Cerca de 200 membros da Confederação Nacional das Misericórdias da Itália foram recebidos ontem (14) pelo papa Leão XIV no Palácio Apostólico, no Vaticano. No encontro, o papa disse que “uma autêntica vida de fé não pode se reduzir a um espiritualismo desencarnado”.
As Misericórdias são sociedades ou fraternidades espalhadas por toda a Itália, fundadas em Florença em 1244 por são Pedro de Verona, com o objetivo de "conduzir os homens de volta às verdades superiores ensinadas no Evangelho", especialmente a caridade. Desde a sua origem, os membros dedicam-se a colocar em prática as sete obras de misericórdia corporais na vida diária.
Ainda hoje, o serviço das Misericórdias continua como cuidados de saúde de emergência, apoio social, proteção civil e proximidade às pessoas mais vulneráveis, mantendo intacto o vínculo entre caridade, comunidade e testemunho evangélico.
Falando sobre a virtude da caridade, o papa Leão XIV disse que “uma autêntica vida de fé não pode se reduzir a um espiritualismo desencarnado, mas deságua necessariamente na sensibilidade às necessidades dos outros e no serviço generoso, sem reservas”.
“Penso em tantos de vossos confrades e confreiras” disse o Pontífice, “que pagaram pessoalmente, inclusive a um preço alto, a fidelidade à tarefa que lhes foi confiada: a eles vai o nosso imenso obrigado e a nossa oração”, disse o papa.
Além de membros da confraria de várias partes da Itália, participaram também delegações internacionais da Ucrânia, da Albânia, da Polônia e da Terra Santa. A delegação foi chefiada por Domenico Giani, presidente da confederação.
Leão XIV falou sobre a obra histórica das Irmãs da Misericórdia, comparando-a a uma semente da qual “brotou e cresceu a grande árvore”, espalhando-se pela Europa e depois pelas Américas. Ele disse que a missão delas se fundamenta no Batismo e, portanto, é sacramental.
“Isso implica para vocês o dever de cultivar, antes de tudo e com grande compromisso, a formação cristã dos associados, por meio da oração, da catequese, da fidelidade aos Sacramentos – especialmente à Missa dominical e à Confissão –, da coerência moral das escolhas e dos estilos de vida, segundo os valores do Evangelho e da tradição associativa testemunhada pelos seus Estatutos”, disse ele.
O papa disse que a confederação é composta por “leigos que inspiram leigos” e que exercem seu ministério “num clima de corresponsabilidade, pertencimento afetivo e comunhão, no qual todos são protagonistas de um esforço comum para crescer na perfeição cristã”, em situações de emergência, em zonas de guerra e nos milhares de serviços ocultos de solidariedade diária.
“Meus queridos, encorajo-vos a prosseguir o vosso compromisso como comunidade onde a fé é vivida intensamente e a caridade é praticada”, concluiu o papa Leão XIV, proferindo sua Bênção Apostólica. “Procurem crescer no espírito e servir com alegria e simplicidade, alheios a qualquer lógica de poder, dedicados ao louvor de Deus e ao bem daqueles que o Senhor coloca no seu caminho.
Por sua vez, Giani disse que o encontro com o papa foi para as Misericórdias “um momento de grande significado espiritual e institucional”.
“Levaremos conosco a história de séculos do nosso serviço, mas sobretudo os rostos dos voluntários que trabalham diariamente em emergências, em treinamentos e no auxílio aos mais vulneráveis”, disse ele.


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