*José Renato Nalini
Mesmo diante dos descalabros
ininterruptos, no Brasil e fora dele, muita gente ainda pensa que Apocalipse é
uma ficção escatológica. Na verdade, inúmeros sinais dessa etapa que consta dos
Evangelhos estão sob nossas vistas e não nos damos conta.
O jovem iraniano Kaveh Akbar, tão
atormentado com o tema da morte e que escreveu um livro chamado “Mártir”, logo
se tornando bestseller festejado no mundo inteiro, observa a frágil condição
humana diante de um mundo em frangalhos. “Há apocalipses convergindo na Terra.
Estamos à beira de um colapso ecológico. Há genocídios, o crescimento do
fascismo global, a proliferação nuclear. Com a magnitude desses problemas,
qualquer indivíduo pode sentir que precisa de uma solução grandiosa”.
Solução grandiosa dependeria de líderes
globais mais interessados em reforçar o seu poderio, em vencer o ranking da
corrida armamentista, em conquistar territórios e povos, como se a humanidade
já não tivesse enfrentado uma invasão dos bárbaros.
Por isso, a reação possível ao
Apocalipse tem de ser íntima. É uma revolução interior. É fazer aquilo de que
se é capaz, no âmbito da individualidade. Os africanos conhecem muito bem a
potência de pequenos gestos, praticados até anonimamente, mas direcionados à
mesma finalidade.
E como Kaveh Akbar começou a
enunciação apocalíptica exatamente na questão climática, é urgente recordar
cada ser humano de que ele possui uma chave poderosa de inversão do rumo
catastrófico para o qual a sociedade humana caminha. Se a cada ano as
temperaturas aumentam, o remédio mais eficaz de reduzir as altas temperaturas é
plantar árvores. As árvores são milagrosas artífices de um clima favorável à
vida humana e à de todos os viventes que nos fazem felizes. A fabulosa fauna
silvestre deste país campeão da biodiversidade.
Outro gesto individual que produz efeitos mágicos é o descarte correto daquilo que chamávamos lixo e hoje é resíduo sólido. Se consumirmos menos, desperdiçarmos menos e descartarmos corretamente aquilo que descartamos, a Terra talvez possa deixar de ser esta esfera coberta de imundície, que reduz nossa qualidade de vida e compromete a saúde humana e a saúde ecológica. Adiemos o Apocalipse para depois de amanhã. Entre o hoje e o amanhã, façamos alguma coisa em favor da Terra.
*José
Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e
Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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