Agosto Lilás: Cine Debate, um evento sobre relações familiares e prevenção à violência contra a mulher promovido pelo CRAS de Jales

 

Em referência ao Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, o Centro de Referência de Assistência Social –  CRAS Jales, promoveu, no Teatro Municipal Ismael Tonholi, anexo ao Centro Cultural Dr. Edilio Ridolfo, um Cine Debate com a exibição do curta-metragem “Acorda, Raimundo... Acorda!”.

A atividade teve como proposta ampliar o diálogo sobre as relações familiares e sociais, estimulando reflexões sobre comportamentos e papéis aprendidos e reproduzidos ao longo das gerações, especialmente quanto à divisão das responsabilidades dentro da família e à forma como essas construções podem se relacionar com situações de desigualdade e violência doméstica.

Após a exibição do curta, as participantes foram convidadas a refletir e dialogar sobre situações presentes no cotidiano, fortalecendo o espaço coletivo como instrumento de convivência, escuta, orientação e proteção.

A coordenadora Nilcemara Veroneis Rossini, do CRAS,  destacou a importância do trabalho desenvolvido por meio dos grupos. “O diálogo através dos grupos entre mulheres ocorre para estimular o sentimento de pertencimento social, servindo para refletir, dialogar e compartilhar sobre situações que fazem parte da vida cotidiana e lembrar as mulheres que elas não estão sozinhas”, explicou.

Polícia Militar apresentou rede de proteção e aplicativo Mulher Segura

A programação contou ainda com a participação da policial militar Rafaela Andrade de Lima,que apresentou os diferentes tipos de violência doméstica e familiar contra a mulher e abordou o papel da Polícia Militar dentro da rede de proteção.

Durante sua participação, a policial também apresentou o SP Mulher Segura, aplicativo gratuito desenvolvido para ampliar o acesso das mulheres a informações e serviços de proteção em situações de risco ou violência doméstica.

Entre as funcionalidades apresentadas estão o acesso ao registro de Boletim de Ocorrência pela internet, informações sobre a rede de proteção, localização de serviços de apoio e o botão de pânico destinado às mulheres que possuem medida protetiva ativa. A ferramenta busca proporcionar maior agilidade, segurança e orientação às mulheres que necessitam de auxílio.

Para o secretário municipal Reginaldo Viota, de Desenvolvimento Social,  enfrentar a violência contra a mulher também exige trabalhar suas raízes culturais e fortalecer espaços permanentes de diálogo e informação. “Quando promovemos uma ação como esta, não estamos falando apenas sobre violência depois que ela acontece. Estamos trabalhando prevenção, consciência e mudança de comportamento. Precisamos refletir sobre aquilo que aprendemos dentro de casa, sobre os papéis que historicamente foram atribuídos a homens e mulheres e, principalmente, compreender que nenhuma forma de violência pode ser naturalizada. O Agosto Lilás nos chama à responsabilidade coletiva: poder público, família e sociedade precisam caminhar juntos para que cada mulher saiba que pode procurar ajuda, que será acolhida e, sobretudo, que não está sozinha”, afirmou o secretário.

Informação também é proteção

As ações realizadas durante o Agosto Lilás integram o trabalho permanente de fortalecimento da rede de proteção às mulheres e de prevenção às diferentes formas de violência.

Por meio dos serviços socioassistenciais, grupos, campanhas e atividades educativas, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social busca ampliar o acesso à informação, fortalecer vínculos e contribuir para que mulheres reconheçam situações de violência, conheçam seus direitos e saibam onde buscar apoio.

Mais do que uma campanha realizada durante o mês de agosto, o enfrentamento à violência contra a mulher exige compromisso durante todo o ano. Informar é prevenir. Acolher é proteger. E romper o silêncio pode ser o primeiro passo para transformar uma história.

Oevento contou com o apoio da Prefeitura de Jales, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. 


“Acorda, Raimundo… Acorda!”

Dirigido por Alfredo Alves e lançado em 1990, o curta-metragem  “Acorda, Raimundo… Acorda!”  é, até hoje, utilizado em debates sobre a questão de gênero.

Na intenção de trabalhar com os alunos a desigualdade entre o homem e a mulher, a partir dos estereótipos do que é feminino e do que é masculino, o filme aparece como um interessante recurso didático, pois aborda a questão a partir da inversão de papéis que representam o homem e a mulher em nossa sociedade: na vida de um casal, o homem assume as tarefas e comportamentos que supostamente são da mulher e vice-versa.

O curta é de fácil acesso e possui aproximadamente 15 minutos, o que torna possível reproduzi-lo em sala e posteriormente debatê-lo no período de uma aula. Como meio de aproximação dos alunos aos debates sobre gênero, auxilia na quebra de paradigmas que permeiam a questão, pois ilustra bem as desigualdades existentes entre os “papéis” de cada sexo e, a partir disso, pode instigar uma conexão com o contexto visto e vivido cotidianamente pelos jovens.

Apesar de desatualizado, no sentido de que não expõe uma relação majoritária do contexto atual,  o filme se torna interessante, pois abre espaço para uma perspectiva histórica do tema, podendo ser levantado em sala de aula questões sobre as mudanças que se deram tanto nas relações sociais (homens – mulheres), quanto na constituição das famílias.

Além de levantar inúmeras questões que podem ser debatidas com os alunos, o filme tem como enfoque mostrar que não é simplesmente a inversão dos papéis do homem e da mulher que resolveria o problema da desigualdade. Uma possível interpretação e que pode ser desenvolvida em sala é que, diante do filme, podemos colocar as desigualdades como sendo construídas em cima da diferença biológica do sexo.

















Comentários