Iniciativa fortalece cooperação Sul-Sul e prevê implantação de unidade de referência tecnológica para adaptação de sistemas produtivos ao contexto africano
Pesquisadores da Embrapa (Campo Grande-MS) participam, durante os dias 30 de março e 5 de abril, de uma missão técnica internacional na Etiópia com o objetivo de estruturar um plano de trabalho para a primeira Unidade de Referência Tecnológica Internacional (URTI) da estatal. A iniciativa integra o acordo firmado com o grupo etíope Kerchanshe, em busca de validar e adaptar tecnologias brasileiras às condições produtivas do Leste Africano.
A ação representa um avanço estratégico na cooperação Sul-Sul, ampliando a presença institucional da Embrapa no continente africano, e promovendo soluções sustentáveis para sistemas pecuários em ambientes tropicais e semiáridos. A programação inclui reuniões técnicas, visitas de campo e a realização do “Brazilian Technology Reference Farm – 1st Working Meeting”, no dia 2 de abril, em Adis Abeba, reunindo representantes de governos, instituições de pesquisa e setor produtivo dos dois países.
A URTI contará com a participação de instituições locais e internacionais, como o Ethiopian Institute of Agricultural Research (EIAR) e a Universidade de Bishoftu, além do apoio do Ministério da Agricultura e da adidância agrícola do Brasil na Etiópia. Essa é a primeira missão técnica da Embrapa após a abertura do Escritório de Cooperação Técnica, em fevereiro deste ano.
Transferência de tecnologia e adaptação local
Como o principal foco da missão é consolidar o plano de trabalho na Oro Meat Farm, propriedade do grupo parceiro, ali serão testadas tecnologias voltadas à intensificação sustentável da produção de carne.
Entre os temas prioritários estão melhoramento genético do rebanho, biotecnologias reprodutivas, nutrição animal, bem-estar e sistemas integrados de produção, incluindo integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e estratégias de retenção de água no solo .
A proposta deve considerar as características dos sistemas produtivos locais, predominantemente baseados em pequenas propriedades, integração entre lavoura e pecuária e forte dependência das chuvas. Na região do Rift Valley etíope, os sistemas agropecuários são multifuncionais, com bovinos utilizados não apenas para produção de carne, mas também para tração, geração de renda e fertilização orgânica.
A delegação é composta pelos pesquisadores Mariana de Aragão Pereira (economia rural), Valdemir Antonio Laura (diagnóstico de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e microbarragens), Roberto Giolo de Almeida (protocolos e pecuária de baixo carbono), Eriklis Nogueira (biotecnologia e reprodução) e Davi Bungenstab (pecuária de baixo carbono), todos da Embrapa Gado de Corte.
José Ednilson Miranda, representante da Embrapa nessa cooperação com os países africanos, explica que para a construção do projeto executivo a oficina do dia 2 contará com cerca de 40 instituições nacionais (etíopes) e internacionais, que incluem a União Africana, o Banco Mundial, AfDB, CGIAR, várias universidades e grupos empresariais locais.
“A ideia é trazê-los como parceiros nesta iniciativa, cada um com sua expertise e colaboração. No campo diplomático e comercial, a articulação visa também abrir portas para que empresas brasileiras do setor privado exportem insumos, maquinários e serviços genéticos”, afirma o pesquisador. O resultado final desta jornada ainda servirá como vitrine tecnológica da Embrapa, como preparativo para a participação da Empresa na COP-32, que será realizada aqui na Etiópia no ano que vem.
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