*José Renato Nalini
Quando não se planeja, mas se
administra ao sabor dos acontecimentos, até os êxitos podem representar
frustração. É o que acontece com a energia limpa, setor em que o Brasil poderia
surpreender o planeta e, além de dar o exemplo, exportar soluções.
A iniciativa privada acreditou no
governo e investiu em energia solar e eólica. Foi tão bem-sucedida, que hoje
existe excesso de produção. Mas não se cuidou do armazenamento. Então a
experiência não surte os efeitos desejados. Mais um plano sem planejamento. Não
se cuidou de dotar o país de infraestrutura capaz de armazenar essa energia
limpa. É claro que há boicote da indústria petrolífera, que não quer perder o
monopólio do fornecimento de gasolina, diesel e gás fóssil.
Todas as pastas envolvidas não
conseguiram oferecer uma resposta plausível para a questão. Gerar energia limpa
deu certo. O que não deu certo foi oferecer ao Brasil a possibilidade de uso
dela. Mais um plano furado, que se propunha a enfrentar o inevitável fim do uso
dos combustíveis fósseis, venenosos e geradores do efeito-estufa, que vai
acabar matando toda espécie viva do planeta. Em especial e, principalmente, a
humana.
O Brasil da burocracia é o
repositório de inúmeros Planos. Existe plano para tudo. Mas são aquelas
propostas ocas, vazias e estéreis. Apenas diretrizes gerais, diagnóstico mais
do que conhecido, sem indicar metas, métricas nem responsabilidades. Qual a
obrigação de cada setor para que essa planificação deixe o etéreo e a gaveta
reservada aos discursos e passe a valer, a funcionar e a produzir resultados?
Se houvera para valer a vontade
política de abandonar o veneno, bastaria onerar o produtor de petróleo,
sancionar quem está contribuindo para tornar a atmosfera a cada dia mais
nociva. Simultaneamente, incentivar quem produz energia limpa. Estimular a
criatividade, premiar startups que consigam simplificar os processos de
fabricação da energia limpa. Investir em pesquisa, não permitir que nossos
cérebros tomem o rumo de Universidades estrangeiras, cujos governos reconhecem
a mais valia dos avanços científicos e não perdem tempo com política rasteira.
É triste constatar que no Brasil,
até o sucesso vira fracasso, por falta de políticas públicas consistentes e
para valer, sem o envolvimento na fantasia da política partidária profissional
e parcialíssima. Ou seja: só se atendem os interesses personalistas e
corporativistas, sem pensar no bem comum e no desenvolvimento da Nação.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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