| Mastologistas João Ricardo Auler Paloschi, Vanessa Sanvido e Ailton Joioso |
| Equipe do Departamento de Mastologia do HAC e Vanessa Sanvido (à direita), mastologista e pesquisadora |
O Hospital Amaral Carvalho realizou ontem (26/8), pela primeira vez, um procedimento de crioablação para o tratamento do câncer de mama. A Instituição, acreditada com nível máximo de excelência pela Organização Nacional de Acreditação (ONA 3), integra um estudo clínico pioneiro na América Latina, desenvolvido em centros de referência oncológica do Brasil, que avalia se a técnica poderá futuramente substituir a cirurgia convencional em casos selecionados de câncer de mama inicial.
Acompanhado pela equipe de Mastologia do hospital, o procedimento foi realizado pelos mastologistas João Ricardo Auler Paloschi, do HAC, e Vanessa Sanvido, professora adjunta da disciplina de Mastologia do Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp), pesquisadora da Unifesp e do Instituto de Pesquisa do Hospital do Coração (IP-HCor) e principal investigadora do primeiro ensaio clínico brasileiro sobre a eficácia da crioablação para o câncer de mama.
Técnica utiliza o congelamento para destruir células tumorais
A crioablação utiliza temperaturas extremamente baixas para congelar o tumor e provocar a necrose das células cancerígenas. A pesquisa é voltada principalmente a pacientes com câncer de mama inicial, com tumores de até dois centímetros e que ainda não tenham iniciado outro tratamento. “A gente quer provar que a crioablação pode ser uma substituta da cirurgia em casos selecionados”, explica Vanessa.
No HAC, a paciente era jovem, apresentava tumor menor que dois centímetros e se enquadrava nos critérios da pesquisa. O procedimento durou cerca de 30 minutos, ocorreu conforme o planejado e ela recebeu alta sem necessidade de internação.
Entre os diferenciais da técnica estão a realização com anestesia local e sem a necessidade de uma incisão cirúrgica convencional. Para introduzir a agulha até o tumor, é feita uma abertura de aproximadamente dois milímetros, sem necessidade de pontos. Além disso, a expectativa é de que a paciente retorne às atividades em até 24 horas, em casos adequados.
A técnica, entretanto, ainda está em investigação e não substitui a cirurgia como tratamento padrão. Não é indicada, por exemplo, para tumores grandes, ulcerados, com sangramento ou para pacientes que já tenham recebido determinados tratamentos, como quimioterapia.
Pesquisa reúne centros de referência e busca ampliar possibilidades
A participação do HAC reforça a atuação do hospital na pesquisa e na busca por alternativas menos invasivas para o câncer de mama. Para o mastologista João Ricardo Auler Paloschi, integrar o projeto coloca a Instituição na vanguarda da investigação de novas possibilidades terapêuticas. “Trazer novas perspectivas do tratamento do câncer de mama, para nós, é muito importante. Hoje, ainda é uma pesquisa, mas acreditamos no sucesso desse tratamento e que, realmente, daqui a um tempo, a gente possa oferecer isso de maneira definitiva”, afirma.
Também mastologista do HAC, Ailton Joioso destaca a importância da parceria. “O Amaral Carvalho mais uma vez está na frente, na ponta da pesquisa, tentando trazer o que há de melhor no mundo da Ciência para as nossas pacientes”, ressalta.
Os resultados dos estudos brasileiros são promissores: uma pesquisa inicial acompanhou 60 pacientes e demonstrou eficácia da técnica na destruição dos tumores. No atual ensaio clínico, que compara a crioablação com a cirurgia mamária, o seguimento médio é de sete meses, com destruição total das lesões avaliadas e nenhum caso de recidiva. O acompanhamento continuará pelos próximos cinco anos para avaliar os resultados de longo prazo.
“Todos esses centros estão levando o nome do Brasil. Além de divulgar nosso trabalho, estamos sendo referência mundial para o tratamento do câncer de mama”, afirma Vanessa. Para o Hospital Amaral Carvalho, a iniciativa reafirma o compromisso de unir excelência técnica, pesquisa e cuidado humanizado. Caso a eficácia e a segurança da técnica sejam comprovadas, a crioablação poderá, futuramente, ampliar as alternativas de tratamento para pacientes com câncer de mama inicial.
Comentários
Postar um comentário