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Participantes do Congresso Mundial de Médicos Católicos em Brasília podem lucrar indulgência plenária

Associação de Médicos Católicos de Brasília
Membros da Associação de Médicos Católicos de Brasília durante a celebração da festa de São Lucas, padroeiro dos médicos, em 2025. | Instagram/Médicos Católicos Brasília

 

A Penitenciaria Apostólica da Santa Sé concedeu indulgência plenária aos participantes do XXVII Congresso Mundial de Médicos Católicos (FIAMC World Congress) e VI Congresso Brasileiro de Médicos Católicos. O evento tem como tema Médicos Católicos entre as Revoluções Industrial e Digital, e acontece entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, na Casa Dom Luciano, em Brasília (DF).

O papa Leão XIV também “enviou sua bênção apostólica aos organizadores e participantes” do evento, disse a Associação Brasileira de Médicos Católicos em suas redes sociais.

O papa Leão XIV “manifestou sua satisfação pela realização deste importante encontro, destacando a missão dos profissionais de saúde como “guardiões e servidores da vida humana” e recordando a importância de unir excelência profissional, proximidade humana e abertura à ação de Deus no cuidado aos enfermos”, disse a Associação Brasileira de Médicos Católicos.

O secretário geral da Associação Brasileira de Médicos Católicos, Victor Wichrowski, destacou a importância da concessão da indulgência plenária aos participantes do congresso.

“Para nós é uma grande alegria, uma grande honra de ter essa resposta vindo diretamente do Vaticano, especialmente e nominalmente para nossa atividade científica organizada por leigos, que é o Congresso Mundial dos Médicos Católicos”, disse Wichrowski, que é também presidente da Associação de Médicos Católicos de Brasília, à ACI Digital.

Segundo o médico, para poder receber a indulgência plenária, os participantes precisam “atender as recomendações de indulgência plenária gerais”.

A “indulgência”, segundo as normas da Constituição Apostólica Indulgentiarum doctrina do papa são Paulo VI, sobre a doutrina das indulgências, “é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos santos”.

Ela “é parcial ou plenária, conforme libera parcial ou totalmente da pena devida pelos pecados” e podem ser lucradas “para si mesmo” ou “aos defuntos por modo de sufrágio”.

“Se os fiéis transferem as indulgências a favor dos defuntos, exercem então de maneira excelente a caridade e, elevando seu pensamento para as realidades celestes, tratam as coisas terrestres do modo mais correto”, diz a Constituição Apostólica Indulgentiarum doctrina.

Segundo a Indulgentiarum doctrina, “a indulgência plenária só pode ser adquirida uma vez por dia, ressalvada a prescrição da norma 18 para os que se acham "in articulo mortis". Mas pode adquirir-se a indulgência parcial várias vezes no mesmo dia, a menos que expressamente seja indicada outra disposição”.

“Para adquirir a indulgência plenária é preciso fazer uma obra enriquecida de indulgência e preencher as seguintes três condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do sumo pontífice”, pontua a Constituição Apostólica. “Requer-se além disso rejeitar todo o apego ao pecado, qualquer que seja, mesmo venial. Se falta essa plena disposição ou não se cumprem as supramencionadas condições, ficando intacta a prescrição da norma 11 para os que se acham "impedidos", a indulgência será apenas parcial”.

Ainda segundo as normas da Igreja, “as três condições exigidas” para lucrar a indulgência plenária “podem ser preenchidas em dias diversos, antes ou após a realização da obra prescrita; mas convém que a comunhão e a oração nas intenções” do papa “se façam no mesmo dia em que se faz a obra. A norma também destaca que, “a condição da oração nas intenções” do papa “pode ser plenamente cumprida recitando em suas intenções um Pai-nosso e Ave-Maria; mas é facultado a todos os fiéis que recitarem qualquer outra oração conforme sua piedade e devoção” para com ele.

