Quem falha é a sociedade

 


            *José Renato Nalini

            Editorial do Estadão de 8 de fevereiro apontava a falha da escola no debate ambiental. Isso porque o cataclismo climático não é tema periférico, mas central. Tem de preocupar a todos, indistintamente, porque os efeitos dos fenômenos extremos recairão democraticamente: ninguém está incólume.

            As críticas ao sistema educacional brasileiro são inúmeras e não têm surtido respostas que prenunciem perspectiva de mudança. Insiste-se na transmissão de dados e no desenvolvimento da capacidade mnemônica dos educandos. Como se a obtenção de dados não fosse a característica desta nossa era. A disseminação do mundo web, das redes sociais, a proliferação dos smartphones torna tudo acessível e disponível, até para os jejunos em informática.

            Não era necessário divulgar pesquisa levada a efeito por agentes confiáveis para concluir que temas ambientais e de sustentabilidade são os menos valorizados pelos próprios alunos. Apenas um em cada dez alunos menciona questões ambientais como relevantes para sua formação.

            Isso explica o descaso da população em geral para com a estratégia da arborização, a melhor fórmula para reequilibrar o descompassado regime climático e combater as ilhas de calor, que matam mais do que as ondas de frio. Também a contínua e crescente produção de lixo, que inunda todos os espaços e que vai tornando o território brasileiro num grande lixão. Enquanto isso, a educação chinesa já acabou com os resíduos sólidos e faz com que hoje se escavem aterros sanitários já encerrados, para a eficiente produção de energia elétrica das URES – Usinas de Regeneração Energética.

            Quem tem de dar o tom à escola é a família. Esta se descuida do processo de formação cidadã que a educação tem de propiciar. Não se interessa por aprimorar a busca de conhecimento, que se faz mediante leitura e pesquisa. Contenta-se com o fato de que suas crias tenham transporte e alimentação. Não interessa perscrutar se elas são alfabetizadas, se conseguem extrair alguma compreensível mensagem do conteúdo das aulas. Se crescem criticamente, se adquirem habilidades socioemocionais. Se ficam mais humanas, em síntese, mediante o cultivo de competências como empatia, comunicação, sensibilidade, compaixão, facilidade de dialogar civilizadamente.

            Se a escola falha, é porque a sociedade não se interessa por ela.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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