carbônico.
As
UREs não excluem a ação dos catadores, mas elimina aquilo que lhes não
interessa: fraldas descartáveis, resíduos nocivos, o que é insuscetível de
reaproveitamento. São Paulo não pode perder mais tempo.
*José Renato Nalini é
Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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