Especialista Dra. Gabriela Guimarães reúne bases clínicas e biológicas para discutir folato cerebral e desenvolvimento infantil
A decisão recente da Food and Drug Administration (FDA) de aprovar a leucovorina como tratamento para casos específicos de deficiência cerebral de folato associada a variante confirmada no gene FOLR1 recolocou o tema no centro do debate internacional sobre neurodesenvolvimento. A própria agência descreve a condição como um distúrbio neurológico que compromete o transporte de folato para o cérebro e aponta que alguns pacientes podem apresentar atraso do desenvolvimento com características autísticas.
Nesse cenário, a médica e pesquisadora brasileira Gabriela Guimarães lança o livro O Fator Folato: a biologia por trás do neurodesenvolvimento, regressão e cognição, no qual propõe uma discussão mais aprofundada, clínica e biologicamente fundamentada sobre a relação entre folato, cérebro e desenvolvimento.
Para a autora, o avanço regulatório é relevante, mas exige cautela. “Existe hoje um interesse crescente pelo ácido folínico no autismo, mas isso precisa ser acompanhado de seriedade. Não estamos falando de um suplemento inofensivo que possa ser usado por conta própria. Estamos falando de uma via metabólica crucial para o cérebro, de uma intervenção que exige indicação adequada, avaliação individualizada e acompanhamento médico”, afirma.
No livro, Gabriela sustenta que o debate sobre folato vai além da suplementação e envolve possíveis alterações no metabolismo, na utilização e no transporte cerebral do nutriente, com impacto potencial sobre linguagem, cognição, comportamento e regressão do neurodesenvolvimento.
Ela também chama atenção para a circulação de informações simplificadas, especialmente nas redes sociais. “Um dos maiores erros é tratar todas as crianças como se fossem biologicamente iguais. Nem todo paciente tem o mesmo mecanismo de base, nem toda regressão é igual, nem toda resposta ao ácido folínico será a mesma”, diz.
Segundo a médica, quando essas diferenças são ignoradas, há risco de interpretações equivocadas e atrasos em condutas adequadas. “Quando se ignora isso, corre-se o risco de confundir famílias, atrasar condutas adequadas e transformar medicina em tentativa e erro”, afirma.
De acordo com a autora, a resposta ao tratamento pode depender de fatores como dieta, exposição ao ácido fólico sintético, disponibilidade de cofatores e alterações em vias relacionadas ao metabolismo e ao transporte do folato, incluindo genes como MTHFR, MTR e MTRR.
A publicação busca ampliar um debate ainda tratado de forma superficial fora do meio especializado, reunindo bases biológicas e raciocínio clínico sobre o papel do folato no neurodesenvolvimento. “A aprovação do FDA é um marco importante, mas não autoriza o uso indiscriminado. Ao contrário: ela reforça a necessidade de precisão. Quando falamos em cérebro, regressão e desenvolvimento, improviso não é medicina”, conclui.
O livro será lançado essa semana, com eventos em Porto Alegre e São Paulo, e está disponível em plataformas digitais e sob demanda no Brasil.


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