Mostra inédita de Sarah Maldoror, no Centro Cultural Banco do Brasil, celebra o legado anticolonial e a estética revolucionária da cineasta franco-guadalupense



31 títulos destacam seu papel pioneiro na história dos cinemas negros e de mulheres

Crédito: BJ Nikolaisen


Uma mostra inédita dedicada à Sarah Maldoror, considerada uma das primeiras cineastas negras a filmar na África, acontece no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP), de 21 de fevereiro a 22 de março.  Com entrada gratuita, a retrospectiva traz curtas e longas-metragens, que destacam o papel da cineasta franco-guadalupense na história dos cinemas negros e de mulheres.

Nascida na França, filha de pai guadalupense, Sarah Maldoror (1929-2020) foi uma figura central do cinema anticolonial. A cineasta construiu uma filmografia de mais de quarenta títulos que documentam e ficcionalizam as frentes de libertação em Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde, além de tratarem de temas como a imigração, o engajamento político e o pensamento decolonial. Sua estética diferencia-se por fundir o rigor político à sensibilidade poética, deslocando o olhar para a subjetividade humana e, fundamentalmente, para o protagonismo feminino nas insurgências africanas. 

Com curadoria conjunta de Lúcia Monteiro, Izabel de Fátima Cruz Melo e Letícia Santinon, a retrospectiva "O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror" no CCBB SP pode ser considerada uma das mais completas já realizadas sobre a cineasta no país. Sua programação conta com 34 obras, sendo 19 dirigidas por Sarah Maldoror e outras 15 assinadas por diferentes realizadores.


"Faz dez anos que planejamos uma retrospectiva da obra de Sarah Maldoror em São Paulo. Os filmes dela falam da luta contra o colonialismo, o racismo, o preconceito. Ela se interessou pelos imigrantes na França e por intelectuais precursores do pensamento decolonial, como Aimé Césaire e Léopold Senghor. São discussões extremamente necessárias em nosso contexto atual", diz Lúcia Monteiro, uma das curadoras.


"Esta mostra faz parte de uma movimentação mais ampla, que nos últimos anos tem reposicionado a figura e a produção de Sarah Maldoror na história do cinema. Por isso, acreditamos que iniciativas como essa colaboram tanto para o conhecimento do público em geral, quanto para o aprofundamento e reflexão dos críticos e pesquisadores", assinala Izabel de Fátima Cruz Melo, também curadora.


O evento abre no dia 21/02, sábado, às 17h30, com a exibição da versão restaurada de "Sambizanga" (1972), premiado no Festival de Berlim e considerado o título mais conhecido de Sarah Maldoror. Baseada em uma novela de Luandino Vieira, a história acompanha um homem que é preso injustamente e torturado, suspeito de pertencer a um grupo revolucionário. Após a sessão, a economista e sociólogaHenda Ducados, filha caçula de Maldoror e autora de ensaios para o jornal feminista Another Gaze, participa de um bate-papo com o público.  A primogênita da cineasta e fundadora da associação "The Friends of Sarah Maldoror and Mario de Andrade", Annouchka de Andrade, também estará presente na Mostra, participando de uma conferência sobre Sambizanga, no sábado, 26/02. 


A programação ainda traz filmes em que Maldoror trabalhou como assistente, como o célebre "A Batalha de Argel" (1966), de Gillo Pontecorvo, e o documentário "Elas", do argelino Ahmed Lallem, que ganha sua primeira exibição na cidade. Haverá também exibições de documentários de Chris Marker, como "Sem sol" (1982) e o episódio 7 da série "A herança da coruja" (1989), que contêm imagens filmadas por Maldoror.


A retrospectiva "O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror" propõe alguns paralelos entre o cinema de Maldoror e a obra de cineastas negras da América Latina. Nesse sentido, a cineasta baiana Safira Moreira dirigirá a leitura dramática do roteiro de "As garotinhas e a morte", um dos mais de quarenta projetos inacabados de Sarah Maldoror. De Safira Moreira, a mostra exibirá seu primeiro longa-metragem, "Cais", que estreou na última edição da Mostra Internacional de Cinema, e quatro de seus curtas-metragens. Para completar, o evento também promove os cursos "Memória e ancestralidade" com a cineasta, roteirista, poeta e produtora, Lilian Santiago, e com a crítica, curadora e professora Lúcia Monteiro; e "Restaurar arquivos em vídeo da televisão" com Nathanaël Arnould, que conduziu a restauração da obra televisiva de Maldoror no Instituto Nacional do Audiovisual da França, e os professores Eduardo Morettin (USP) e Daniela Siqueira (UFMS). 