O Congresso Mundial dos Médicos Católicos é um evento “para os profissionais de medicina se encontrarem e debaterem sobre os temas da atualidade, mantendo um vínculo entre a ciência e a fé, tendo uma visão integral da sua própria espiritualidade e também a dos pacientes, buscando colaborar com o aprimoramento dos cuidados desde o início ao final da vida de modo ético e em consonância com as diretrizes da Igreja”, disse o presidente da Associação de Médicos Católicos de Brasília.

“O principal objetivo” do encontro, segundo Victor Wichrowski, “é aprimorar o cuidado, a construção do conhecimento, o desenvolvimento e a reflexão sobre a prática e a ética dentro da medicina à luz da fé católica” e “eventualmente poder colaborar com o esclarecimento de alguns pontos para a própria Igreja”.

O evento “acontece de quatro em quatro anos” em um país diferente, segundo Wichrowski. Ele destacou que “a realização do Congresso em Brasília foi uma bem grande benção para o Brasil e a América Latina”.

“A última edição tinha sido em Roma e desde então, se abriu o processo da eleição da nova sede. A candidatura veio por meio da disposição do Brasil em colaborar com a Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos, e assim, poder sediar e ser hóspede para esse grande evento que reúne pessoas de referência de todo mundo, dando destaque também a nossa realidade local, podendo colaborar com a discussão, incluindo aspectos sociais e também nessa edição, com foco na relação da medicina com a inteligência artificial”.

Nesta edição, o congresso é voltado exclusivamente para médicos e estudantes de medicina. Segundo Victor Wichrowski, a limitação se deve principalmente à capacidade do local do evento. Ele manifestou, porém, a esperança de que futuras edições possam ampliar a participação e abrir mais espaço para o debate com profissionais de outras áreas da saúde. Wichrowski também incentivou a criação e o fortalecimento de associações católicas em diferentes campos profissionais, para promover a reflexão sobre a prática profissional à luz da fé.

Segundo Victor Wichrowski, o foco do congresso “nessa edição”, “são os médicos e estudantes de medicina”, devido “uma limitação de espaço” que restringiu a acomodação de “profissionais de outras áreas” da saúde.

“Porém, temos a esperança de, em próximas edições, conseguirmos abrir mais ainda espaço para debate, além claro, de dar o convite de que cada área da saúde ou área profissional possa promulgar associações católicas para discutir e refletir essa prática profissional em seus campos”.

Inteligência artificial na medicina
O tema central do congresso em Brasília será o uso da inteligência artificial na medicina. Segundo Victor, a escolha da temática foca “especialmente na sensibilidade” das reflexões que o papa Leão XIV tem feito sobre o uso da inteligência artificial.

“Com o papa Leão XIII tivemos a Rerum Novarum como uma referência sobre a reflexão de um mundo que passava pela Revolução Industrial”, disse Wichrowski. “Agora, que nós estamos na Revolução Digital em consonância com as propostas de reflexão e inclusive” com “a última encíclica promulgada” por Leão XIV, “queremos refletir sobre o uso da inteligência artificial nos diferentes modelos de cuidado na medicina”.

“Os congressistas” do evento “vêm de diferentes partes do mundo” e “em geral”, eles “são especialistas de destaque na área de pesquisa e prática de diferentes áreas, especificamente na parte de bioética, na área de inteligência artificial e outras questões com doutrina social da Igreja e ramos específicos da medicina”, disse o presidente da Associação de Médicos Católicos de Brasília.

Um dos pregadores é o “representante” da Santa Sé, segundo Wichrowski, o presidente da Pontifícia Academia para Vida, monsenhor Renzo Pegoraro. “Contamos também com a participação de religiosos, cardeais e pesquisadores”, acrescentou.

O XXVII Congresso Mundial de Médicos Católicos inicia no dia 30 de julho com uma missa na paróquia Nossa Senhora da Esperança, na Asa Norte, às 19h, celebrada pelo arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa. O evento encerra no dia 1º de agosto com uma missa de envio, na catedral de Brasília, às 19h, celebrada pelo bispo auxiliar de Brasília, dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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