Cacarejar demais


            *José Renato Nalini

          Há muitos ditados populares para mostrar que o exagero é pernicioso. Pretensão e água benta, cada um toma a que quer. Quem muito acha, um dia se perde. Amor próprio em excesso é prejudicial. A prática evidencia que têm razão os sábios que lapidaram tais frases.

 Isso a propósito da ponderação de Ronaldo Lemos, especialista em Tecnologia da Informação e Comunicação, a respeito da propaganda feita pela Inteligência Artificial - IA no último Super Bowl, evento americano que desperta atenção de todos.

Houve anúncios da Anthropic, OpenAI, Amazon, Google Gemini e de outras empresas que exploram essa ferramenta. Para ele, isso é mau sinal. Pois quando a final do futebol americano foi dominado por anúncios de empresas de tecnologia, nesse ano houve implosão de bolhas especulativas no setor.

 Menciona o Super Bowl das criptomoedas em 2022. Elas viviam momento de glória. Três meses depois, desabaram. Além de uma empresa sair do ar, a FTX, seu fundador foi preso por fraude financeira.

Em 2000, houve o colapso das empresas “ponto.com”. As empresas que anunciaram seus produtos compraram anúncios com o dinheiro dos investidores. Dez meses depois, elas já não existiam.

Para Ronaldo Lemos, “anúncios extravagantes geram desconfiança. Passam a impressão de que as empresas estão desesperadas por aumentar o número de usuários para amortizar o monumental investimento feito até agora no setor e na sua infraestrutura”.

O fenômeno não é só americano, mas também chinês. Na véspera do Ano Novo do Cavalo, o Alibaba chegou a distribuir US$ 420 milhões em dinheiro entre quem entrasse na sua IA chamada QWen. Então, não há diferença entre Ocidente e Oriente. Todos à caça de consumidores. Será que isso prenuncia uma bolha da IA?

 Cedo para vaticinar. Enquanto isso, a IA já nos tomou. A ilusão de suas fantasias fez com que nos entregássemos de forma espontânea e prazerosa. Fazendo eco à música de Jorge Benjor: “Não sei, não. Assim você acaba me conquistando. Não sei, não. Assim eu acabo me entregando...”.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

     

Comentários