(Gustavo Alves/CBAt)
Velocista do Sesi-SP, de apenas 15 anos, surpreende nos 200 metros, vence quatro provas e confirma evolução após competir em categorias superiores
São Paulo (SP) – Aos 15 anos, Ana Júlia Souza de Oliveira, do Sesi-SP, encerrou o Campeonato Brasileiro Interclubes Sub-18, no último domingo, como um dos grandes destaques da competição. Em sua primeira participação no campeonato da categoria, a velocista conquistou quatro medalhas de ouro: nos 100 metros, nos 200 metros e nos revezamentos 4×100 metros feminino e 4×100 metros misto.
O desempenho no Estádio Ícaro de Castro Mello, o Ibirapuera — ela foi escolhida a melhor atleta do torneio — coroou uma temporada de rápida evolução e confirmou o potencial da atleta, que está apenas no primeiro ano da categoria Sub-18. Entre os resultados, a vitória nos 200 metros teve um significado especial. Quarta colocada no ranking antes da competição, Ana Júlia superou as expectativas e terminou no lugar mais alto do pódio.
“Foi uma grande surpresa, ainda mais nos 200 metros, porque eu estava em quarto lugar no ranking”, contou a atleta, natural de Diadema, no ABC Paulista.
A confiança para a prova decisiva começou a ser construída ainda nos 100 metros. O resultado obtido na primeira prova individual, somado às orientações da comissão técnica, ajudou Ana Júlia a entrar na pista para os 200 metros sem se intimidar com as adversárias.
“A disputa dos 100 m me deu muita confiança, e ainda mais as falas dos meus treinadores. Eles sempre falam para eu não abaixar a cabeça para ninguém. Isso me impulsionou muito mais”, afirmou.
Experiência em categorias superiores
O sucesso no Brasileiro Sub-18 também é consequência de uma temporada em que Ana Júlia foi colocada à prova contra atletas mais experientes. Antes de competir em sua própria categoria, a velocista participou de campeonatos Sub-23 e Sub-20, acumulando resultados importantes.
“Esse ano fui para o Paulista Sub-23, fiquei em segundo lugar. No Brasileiro, fiquei em quarto. Depois fui para o Paulista Sub-20, fiquei em segundo também, e no Brasileiro fiquei em terceiro. Aí, finalmente, fui para a minha categoria”, explicou.
A sequência de competições proporcionou à atleta uma experiência competitiva acima do esperado para sua idade. O aprendizado também ultrapassou as fronteiras nacionais. Durante o Mundial realizado em Oregon, nos Estados Unidos, Ana Júlia participou de uma prova de revezamento. A equipe não completou a disputa após uma queda do bastão, mas a experiência internacional acrescentou um capítulo à formação da jovem velocista.
Para a técnica Rosana Soares, os resultados obtidos no Brasileiro Sub-18 são uma demonstração do talento e da maturidade da atleta. “Ana Júlia é uma garota incrível. Conquistar quatro medalhas de ouro no Campeonato Brasileiro Sub-18 foi fantástico. E pensar que ela tem apenas 15 anos e está no primeiro ano da categoria mostra o talento que ela tem e o futuro brilhante que pode construir no esporte”, destacou.
A treinadora ressaltou ainda a capacidade da atleta de competir contra adversárias mais velhas e sua importância nas provas coletivas. “Competir contra atletas mais velhas, logo no primeiro ano do Sub-18, e conseguir vencer mostra uma maturidade enorme e um potencial muito grande. Ela também foi fundamental nas conquistas dos revezamentos, mostrando que está sempre pronta para ajudar a equipe.”
Rosana acredita que o momento vivido pela velocista é apenas o início de uma trajetória promissora. “Tudo isso é fruto de muita dedicação, comprometimento e foco. Acredito que isso é só o começo de uma bela trajetória no atletismo. Estou muito feliz e muito orgulhosa de poder acompanhar essa jornada desde o começo. Tenho certeza de que ainda vamos viver muitos momentos especiais juntos.”
Do futsal para as pistas
A trajetória de Ana Júlia no atletismo começou de forma quase casual. Antes de se dedicar às pistas, ela praticava futsal, e foi justamente a resistência desenvolvida nas quadras que auxiliou na adaptação às corridas. “Comecei no futsal. Eu era excelente. Tinha bastante resistência também em quadra, porque sempre vivia correndo de um lado para o outro”, contou.
A mudança para o atletismo aconteceu por influência da irmã. Um professor organizava uma seletiva para formar uma equipe escolar, e a irmã decidiu participar. Ana Júlia, que havia incentivado a irmã a praticar futsal, acabou sendo convidada a acompanhá-la. “Minha irmã quis ir porque eu a impulsionei para o futsal. Ela falou: ‘Não, agora é minha vez de te impulsionar para alguma coisa, de te levar a fazer alguma coisa que você não queria’”, relembrou.
Inicialmente, Ana Júlia foi à seletiva apenas para acompanhar a irmã. Acabou disputando os 2 mil metros e o salto em distância. O desempenho no salto não chamou tanta atenção, mas a participação nos 2 mil metros garantiu sua classificação.
A atuação da irmã no salto em altura, por sua vez, despertou o interesse dos treinadores, que convidaram ambas para uma nova seletiva no Sesi. Ambas foram aprovadas, mas seguiram caminhos diferentes no atletismo. “Aí ambas passaram e ele explorou mais a distância curta em mim. Ela continuou no salto”, explicou.
A escolha pelas provas de velocidade se mostrou acertada. No Sesi-SP, Ana Júlia encontrou estrutura e ambiente para desenvolver seu potencial, acumulando resultados expressivos e adquirindo experiência em diferentes níveis de competição.
Confiança para sonhar mais alto
As quatro medalhas conquistadas no Brasileiro Sub-18 representam, para Ana Júlia, mais do que uma coleção de títulos. O desempenho no Ibirapuera confirma que a experiência acumulada ao longo da temporada, inclusive contra atletas de categorias superiores, vem contribuindo para sua evolução.
A vitória nos 200 metros é um dos principais símbolos desse processo. Quarta colocada no ranking antes da competição, a velocista mostrou na pista que poderia competir em igualdade de condições com as principais adversárias da categoria.
Agora, após uma temporada marcada por desafios, conquistas e amadurecimento, Ana Júlia volta suas atenções para os próximos objetivos. E a confiança adquirida ao longo do ano permite que ela pense cada vez mais alto. “Agora tem o Sul-Americano. E sonhar muito mais alto a partir de tudo isso, brincou a velocista.
Fora das pistas, a jovem também começa a pensar no futuro. Educação Física está entre suas principais opções profissionais, embora ela também considere áreas como fisioterapia e profissões ligadas aos animais.
Enquanto os planos começam a ganhar forma, Ana Júlia segue construindo, passo a passo, uma trajetória que já chama a atenção no atletismo paulista. Do futsal às pistas, passando por competições Sub-23 e Sub-20 até chegar ao protagonismo no Sub-18, a velocista do Sesi-SP mostra que talento, dedicação e experiência podem acelerar ainda mais um caminho que está apenas começando.
Consultoria de Comunicação da FPA
MBraga Comunicação – Marcelo Eduardo Braga – MTB 18.324
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