*José Renato Nalini
O mundo inteiro já sabe e assimilou
a verdade incontornável de que o maior vilão do planeta é o combustível fóssil.
Ele foi útil, serviu durante longo período. Mas emite os gases venenosos
causadores do efeito-estufa. Por isso os inúmeros estudos, o Acordo de Paris, a
celeuma global sobre o banimento dessa fonte energética nefasta.
O Brasil perdeu excelente
oportunidade de se colocar na dianteira de um planeta submetido a uma
geopolítica errática, em que a fome do vil metal é mais importante do que
preservar a vida. Toda espécie de vida, inclusive a humana.
Por isso, na COP30, pela primeira
vez em nosso país – quando haverá outra aqui? – deixou de insistir na
descarbonização. O correto é dizer “desfossilização”, porque nós humanos também
somos feitos de carbono.
Não tinha legitimidade para
proclamar essa postura, já que insiste em explorar petróleo na foz do Amazonas.
E, passada a COP, continua a navegar em mar revolto e hostil. A prévia da
agenda da COP31, que será realizada em novembro na Turquia e na Austrália,
deixa de lado a vedação aos combustíveis fósseis.
O rascunho da Agenda de Ação da
cúpula elegeu catorze temas prioritários. Menciona a “transição da energia
limpa”, mas não menciona a urgência de medidas para deixar de lado petróleo,
gás e carvão. Essa Agenda de Ação é o roteiro do que se tratará na COP31, mais
um encontro em que parece se discutirá uma ficção: a conversão do ser humano à
salvífica política da contenção, da sustentabilidade e do respeito à natureza.
É claro que interessa o “Zero Lixo”
e um “turismo e herança cultural” sustentáveis. A transição energética é a
penúltima no rol dos assuntos a serem tratados em novembro na cidade litorânea
de Antália. Mas tudo bem genérico, com expressões como “aumento da eficiência
energética”, persistir na eletrificação em setores-chave da economia e a vaga
intenção de “transformar em ação ambições de mitigação”.
A humanidade não tem juízo. Sua
teimosia é ameaça de extinção. Até quando a resistência à verdade científica e
a urgência de medidas drásticas?
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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