Com patrocínio do Banco do Brasil, "O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror" é uma produção da Vasto Mundo, com a idealização de Lúcia Monteiro, coordenação geral e produção executiva de Leticia Santinon. A programação está disponível em bb.com.br/cultura. A mostra acontece também no CCBB Rio de Janeiro, de 19/02 a 16/03, e em Salvador, de 5 a 24 de março. 


SERVIÇO


Retrospectiva: "O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror"

Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo

Período: 21 de fevereiro a 22 de março

Entrada Gratuita: Ingressos disponíveis 1 hora antes de cada sessão na bilheteria do CCBB e em bb.com.br/cultura

Classificação indicativa: Consultar a classificação indicativa de cada sessão no site do CCBB SP

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – SP  

Funcionamento: aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras

Informações: (11) 4297-0600

Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.

Transporte público: O CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista. 

Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).

Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República.  Das 12h às 21h.

 


 


Presskit: https://drive.google.com/drive/folders/1PG2YcA55lAGt7G53ALvkP-C87taGY9jp?usp=sharing


Assessoria de Imprensa CCBB SP:

Bruno Borges - brunoborges@bb.com.br 

Tel. e Whatsapp: (11) 4297-0603 



PROGRAMAÇÃO COMPLETA POR DIA:


21/02/2026 (sábado/foto)

17h30 – Sessão de Abertura| Sambizanga (comentada por Henda Ducados).


22/02/2026 (domingo)

15h - Monangambééé + Alma no olho (com participação de Henda Ducados)

17h – Debate Resiliência e resistência: o percurso de uma militante (com participação de Henda Ducados e mediado por Marcia Vaz)

18h - Carnaval (Fogo, uma ilha em chamas + Carnaval no Sahel + Em Bissau, o carnaval)


23/02/2026 (segunda-feira)

17h30 - Prefácio a Fuzis para Banta (comentada por Lúcia Monteiro  e Henda Ducados)

19h - Poesia em movimento (Louis Aragon, uma máscara em Paris + René Depestre, poeta haitiano + Léon G. Damas)


25/02/2026 (quarta-feira)

18h - Aimé Césaire, um homem, uma terra (Rita Chaves comenta)


26/02/2026 (quinta-feira)

18h30 – Cais (com apresentação de Safira Moreira)


27/02/2026 (sexta-feira)

17h - E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras  (sessão comentada por Annouchka de Andrade)

19h - Leitura dramática de roteiro inédito da Sarah Maldoror por Safira Moreira


foto/C.Lipinksa


28/02/2026 (sábado)

15h30 - O hospital de Leningrado + "Sarah Maldoror roteirista", parte 1 (com Annouchka de Andrade).

17h30 – Sambizanga (apresentado por Annouchka de Andrade)


01/03/2026 (domingo)

15h - Sem Sol

17h15 - Sarah assistente (Elas + O legado da coruja, episódio 7)

18h30 - A amizade de Chris Marker e Sarah Maldoror (foto) . Debate de Annouchka de Andrade e Mateus Araújo (USP)


02/03/2026 (segunda-feira)

15h – Ôrí (comentada por Raquel Gerber)

17h30 - Sessão de curtas "Retratos de mulheres, retratos da negritude" (seguida de debate com Raquel Gerber e Annouchka de Andrade)


04/03/2026 (quarta-feira)

19h - Monangambée + Alma no olho, de Zózimo Bulbul


05/03/2026 (quinta-feira)

16h - A trilogia do Carnaval (três curtas de Sarah Maldoror)

18h - A batalha de Argel


06/03/2026 (sexta-feira)

16h - Retratos de mulheres, retratos da negritude

18h - Curtas de Sara Gómez


07/03/2026 (sábado)

16h - Pensamento em movimento (três curtas de Sarah Maldoror)

18h - Aimé Césaire, um homem, uma terra


08/03/2026 (domingo)

