CCInter fortalece proteção social e atua na superação de vulnerabilidades na Terra Indígena Jaraguá


Serviço com atendimento exclusivo à população indígena articula o acesso à saúde, educação e assistência social


Foto: Arquivo CCInter Estrela do Amanhã

 

No território da Terra Indígena Jaraguá, na zona noroeste da cidade de São Paulo, o Centro de Convivência Intergeracional Indígena (CCInter) Estrela do Amanhã atua como espaço estratégico de proteção social básica, contribuindo para a superação de vulnerabilidades e para o fortalecimento cultural da população indígena local.
 

Com capacidade para 120 atendimentos mensais, o equipamento atende moradores das aldeias Tekoas - Ytu, Pyau, Itawera, Itakupé, Itaendy, Yvy Porã e Pindo Mirim e se consolida como ponto de referência para o fortalecimento de vínculos comunitários, promoção da convivência e ampliação do acesso às políticas públicas.
 

A presença indígena em São Paulo remonta à formação histórica do território, marcada por processos de expulsão, invisibilização e violações de direitos ao longo dos séculos. Apesar desse contexto, os povos indígenas seguem resistindo e reafirmando sua territorialidade e seus modos de vida, mantendo vivas suas tradições e formas próprias de organização comunitária.
 

De acordo com o Censo Etnográfico 2024, realizado pela Coordenação da Vigilância Socioassistencial (COVS) da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), a Terra Indígena Jaraguá reúne 733 pessoas distribuídas em sete aldeias, com predominância de população jovem: 47% são crianças e adolescentes, o que evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção e ao desenvolvimento social dessa população. O levantamento também aponta que 182 famílias indígenas são beneficiárias do Programa Bolsa Família e 37 pessoas possuem deficiência.
 

Nesse contexto, o CCInter atua como equipamento da proteção social básica, alinhado ao Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), com atendimento exclusivo à população indígena da Terra Indígena Jaraguá. O serviço atende crianças, jovens, adultos e idosos, promovendo convivência comunitária, atividades culturais e educativas, além de alimentação que valoriza a culinária tradicional e práticas voltadas a identidade cultural.
 

Segundo Douglas Alves, coordenador do serviço pela Organização da Sociedade Civil (OSC) parceira Instituto Estrela do Amanhã, o equipamento foi estruturado para atender diferentes gerações da comunidade, respeitando suas especificidades culturais e fortalecendo os vínculos comunitários.
 

“A gente atende indígenas a partir dos 6 anos de idade até a terceira idade — como o Seu Hortêncio, que tem 107 anos. O objetivo é ofertar proteção social básica por meio de um espaço que acolha a comunidade indígena, respeitando sua cultura e fortalecendo os vínculos”, afirma.
 

Para Marcilene Rodrigues, índigena da aldeia Tekoa Mirim e usuária do serviço, o CCINTER representa um espaço importante de convivência e proteção, especialmente para crianças e jovens, contribuindo para o afastamento de situações de risco e para o fortalecimento de trajetórias mais seguras dentro da comunidade.
 

"Esse espaço é importante pra gente. Vejo muitos jovens que usam coisas que não são boas, e quando eles vêm pra cá, conseguem esquecer o que está acontecendo lá fora. Aqui dentro é diferente. Eles participam das atividades, aprendem, convivem, e isso faz muito bem", relata.
 

Entre as atividades ofertadas estão oficinas de esportes, jogos cooperativos, culinária tradicional, pintura indígena, dança, práticas culturais e momentos de espiritualidade, como visitas à casa de reza e vivências culturais, fortalecendo o pertencimento e a identidade da comunidade.
 

O educador indígena Maércio, da aldeia Pyau, que atua no equipamento, também destaca a importância do espaço para o fortalecimento comunitário.
 

"Aqui é um espaço para todas as idades, com atividades culturais, esportivas e de convivência. A gente vê as pessoas se aproximando, conversando e fortalecendo os vínculos. Isso é muito importante para a comunidade", afirma.
 

Ação integrada no território

Mais do que um espaço de convivência, o CCINTER atua como ponte entre a comunidade indígena e a rede de políticas públicas do território, ampliando o acesso a serviços de saúde, educação, assistência social e segurança alimentar. A partir dessa atuação integrada, o equipamento acompanha demandas da comunidade, promove reuniões periódicas com profissionais de diferentes áreas e constrói estratégias conjuntas para garantir atendimento mais próximo das especificidades culturais e sociais da população indígena.
 

Entre as ações desenvolvidas estão atividades em parceria com a Unidade Básica de Saúde (UBS), orientações sobre acesso aos serviços públicos, articulação com escolas do território para incentivo à permanência escolar e iniciativas voltadas à segurança alimentar e ao cuidado comunitário. De forma complementar, o serviço também realiza grupos de prevenção ao uso de álcool e outras drogas, em parceria com o CAPS Infantojuvenil e a escola estadual, fortalecendo a proteção de crianças e adolescentes.
 

Segundo Douglas Alves, coordenador do serviço, o equipamento desempenha papel fundamental na aproximação da comunidade com as políticas públicas e na garantia de direitos básicos.
 

"A gente faz um trabalho em conjunto. Então, a partir desse CCINTER, a gente vai possibilitando para a comunidade acesso a outras políticas públicas, de outras secretarias, e trazendo a importância de estar na escola, de acessar a UBS e outros serviços essenciais", explica.
 

Douglas também destaca a importância do serviço na garantia da segurança alimentar da comunidade:
 

"O CCINTER é importante na garantia de segurança alimentar porque assegura acesso contínuo a refeições de qualidade, respeitando as necessidades nutricionais e culturais e contribuindo para a superação da vulnerabilidade alimentar no território."
 

Essa atuação intersetorial fortalece a rede de proteção social e consolida o CCINTER como uma ponte entre a comunidade indígena e os serviços públicos, ampliando o acesso a direitos e contribuindo para a redução das vulnerabilidades no território. Com equipe composta majoritariamente por profissionais indígenas, o serviço também fortalece a representatividade e a valorização da cultura local.

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