Autoridades defendem fortalecimento dos fundos públicos em fórum em Brasília

 

Evento promovido pela ABDE e pelo Banco do Brasil segue até esta quinta-feira (2) e reúne especialistas e representantes dos setores público e privado
 

Fundamentais para viabilizar investimentos em áreas estratégicas e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, os fundos públicos e o crédito de longo prazo ganharam centralidade na abertura da 11ª edição do Fórum do Desenvolvimento, nesta quarta-feira (1º), em Brasília. Promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e pelo Banco do Brasil (BB), com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e patrocínio da Cooperação Alemã (GIZ), o encontro que segue até quinta-feira (2) reúne autoridades e especialistas que debatem sobre a modernização dos instrumentos de financiamento em um cenário de crescente desenvolvimento sustentável.
 


Foto: Barbarah Queiroz

A presidenta da ABDE e diretora do BNDES, Maria Fernanda Coelho, iniciou sua fala destacando que o financiamento estruturante continua sendo um dos principais desafios do país. Segundo ela, é necessário avançar na criação de instrumentos mais eficazes e inovadores, capazes de responder às demandas atuais, especialmente diante da intensificação dos eventos climáticos extremos.

 

A dirigente ressaltou que a agenda da entidade está concentrada em dois eixos principais: o fortalecimento das cidades sustentáveis — com foco em mobilidade, saneamento e moradia — e o aprimoramento dos fundos públicos como instrumentos estratégicos de desenvolvimento. “Esses fundos permitem maior transparência, focalização e acompanhamento social, sendo essenciais para dar respostas rápidas a situações críticas, como as enchentes no Rio Grande do Sul”, afirmou.

 

A presidenta também anunciou uma série de iniciativas voltadas ao fortalecimento do Sistema Nacional de Fomento (SNF). Entre elas, o Prêmio ABDE-BID 2026, realizado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que chega à sua 12ª edição com o objetivo de estimular estudos e aproximar academia, setor público e iniciativa privada. Outro destaque foi o lançamento do Selo FGO, voltado a incentivar boas práticas, ampliar a transparência e qualificar a aplicação dos recursos relacionado ao Fundo de Garantia de Operações (FGO).
 

Foto: Barbarah Queiroz


 

Maria Fernanda anunciou ainda a criação do Observatório do Crédito para o Desenvolvimento, plataforma que pretende consolidar dados e análises sobre o uso do crédito no país, ampliando a compreensão dos impactos desses recursos na economia e na vida das famílias, das empresas e das cidades brasileiras.

 

O vice-presidente de Negócios Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, reforçou que o cenário global de incertezas — marcado por conflitos geopolíticos e pela emergência climática — exige uma reorientação estratégica dos instrumentos de financiamento.

 

Ele destacou que o Sistema Nacional de Fomento (SNF) reúne atualmente 35 instituições e responde por cerca de 70% do crédito para investimento no país, modelo que foi fundamental para a consolidação da economia nacional. “É essencial manter e aprimorar esse sistema, direcionando recursos também para novas agendas, como a transição climática”, afirmou.

 

Sasseron enfatizou ainda o papel histórico dos fundos públicos e híbridos no desenvolvimento do país, citando instrumentos como o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Segundo ele, iniciativas como o Fundo de Garantia de Operações (FGO), operado pelo Banco do Brasil, seguem sendo fundamentais para ampliar o acesso ao crédito, especialmente para micro e pequenas empresas. O executivo também mencionou a criação de um selo de reconhecimento para incentivar boas práticas na utilização desses recursos.

 

Para o presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, o Brasil vive um momento de fortalecimento do investimento produtivo e de avanço na modernização tecnológica. Ele anunciou a a capitalização do seu capital social da instituição, que permitirá acessar cerca de R$ 25 bilhões entre 2026 e 2028, reforçando a agenda de ciência, tecnologia e inovação nacional.

 

Segundo Elias, programas como o Inovacred serão expandidos, com aumento do limite de crédito e foco em micro e pequenas empresas, além de uma estratégia voltada à redução das desigualdades regionais. “Estamos ampliando a articulação com bancos públicos para fortalecer cadeias produtivas e promover um desenvolvimento mais equilibrado”, afirmou.

 

O dirigente também destacou ainda a destinação de R$ 100 milhões para projetos voltados à eficiência energética e produtividade, além da mobilização de cerca de R$ 71 bilhões nos últimos anos para iniciativas de inovação — um avanço significativo em relação a períodos anteriores, mas que ainda exige continuidade e coordenação.

 

A dimensão internacional do debate foi reforçada pelo diretor da GIZ Brasil, Jochen Quinten, que destacou a importância da cooperação global diante de desafios como mudanças climáticas, desigualdade e tensões geopolíticas.

 

Segundo ele, o Brasil ocupa posição estratégica na transição ecológica e já demonstra, na prática, como fundos públicos podem impulsionar transformações estruturais, especialmente em áreas como proteção ambiental e inclusão social. Quinten defendeu o avanço de modelos como o blended finance, que combinam recursos públicos e privados para ampliar o impacto dos investimentos.


Na mesma linha, a representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Annette Kilmer, destacou a importância de fortalecer ambientes de experimentação e inovação no financiamento ao desenvolvimento. Segundo ela, é fundamental adotar abordagens baseadas em dados, com monitoramento contínuo e capacidade de adaptação.

 

“Não podemos esperar por modelos perfeitos. Precisamos testar, aprender e ajustar, especialmente diante de desafios como a mudança climática”, afirmou. Kilmer também ressaltou iniciativas em parceria com a ABDE, a CVM e a GIZ voltadas à criação de um laboratório para desenvolvimento de soluções financeiras.


O Fórum do Desenvolvimento segue até esta quinta-feira (2), na Arena do Banco do Brasil, em Brasília, reunindo autoridades, especialistas e representantes do setor público e privado. A programação pode ser acompanhada ao vivo pelo canal oficial da Associação Brasileira de Desenvolvimento no YouTube (https://www.youtube.com/@ABDEoficial).

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