São João: dos festejos ao significado



* Verônica Suênia

São João é mais que uma simples data, mais que um sentimento, é uma expressão cheia de significados e lembranças. Mesmo quando consigo atualizar essa memória, é sempre uma “saudade”. São João é um sentimento permeado de lembranças, emoções, expectativas e muita alegria. É uma festa, que vai além do momento!

 

Na região nordeste do Brasil, isso se evidencia de uma maneira peculiar, embora haja diferenças e características próprias entre os estados nordestinos e até entre cidades do mesmo estado. Mas, no geral, depois que passa da Bahia, a subida no mapa vai só aumentando os festejos e as celebrações juninas que são vividas durante todo o mês de junho.

 

Em alguns lugares, antes mesmo de iniciar o feliz mês do São João, já começam os ensaios das quadrilhas e a preparação do tema que será apresentado em cada uma, com uma história, um roteiro a ser encenado e dançado no ritmo de xote, xaxado e baião. São os diferentes estilos do tradicional forró, seja pé de serra ou estilizado. A preparação das roupas, tanto os trajes juninos da quadrilha, como as roupas novas para se usar nas festas juninas é algo muito comum, que movimenta a economia local, esquentando o comércio. Outras áreas, além de vestimentas, também ganham força, como a de comidas típicas. Ah, o cheiro de milho presente em tantas receitas é contagiante nesse período! Fazer pamonha para o São João é uma celebração coletiva e familiar. Enquanto um tira a palha da espiga e os fiapos, outro corta os grãos, outro passa no moinho e assim por diante, é toda uma preparação e uma empreitada vivida juntos, que une desde crianças a idosos. É canjica, pamonha, curau, caldo, cuscuz e as espigas cozidas ou assadas na beira da fogueira.

A fogueira é outro elemento cultural indispensável e marcante, pois é necessário a escolha do local onde será acesa na rua, a coleta da areia para colocar embaixo da madeira, definir qual o tamanho e assim termos aquela fumaça que dá o clima e o fogo que embeleza toda cidade.


Há uma tradição da Igreja que diz que, como Zacarias e Isabel moravam numa região montanhosa - conforme narra o evangelho (Lc1,39) -, e sem outras formas de comunicação, acender a fogueira no alto teria sido um sinal do nascimento de João Batista. Daí temos a origem desse costume que é atualizado até os dias de hoje por nós nordestinos.

Estar em volta da fogueira, vai muito além do que se imagina, é família reunida, é encontro de amigos, é brincadeira de criança. E os fogos de artifício brilham no céu, de uma maneira que jamais será esquecida. Lembrar desses momentos, traz alegria, sentimentos bons e uma saudade infinita. Lembranças das avós que não estão mais entre nós, daquela roupa que foi tão esperada para ser usada, porque o São João é só uma vez no ano e se diferencia de todas as festas. E não porque é só um momento, nem somente um dia. É um contexto contagiante.

 

As vivências festivas vão desde o ambiente da família, até a rua, escola, os ambientes de trabalho, em todos os grupos que se confraternizam. Não podemos esquecer que até liturgicamente, além de Jesus, o único santo que a Igreja celebra o nascimento é João, e aí a gente entende o tamanho da sua grandeza dentro da nossa fé católica.

Então é um “natal junino” mesmo, porque celebramos aquele que foi o precursor do próprio Cristo, nosso Senhor e Deus.

Feliz São João!

* Verônica Suênia é jornalista e missionária da Comunidade Canção Nova

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