Pe. Edvagner Tomaz da Cruz, Professor Doutor em Teologia,
Reitor do Seminário Diocesano de Jales e Pároco da São Luiz Gonzaga de Fernandópolis-SP
Entre os dias 4 e 6 de setembro de 2026, a Igreja no Brasil viverá
um importante momento de reflexão e comunhão com a realização do 5º Congresso
Vocacional do Brasil, em Aparecida (SP), no Santuário Nacional. Promovido pela
Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, o
encontro reunirá representantes de diferentes realidades eclesiais para
refletir sobre a vocação e a missão da comunidade cristã. O Congresso acontece
em sintonia com o caminho que a Igreja vem fazendo para fortalecer uma
verdadeira cultura vocacional, na qual cada pessoa possa perceber que sua vida
é um dom de Deus e uma resposta a um chamado.
O tema escolhido para esta quinta edição é “Comunidades
Vocacionais: encontro, testemunho e missão”. A proposta parte da compreensão
que as vocações não nascem e amadurecem de maneira isolada. É no contato com
outras pessoas, na vida das comunidades, na oração, na escuta e no serviço que
muitos descobrem o chamado de Deus. Por isso, uma comunidade vocacional é
aquela que acolhe, acompanha e ajuda cada pessoa a discernir sua missão. O tema
também recorda que a vocação cristã não se limita ao sacerdócio ou à vida
religiosa. Partindo do sacramento do Batismo, todo batizado é chamado à
santidade e a participar da missão evangelizadora da Igreja, seja no
matrimônio, na vida consagrada, no ministério ordenado ou na missão dos leigos.
O lema do Congresso é inspirado nos Atos dos Apóstolos:
“Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46). A passagem
apresenta as primeiras comunidades cristãs como grupos unidos pela fé, pela
oração, pela convivência e pela partilha. O lema convida a Igreja de hoje a
recuperar esse espírito de fraternidade e participação. E ainda, de construir
comunidades nas quais as pessoas se sintam acolhidas, possam testemunhar sua fé
e encontrem espaço para colocar seus dons a serviço dos outros, além de que, a
comunidade seja também lugar onde novas vocações possam surgir e crescer.
A realização do 5º Congresso Vocacional chega em um momento significativo
para a Igreja brasileira. Não apenas discutir o futuro das vocações, mas o
encontro propõe olhar para o presente e perguntar que tipo de comunidades
estamos construindo. Paróquias, famílias, pastorais, movimentos, seminários e
comunidades religiosas são chamados a assumir juntos a responsabilidade de
criar ambientes onde cada pessoa possa descobrir sua vocação e encontrar apoio
para vivê-la com alegria e fidelidade. O Congresso, é uma oportunidade para
toda a Igreja renovar a consciência para a sinodalidade e que somos um povo
chamado por Deus e enviado em missão.
Ao reunir diferentes vocações, experiências e realidades presentes
na Igreja do Brasil, o Congresso poderá ajudar a fortalecer uma pastoral mais
integrada e uma comunidade mais aberta à escuta e ao acompanhamento. O grande
desafio será fazer com que as reflexões não terminem no encerramento do
encontro, mas cheguem às dioceses, paróquias e comunidades. Afinal, uma cultura
vocacional se constrói no cotidiano: quando uma comunidade acolhe, quando uma
família incentiva, quando um jovem é acompanhado, quando alguém encontra espaço
para servir e quando todos são ajudados a perguntar, com liberdade e confiança:
“Senhor, qual é o caminho que preparaste para mim?”
Nas Dioceses e Regionais do Brasil muitas foram as iniciativas de
preparação para o Congresso. A Diocese de Jales, por exemplo, realizou seu
Congresso Diocesano no último dia 22 de agosto reunindo representantes de
muitas comunidades, pastorais e movimentos, com o desafio de criar uma cultura
vocacional. Nas conclusões, levantou-se a necessidade de um trabalho vocacional
desde o âmbito familiar, e ainda, com as crianças e adolescentes da catequese,
com jovens e adultos no Encontro com Cristo, com leigos e leigas assumindo seu
batismo. Toda a Igreja é chamada a renovar sua esperança, fortalecer seus
vínculos e assumir com maior entusiasmo a missão de despertar, acompanhar e
sustentar as vocações. Trata-se de construir comunidades que sejam, de fato,
lugares onde a vocação possa ser encontrada, testemunhada e vivida como missão.
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