Projeto Sabores do Tempo promove oficinas gratuitas em Perus sobre Gastronomia dos Afetos




Encontros na Comunidade Cultural Quilombaque discutem soberania alimentar, racismo alimentar e saberes culinários como ferramenta de fortalecimento comunitário

Coletiva Tempero de Oyá promove encontros que exaltam os saberes e a culinária da quebrada

No dia 21 de março de 2026 (sábado), às 15h, com entrada gratuita, a Coletiva Tempero de Oyá (@temperode_oya) promove mais uma atividade do projeto Sabores do Tempo – Conexões Entre o Saber e o Fazer, na Comunidade Cultural Quilombaque, em Perus, na Zona Noroeste de São Paulo. A programação integra um ciclo de rodas de conversa com tradução em LIBRAS, que partem da ideia de que fortalecer saberes culinários é também fortalecer futuros possíveis nas periferias.

O segundo encontro do ciclo terá como tema “Soberania alimentar: plantar e colher” e será conduzido por Bruna Macedo, bióloga, mestre e doutoranda em Saúde pela Faculdade de Medicina da USP. Professora na educação básica e em cursinho popular na própria Quilombaque, Bruna possui experiência em projetos de hortas comunitárias voltados à soberania alimentar e na formação de Agentes Populares em Saúde, em parceria com a Fiocruz e o Ministério da Saúde.

Em 18 de abril de 2026 (sábado), às 15h, acontece a roda de conversa “Racismo alimentar”, conduzida por Dani Souza, chef de cozinha e sommelière de cerveja. Dani é Chef Executiva formada pelo Senac e Beer Expert pelo Science of Beer Institute. Desde 2018, produz a própria cerveja por meio da marca Omi Odara, criada a partir da ausência de representatividade afrocentrada no mercado cervejeiro. Seus rótulos resgatam a ancestralidade e homenageiam mulheres que vieram antes, conectando tradição e futuro. Atualmente, também atua com harmonizações, cardápios autorais, eventos e palestras.

Ao todo, o projeto prevê três rodas de conversa com reflexões sobre saúde, autonomia alimentar e os impactos do racismo estrutural no acesso à terra e à comida de qualidade. A proposta é criar um espaço de escuta e troca de saberes que reúna moradores, educadores, agentes culturais e interessados na valorização das culturas alimentares tradicionais.

Transformando a cozinha em um espaço de formação, memória e articulação comunitária, o projeto funciona como um laboratório de futuros possíveis. Ao valorizar práticas como plantar, colher e cozinhar com ingredientes naturais, o projeto reafirma saberes ancestrais e práticas sustentáveis transmitidas entre gerações.

Além de compartilhar técnicas culinárias, os encontros abordam temas como os fluxos migratórios que ajudaram a moldar bairros como Perus, as desigualdades históricas no acesso à terra e à alimentação saudável e o entendimento da comida como uma dimensão política da vida cotidiana.

Contemplado pelo Programa VAI 2025/26, o Sabores do Tempo parte da crítica à visão que reduz o alimento a mero combustível, ignorando suas dimensões simbólicas, culturais e espirituais. A iniciativa reafirma a comida como expressão de memória, território e identidade, apostando na chamada gastronomia dos afetos como estratégia de emancipação, especialmente para mulheres periféricas, que historicamente encontram na cozinha uma ferramenta de sobrevivência, autonomia e geração de renda. 

Ao final do ciclo, será produzida uma cartilha colaborativa, reunindo reflexões e conteúdos desenvolvidos durante as atividades, ampliando o alcance das discussões para outros territórios.

Sobre a Coletiva Tempero de Oyá


A Coletiva Tempero de Oyá foi criada em 2015 como homenagem à horta de Dona Iracema, em Perus, e à ancestralidade ligada a Iansã.


“A ideia era criar um coletivo que ensinasse o plantio e o preparo dos temperos, sabe? Um espaço onde a gente pudesse compartilhar o fazer com as mãos e também as histórias que vêm junto com cada receita. E aí esse prazer de ensinar, de contar as memórias dos nossos ancestrais dentro da cozinha, foi crescendo, foi ganhando corpo e hoje damos continuidade ao legado de vó Iracema.”


Desde então, a coletiva realiza ações sociais com distribuição de marmitas, oficinas para jovens, formações no Sesc SP, cursos na própria Quilombaque. Em 2024, o projeto recebeu o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) na Comunidade Cultural Quilombaque para um encontro sobre a história da cultura alimentar afro-brasileira.


Informações: https://www.instagram.com/temperode_oya/
Teaser: https://www.youtube.com/watch?v=qZLWux8Ye_0


Serviço: Projeto Sabores do Tempo – Conexões Entre o Saber e o Fazer
Realização: Coletiva Tempero de Oyá
21 de março de 2026 (sábado), às 15h - Roda de Conversa “Soberania alimentar: plantar e colher”, com Bruna Macedo

18 de abril de 2026 (sábado), às 15h - Roda de Conversa  “Racismo alimentar”, com Dani Souza 

Local: Comunidade Cultural Quilombaque - Tv. Cambaratiba, 05 – Perus, São Paulo – SP, 05202-010
Entrada: Gratuita - Inscrições no local. Acessibilidade: Tradução em LIBRAS


Assessoria de Imprensa - Luciana Gandelini - WhatsApp 1199568-8773 - luciana.gandelini@gmail.com

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