Por
Bruno Gabaldi
Assessor
de Comunicação da Diocese de Jales
Na tarde do último domingo, dia 16,
milhares de fiéis estiveram reunidos em celebração e caminhada na 42ª Romaria
Diocesana de Jales, entoando o lema “Com Jesus e Maria, defendemos o direito à
Moradia”.
A caminhada, iniciada com a
concentração na Paróquia Santo Expedito, tomou ruas e avenidas do município de
Jales até o local da celebração, ocorrida na Praça “Dr. Euphly Jalles”, ao lado
da Catedral Diocesana.
A Romaria congregou milhares
romeiros dos 45 municípios da Diocese de Jales, bem como peregrinos de outras
dioceses, celebrando a Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria e
os 66 anos de instalação da Diocese de Jales.
A Santa Missa foi presidida pelo
Bispo Diocesano de Jales, Dom Reginaldo Andrietta, e concelebrada pelo clero da
Diocese de Jales. Durante sua homilia, Dom Reginaldo ressaltou que moradia
digna é um direito fundamental de todo ser humano e, no entanto, muitíssimas
famílias dos municípios da Diocese e de todo o Brasil ainda não tem esse
direito garantido. “O Papa Leão XIV dirigiu uma mensagem à Igreja do Brasil
neste ano, estimulando-nos a encontrar solução para este grave problema que, na
realidade, afeta o mundo todo. Maria, que acolheu o Filho de Deus como mãe, é
imagem da Igreja, comunidade e casa, que acolhe todos e todas, especialmente os
pobres que necessitam de moradia em condições dignas”, disse o bispo.
Dom Reginaldo ainda reforçou: “a
falta de teto em condições dignas é uma ferida no corpo de Cristo. Ele mesmo
nasceu sem teto, foi levado para outro país para sobreviver a perseguição sem
moradia certa e, estando em missão, não teve onde reclinar a cabeça,
identificando-se e solidarizando-se desse modo com quem não tem moradia ou
habita em condições precárias”.
Inspirado pela Campanha da
Fraternidade de 2026, que traz a moradia como um direito fundamental para a
sociedade, o lema da 42ª Romaria teve como objetivo despertar a consciência dos
fiéis e da população para uma das carências mais fundamentais da dignidade
humana. A peregrinação do povo de Deus manifestou sua solidariedade àqueles que
vivem a incerteza da ocupação e a precariedade habitacional, reafirmando que a
moradia é a base necessária para o exercício da cidadania e para a vida em
comunidade.
A Doutrina Social da Igreja reafirma
que o direito à moradia está intrinsecamente ligado à dignidade da pessoa
humana e ao princípio do bem comum. A Igreja sustenta que a propriedade possui
uma função social incontornável, o que significa que o acesso à terra e ao teto
não pode ser ditado apenas pelas leis de mercado, mas sim pela necessidade de
garantir uma vida digna a todos os membros da sociedade.
Dignidade
O coordenador da Comissão da Romaria
Diocesana, Pe. Eduardo Rodrigues Magnani, reforçou que “a moradia inicia desde
o útero materno, passando pelas moradias que nós construímos durante a vida que
nos dá dignidade humana, mas também nos preparando para a moradia eterna na
presença do Cristo Jesus. Que possamos caminhar sempre, mesmo diante de nossas
dificuldades, sem nunca desanimar. Que essa Romaria nos ajude a ir ao encontro
do nosso próximo e levar esse evangelho que é amor, misericórdia e
acolhimento”.
Caminhada da Fé
Nesta 42ª edição da Romaria
Diocesana, cerca de 700 pessoas participaram da “Caminhada da Fé”, com destaque
a primeira caminhada da comunidade de Aspásia-SP. Segundo a jovem Samira Okoti,
de 14 anos, a motivação para caminhar foi a cura do tio. “Eu e minha mãe
decidimos fazer essa caminhada por conta do meu tio. Ele passou por uma
situação muito difícil e conseguiu vencer. Tivemos esse propósito de vir e
acompanhá-lo. A caminhada foi difícil, por ser a primeira, mas o propósito foi
maior. Nossa Senhora para mim é minha mãe, ela é tudo na minha vida”, disse
Samira.
De acordo com o Pe. Mario Roberto
Faria, assessor dos grupos da Caminhada da Fé, a cada ano os grupos de romeiros
estão aumentando, como por exemplo o município de Aspásia, que foi sua primeira
vez. Ele também reforçou que aconteceram peregrinações de: Aparecida d’Oeste -
Palmeira d’Oeste e São Francisco; Rubinéia – Santa Fé – Três Fronteiras –
Santana da Ponte Pensa – Santa Salete – Urânia e Jales; Dolcinópolis – Vitória
Brasil; Fernandópolis – Estrela d’Oeste; Major Prado – Auriflama e Dirce Reis;
Santa Clara – Santa Rita – Santa Albertina e Paranapuã.
Também estiveram presentes
peregrinos de Cardoso, Valentim Gentil e Votuporanga.
Na sexta-feira, dia 14, durante a
benção dos peregrinos em Rubinéia, Pe. Junior Lucato, pároco da Catedral e
ecônomo da Cúria Diocesana, disse que existe a possibilidade, para as próximas
edições, de oficializar o Caminho da Fé que leva até a Catedral Nossa Senhora
da Assunção, em Jales-SP. “Também existe um grupo de ciclistas que querem
iniciar peregrinações no Caminho da Fé até a Catedral”, reforçou Pe. Junior.
Testemunho da 1ª Romaria
Quem também prestigiou a 42ª Romaria
Diocesana foi a Ir. Luisa Drago, 77 anos, religiosa Oblata da Assunção,
italiana e missionária no Brasil. Ela contou à reportagem que participou da 1ª
Romaria Diocesana, ocorrida em 1985, quando existia a comunidade das Oblatas da
Assunção em Santa Fé do Sul.
“A Diocese de Jales me ajudou muito
na minha caminhada vocacional. A primeira Romaria foi sentida por Dom Demétrio,
mas também por cada um de nós. Lembro que fazia muito calor, mas as pessoas
estavam animadas. Tínhamos a firmeza que a primeira Romaria não seria a última,
mas que aconteceria a cada ano ainda melhor. Eu fiz questão de participar desta
42ª Romaria para sentir na pele a emoção que eu senti naquela primeira. Peço à
Nossa Senhora que derrame muitas bençãos à esta Diocese em vocações religiosas
e sacerdotais, que proteja às famílias, pois é na família que nasce as
vocações”, disse Ir. Luisa.
Desde 1985, a Romaria Diocesana expressa a unidade da Igreja, fortalece a comunhão entre paróquias, quase-paróquias, comunidades, pastorais, movimentos, organismos e consolida-se como um importante instrumento de evangelização e compromisso com a realidade do povo. Fotos: Assessoria de Comunicação / Pascom Diocesana

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