A Anvisa autorizou a nova opção terapêutica, a partir dos 10 anos de idade, para casos de diabetes tipo 2. Maior hospital pediátrico do país esclarece principais dúvidas
Foto: Camila Hampf/Hospital Pequeno Príncipe |
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou a indicação da tirzepatida para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos. O medicamento, já utilizado em adultos, passa agora a ampliar suas possibilidades terapêuticas em pacientes jovens com controle glicêmico inadequado. Por isso, o Hospital Pequeno Príncipe, que é o maior e mais completo hospital pediátrico do país, esclarece as principais dúvidas sobre o assunto.
Essa atualização ocorre em um cenário de crescimento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes, fortemente associado ao aumento da obesidade infantil e ao sedentarismo. Segundo um estudo publicado em 2019 na revista Pediatric Diabetes, estima-se que cerca de 213 mil adolescentes vivem com a condição no Brasil, enquanto quase 1,5 milhão apresentam pré-diabetes.
A aprovação da tirzepatida em faixa etária pediátrica foi baseada em estudos clínicos de fase 3, como o SURPASS-PEDS, que avaliou 99 crianças e adolescentes. Os principais resultados incluíram a redução média na hemoglobina glicada, peso corporal e melhora significativa do controle metabólico global.
O que é a tirzepatida e como ela atua?
A tirzepatida é um medicamento injetável indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, que atua como agonista duplo dos receptores GIP e GLP-1. Isso significa que ela imita a ação de hormônios intestinais envolvidos no controle da glicose, promovendo:
- melhora do controle glicêmico;
- redução da resistência à insulina;
- diminuição do apetite;
- auxílio na perda de peso.
A tirzepatida é indicada para todas as crianças e adolescentes?
Apesar da recente aprovação para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes, a tirzepatida não é considerada a primeira opção de tratamento, segundo a endocrinologista pediátrica Gabriela Kramer, do Hospital Pequeno Príncipe.
“O medicamento pode ser uma opção terapêutica em casos de crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 que não apresentam resposta adequada às terapias tradicionais, especialmente quando há associação com obesidade infantil e índice de massa corporal (IMC) elevado para idade e sexo”, explica a especialista.
A médica reforça que o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes deve ser sempre multiprofissional, envolvendo endocrinologista pediátrico, nutricionista, educador físico e psicólogo. Além disso, o acompanhamento é contínuo e de longo prazo.
Quais são os efeitos colaterais da tirzepatida em crianças e adolescentes?
O uso da tirzepatida exige acompanhamento médico rigoroso, já que o medicamento pode causar efeitos adversos, especialmente no trato gastrointestinal e no metabolismo. Entre os principais estão:
- náuseas e vômitos;
- diarreia ou constipação;
- redução importante do apetite;
- alterações gastrointestinais.
Nesse sentido, em pacientes pediátricos, o cuidado com a alimentação se torna ainda mais importante. “Com a redução do apetite, se não houver alimentação adequada, pode vir perda de nutrientes importantes. Por isso, é fundamental monitorar massa magra, saúde óssea e crescimento. Afinal, a perda de peso rápida e não supervisionada pode estar associada a complicações mais graves, como pancreatite aguda, colecistite e falência hepática.
Tirzepatida x outros tratamentos para diabetes tipo 2: o que muda?
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Em quais casos não se pode tomar tirzepatida?
A tirzepatida é contraindicada para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide (CMT) ou com diagnóstico de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2).
Além disso, o medicamento não deve ser utilizado por pacientes com diabetes tipo 1, gestantes ou lactantes, nem por pessoas com hipersensibilidade a qualquer componente da fórmula.
O uso em crianças e adolescentes deve seguir rigorosamente as indicações aprovadas e sempre com acompanhamento médico especializado.
Qual é o impacto da tirzepatida em longo prazo para crianças e adolescentes?
Por tratar-se de uma terapia relativamente recente em população pediátrica, ainda não há dados conclusivos sobre o uso por tempo prolongado, impactos hormonais e necessidade de manutenção.
Entretanto, diabetes tipo 2 e obesidade são doenças crônicas, o que exige acompanhamento contínuo e tratamento prolongado, mesmo com melhora clínica.
Perguntas frequentes
- Tirzepatida pode ser usada em todas as crianças com diabetes tipo 2?
Não. É indicada apenas em casos selecionados, geralmente após falha de tratamentos iniciais.
- O medicamento substitui dieta e exercício?
Não. Ele é complementar ao estilo de vida saudável.
- Pode ser usado por toda a vida?
Ainda não há evidência definitiva em pediatria sobre uso vitalício.
- Está disponível na rede pública?
Não está incluído em programas públicos de distribuição ampla. O acesso ocorre na rede privada.
Sobre o Pequeno Príncipe
Com sede em Curitiba (PR), o Hospital Pequeno Príncipe é o maior e mais completo hospital pediátrico do Brasil. Há mais de cem anos, a instituição filantrópica e sem fins lucrativos oferece assistência hospitalar humanizada e de alta qualidade a crianças e adolescentes de todo o país. Referência nacional em tratamentos de média e alta complexidade, realiza transplantes de rim, fígado, coração, ossos e medula óssea, além de atuar em 47 especialidades e áreas de assistência em pediatria, com equipes multiprofissionais.
Com 369 leitos, sendo 76 de UTI, o Hospital promove 76% dos atendimentos via Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2025, realizou 258 mil atendimentos ambulatoriais, 20 mil procedimentos cirúrgicos e 308 transplantes. Reconhecido como hospital de ensino desde a década de 1970, já formou mais de dois mil especialistas em diferentes áreas da pediatria.
Junto com a Faculdades Pequeno Príncipe e com o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, compõe o Complexo Pequeno Príncipe. Essa atuação em assistência, ensino e pesquisa — conforme o conceito Children’s Hospital, adotado por grandes centros pediátricos do mundo — tem transformado milhares de vidas anualmente, garantindo-lhe reconhecimento internacional.
Ano passado, o Pequeno Príncipe foi listado como um dos 70 melhores hospitais do mundo que atuam com pediatria (ou que atendem crianças) no ranking elaborado pela revista norte-americana Newsweek, o que o colocou, pelo quinto ano consecutivo, como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da América Latina. Também em 2025, foi reconhecido como Hospital de Excelência pelo Ministério da Saúde por meio de certificação concedida a instituições que cumprem critérios técnicos rigorosos na assistência.
Desde 2019, o Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global e contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), iniciativa proposta pela Organização das Nações Unidas.
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