Tem de acreditar

            *José Renato Nalini

            A engenhosidade humana é milagrosa. Quando se pensa em tudo aquilo que os seres racionais já inventaram para melhorar a vida, esta curta vida de apenas algumas décadas, não se duvida do design inteligente. Apenas um Ser Superior conseguiria produzir uma criatura com tanta vivacidade, curiosidade e vontade de aprimorar a obra divina.

            Nestes tempos digitais, em que a internet manipula a nossa vida e o Google sabe mais de nós do que nós mesmos, noticia-se que a IA – Inteligência Artificial ainda provocará muitas e profundas mudanças. Para quem acredita que ela é a última invenção humana, depois ela própria cuidará de desenvolver outros projetos, a preocupação era com os data centers, poderosos consumidores de água.

            Quando a ONU diz que a questão aquífera não é mera escassez, mas verdadeira “falência hídrica”, vem a dúvida: haverá água suficiente para a humanidade e para os data centers?

            É quando a SpaceX, de Elon Musk, promete lançar uma constelação de um milhão de satélites que orbitarão a Terra e captarão energia solar para alimentar centros de dados de IA. Isso vem logo em seguida à notícia de que a SpaceX e a XAI vão se fundir antes de uma oferta pública bilionária, planejada para ocorrer ainda este ano.

            Essa fusão vai dar novo impulso ao empenho da SpaceX para lançar centros de dados em órbita. É o que Musk pretende, para chegar à supremacia na corrida de IA. A ideia é excelente: “ao aproveitar diretamente a energia solar, quase constante com baixos custos operacionais e de manutenção, tais satélites alcançarão uma eficiência transformadora em termos de custo e energia. Vão reduzir significativamente o impacto ambiental associado aos centros de dados terrestres.

            É preciso confiar na capacidade humana de encontrar soluções para problemas aparentemente insolúveis. Que ela continue e que muitos jovens se dediquem ao estudo da matemática, da física, da química, da engenharia, da biologia, tudo para que essas descobertas simplifiquem um pouco a vida de bilhões de humanos que vão depender cada vez mais da IA e dos escassos recursos naturais que sobreviveram à sanha predadora do bicho-homem.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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