Uso de áreas comuns cresce em condomínios e muda dinâmica entre moradores

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Mais eventos e iniciativas coletivas transformam prédios em espaços de convivência e ampliam desafios de gestão


Foto: horta comunitária em condomínio de São Paulo

 

Em um único fim de semana, um mesmo condomínio em São Paulo pode concentrar mais de duas festas nas áreas comuns. O que até pouco tempo era exceção começa a se tornar padrão em parte dos prédios da capital.

Levantamento da administradora Lello mostra que, em 2025, os condomínios com áreas comuns registraram, em média, 2,3 eventos por final de semana. Em 2024, quando o indicador passou a ser monitorado, a média era de 1,7.
 

O avanço no uso dos espaços coletivos reflete uma mudança mais profunda no comportamento urbano. Desde a pandemia, o lar deixou de ser apenas um ponto de passagem e passou a concentrar trabalho, lazer e convivência. Como efeito, houve uma reaproximação entre vizinhos e uma redescoberta das áreas comuns.
 

“O isolamento acabou estimulando o senso de comunidade. As pessoas passaram a olhar mais para o entorno imediato e a valorizar conexões locais”, afirma Angélica Arbex, diretora de Marketing e Estratégia da Lello Condomínios.
 

A transformação não se limita aos edifícios. O Lab da Vida em Comum, estrutura de inteligência da Lello dedicada ao estudo da vida em condomínio, tem ampliado sua atuação ao consolidar dados, mapear tendências e desenvolver soluções aplicadas à gestão e ao cotidiano dos empreendimentos.
 

Na prática, isso significa que a vida urbana passa a girar em torno do que é possível fazer a pé a partir de casa. Em bairros como Pinheiros, Vila Ipojuca, Santa Cecília, Moema e Butantã, iniciativas que conectam moradores, condomínios vizinhos e comércio local têm estimulado novas formas de convivência, em linha com a lógica da chamada “cidade de 15 minutos”, que valoriza o acesso a serviços, lazer e trabalho no entorno imediato.
 

Ao mesmo tempo, cresce o uso dos próprios edifícios como espaços de bem-estar. Projetos de hortas, compostagem, reciclagem e atividades coletivas passam a integrar a rotina dos condomínios.
 

Nos últimos quatro anos, 964 condomínios participaram de ações ligadas ao laboratório de inovação da Lello enquanto 642 foram atendidos por programas estruturados de sustentabilidade e 621 integraram projetos voltados à vida em comunidade.
 

Parcerias com empresas também ampliam esse movimento. Em um projeto com a HP, foram instalados 61 pontos de coleta de lixo eletrônico em condomínios da capital, interior e litoral paulista, com a arrecadação de 4,5 toneladas de resíduos em um ano.
 

O avanço dessas iniciativas acompanha uma mudança de prioridades. Em um cotidiano mais digital e acelerado, cresce a valorização do tempo, da convivência presencial e de atividades ligadas à saúde física e mental.
 

O movimento, no entanto, não ocorre sem desafios. O uso mais intenso das áreas comuns tem ampliado a necessidade de mediação de conflitos, revisão de regras e adaptação da gestão condominial a uma rotina mais ativa.
 

Para especialistas em urbanismo e comportamento urbano, o principal desafio dos próximos anos será equilibrar essa demanda crescente por convivência com a preservação da privacidade e do bem-estar individual. “Esse movimento exige um novo olhar sobre a gestão condominial. Não se trata apenas de administrar espaços, mas de entender dinâmicas sociais cada vez mais ativas e diversas”, conclui Arbex.
 

Sobre a Lello Condomínios

A Lello Condomínios é a maior administradora de condomínios do Brasil. Com soluções digitais integradas e um ecossistema de serviços que inclui inteligência artificial, plataformas próprias de gestão e atendimento, além de iniciativas sustentáveis. A Lello atua para simplificar a rotina de síndicos e moradores, tornar a gestão condominial mais ágil, integrada e transparente, e contribuir para o desenvolvimento de cidades mais eficientes e responsáveis.

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