por José Renato Nalini
As gerações passadas foram imprevidentes e não perceberam – ou não quiseram perceber – que o exaurimento dos recursos naturais da Terra significa um suicídio coletivo. Na verdade, um ecocídio, ou seja, a matança de tudo o que é vivo sobre a face da Terra.
Para muitos, já ultrapassamos o
ponto de inflexão. Ou seja: estamos condenados a desaparecer, já que fomos
inquilinos muito cruéis da nossa Casa Comum. Para outros, ainda há esperança. E
pensando nisso, em 2024 foi lançado um Fundo de Ação Climática da Juventude,
pela Bloomberg Philanthropies em parceria com a Universidade Johns Hopkins e
das redes de cidade C40 e CGLU.
O propósito desse Fundo é apoiar
cidades ao redor do mundo a financiar e implementar projetos climáticos
desenvolvidos por jovens. O ideal é a faixa etária dos 15 aos 24 anos, pois
essa geração é a que mais sofrerá os efeitos inclementes da resposta que a
natureza ferida oferece à humanidade perversa.
A sobrevivência da humanidade – e de
toda espécie de vida na Terra – depende do protagonismo juvenil na
implementação de soluções locais para a crise climática.
É na cidade que as pessoas nascem,
vivem e morrem. Portanto, é na cidade que as soluções locais devem ser criadas,
imaginadas, postas em prática e disseminadas.
O Fundo de Ação Climática da
Juventude oferece 50 mil dólares e assistência técnica para promover
competições de inovação aberta e mobilizar os jovens para projetar, desenvolver
e implementar soluções que atendam às necessidades locais urgentes alinhadas às
metas climáticas da cidade.
Os municípios que implementarem os
50 mil dólares iniciais dentro de um ano, serão elegíveis para receber mais 50
mil dólares para apoiar mais projetos liderados por jovens.
É uma boa notícia e poderia ser
replicada em cada município, a partir do conglomerado de empresas que ali
exploram suas atividades e, portanto, auferem lucro que deve, ao menos em
parte, ser devolvido à comunidade que as sustenta.
O mundo precisa de boas ideias. Sem
elas, seremos condenados à extinção, o que não estava no sonho de qualquer
pessoa, por mais alienada que ela fosse. Vamos incentivar a juventude a pensar
em alternativas à catástrofe derradeira?
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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