A odontologia entrou na nova fronteira do franchising brasileiro

 




O franchising brasileiro está passando por uma mudança que vai além do crescimento do faturamento. Os segmentos que avançam revelam também uma transformação na maneira como o consumidor escolhe onde e como cuidar de si.


Os números mais recentes da Associação Brasileira de Franchising (ABF) ajudam a enxergar esse movimento. No primeiro trimestre de 2026, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar cresceu 18%, ficando atrás apenas de Alimentação – Comercialização e Distribuição, que avançou 22%. O franchising como um todo cresceu 10,1% no período, alcançando R$ 72,7 bilhões em faturamento.


No segundo trimestre, o movimento continuou. Saúde, Beleza e Bem-Estar registrou crescimento de 15,2%, novamente acima do desempenho geral do franchising, que avançou 9,3%. Dessa vez, a própria ABF apontou a expansão dos serviços odontológicos entre os fatores que impulsionaram o segmento, ao lado dos cuidados pessoais e das atividades físicas.

Para mim, o dado mais interessante está justamente aí.


Estamos falando de uma mudança de comportamento que transforma saúde, beleza e bem-estar em uma parte cada vez mais presente da rotina das pessoas.


A odontologia ocupa uma posição particular nesse cenário porque reúne necessidades que durante muito tempo foram tratadas separadamente. Prevenção, tratamento, estética, autoestima e qualidade de vida passaram a fazer parte de uma mesma conversa.


Isso muda também a forma como o consumidor enxerga o atendimento odontológico.


A consulta ao dentista deixa de acontecer apenas quando existe uma dor ou um problema evidente. Existe uma busca maior por prevenção, acompanhamento, estética e manutenção da saúde bucal.


Os dados do próprio Ministério da Saúde mostram que ainda existe uma demanda relevante nessa área. O SB Brasil 2023, mais recente Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, avaliou condições como cárie, doenças periodontais e traumatismos, além de necessidades de próteses e de tratamentos odontológicos. A pesquisa faz parte da série histórica utilizada pelo governo para orientar o planejamento das políticas de saúde bucal no país.


Existe, portanto, uma combinação importante entre demanda estrutural e mudança de comportamento.


De um lado, milhões de brasileiros ainda precisam de tratamento e acompanhamento odontológico. De outro, uma parcela crescente do consumidor passou a olhar para o sorriso também como parte da sua saúde, aparência e bem-estar.


É nesse ponto que o franchising ganha relevância.


Um dos grandes desafios da saúde é transformar qualidade em algo que possa ser oferecido de maneira consistente em diferentes localidades. Isso exige processos, treinamento, tecnologia, gestão e capacidade de replicação.


O franchising foi desenvolvido justamente para transformar um modelo de negócio em uma operação que possa ganhar escala sem depender exclusivamente da presença física do fundador.


Na odontologia, essa lógica tem uma característica adicional: escala precisa caminhar junto com responsabilidade.


Não basta abrir unidades. É preciso construir processos capazes de sustentar padrões de atendimento, gestão, treinamento e experiência do paciente em uma rede cada vez maior.


Durante muito tempo, falar em franquias significava pensar principalmente em alimentação, varejo e consumo. Esses mercados continuam extremamente relevantes, mas o modelo amadureceu e passou a ocupar espaços cada vez maiores em serviços especializados.


Saúde é um dos exemplos mais claros dessa transformação.


O consumidor quer conveniência, mas também quer confiança. Quer acesso, mas espera qualidade. Quer tecnologia, mas continua valorizando o atendimento humano.


Para as redes, isso aumenta o nível de exigência.


A próxima fase do franchising de saúde não será definida apenas pela quantidade de unidades. Será definida pela capacidade de criar modelos eficientes, desenvolver bons franqueados, utilizar tecnologia para melhorar a jornada do paciente e manter consistência à medida que a operação cresce.


É uma equação mais complexa do que simplesmente expandir.


E existe outro ponto importante: o consumidor brasileiro está cada vez mais disposto a investir em serviços que impactam diretamente sua qualidade de vida.


Isso ajuda a explicar por que Saúde, Beleza e Bem-Estar vem apresentando desempenho superior ao do franchising em diferentes períodos recentes. No primeiro trimestre, foram 18% de crescimento. No segundo, 15,2%.


A odontologia é apenas uma das expressões dessa transformação, mas talvez seja uma das mais interessantes porque combina uma necessidade permanente com novas possibilidades de consumo.


O sorriso passou a ocupar um espaço maior na conversa sobre saúde, estética e autoestima.


Para quem acompanha o franchising, esse movimento merece atenção.

Os números da ABF mostram o desempenho de um segmento. O que eles revelam, na minha avaliação, é algo maior: estamos diante de um consumidor que passou a colocar o cuidado pessoal de maneira mais permanente na sua agenda.


E quando uma mudança de comportamento encontra modelos de negócio capazes de ganhar escala, surgem novas fronteiras para o empreendedorismo brasileiro.


Paulo Zahr - empresário e fundador da OdontoCompany

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