16h - Sambizanga

18h - Sarah assistente (Elas + O legado da coruja, episódio 7)


09/03/2026 (segunda-feira)

18h30 - Prefácio a Fuzis para Banta


11/03/2026 (quarta-feira)

18h - Ôrí


12/03/2026 (quinta-feira)

18h - Retratos de Mulheres, Retratos da Negritude


13/03/2026 (sexta-feira)

16h - O hospital de Leningrado

17h - Restaurar arquivos em vídeo da televisão. Curso com Nathanaël Arnould (INA-França), Eduardo Morettin (USP) e Daniela Siqueira (UFMS)


14/03/2026 (sábado)

17h - E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras, com comentários de Nathanaël Arnould (INA-França)


15/03/2026 (domingo)

16h - Curtas de Sara Gomez (sessão comentada por Nayla Guerra)

18h30 - Monangambééé + Alma no olho


16/03/2026 (segunda-feira)

19h - Sem sol


18/03/2026 (quarta-feira)

17h30 - Batalha de Argel 


19/03/2026 (quinta-feira)

18h - E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras


20/03/2026 (sexta-feira)

18h30 - Uma sobremesa para Constance


21/03/2026 (sábado)

16h - Cais

17h15 - Exibição de Prefácio a Fuzis para Banta, seguido de Curso Memória e ancestralidade Lilian Santiago 


22/03/2026 (domingo)

15h30 - Curso Sarah Maldoror Roteirista

18h - Uma sobremesa para Constance


 

 

FILMES E SINOPSES:


FILMES DE SARAH MALDOROR


Abertura do teatro negro em Paris 

L'ouverture du théâtre noir à Paris, Sarah Maldoror, 1980, 6 min., França

Reportagem de Sarah Maldoror sobre um novo centro cultural de Paris, dedicado ao teatro negro.


Ana Mercedes Hoyos 

Ana Mercedes Hoyos, Sarah Maldoror, 2009, 13 min., França/Colômbia

Documentário dedicado à pintora e escultora colombiana Ana Mercedes Hoyos. Atenta à multiculturalidade colombiana e em especial à presença negra e à história da escravidão na Colômbia, a artista desenvolveu uma relação especial com a população do Palenque de São Basílio, quilombo próximo de Cartagena, considerado o primeiro povo livre das Américas.



Assia Djebar

Assia Djebar, Sarah Maldoror, 1987, 7 minutos, França

Reportagem televisiva sobre a escritora argelina Assia Djebar, por ocasião do lançamento de seu livro "Sombra sultana". A autora reflete em voz alta sobre as mulheres no mundo árabe, sobre sua relação com o medo, o cerceamento no espaço doméstico e a esperança de ganhar a luz do exterior.



Aimé Césaire, a máscara das palavras
Aimé Césaire, the mask of words, Sarah Maldoror, 1987, 47 minutos, Estados Unidos, Martinica. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Dez anos após realizar seu primeiro filme em torno do poeta surrealista, dramaturgo, ativista e político martinicano Aimé Césaire, Sarah Maldoror volta a esta figura na ocasião em que recebe uma importante homenagem nos EUA. Ideólogo do conceito de "negritude", na entrevista que concede a Maldoror, Césaire fala de sua trajetória, reflete sobre história, colonialismo, preconceitos e sobre o papel da poesia.


Aimé Césaire - um homem, uma terra
Aimé Césaire - un homme une terre, Sarah Maldoror, 1976, 52 minutos, França, Martinica. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Aimé Césaire foi surrealista, ensaísta, ativista e um dos fundadores do movimento da Negritude, uma corrente artística e política progressista que defendia a cultura negra, fortemente ligada a ideais marxistas e anticoloniais.



Carnaval no Sahel

Un carnaval dans le Sahel, Sarah Maldoror, 1979, 23 minutos, Cabo Verde. Classificação: 14 anos.

Sinopse: O Carnaval é um evento e uma festividade em que os limites podem ser transgredidos em um contexto repleto de música, sensações e texturas. Neste filme, ele é também o ponto de partida para uma abordagem sobre a história da cultura negra e do colonialismo, com conceitos de identidade e negritude ocupando o centro da cena.


Christiane Diop

Christiane Diop, Sarah Maldoror, 1985, 6 minutos, França

Reportagem dedicada a Christiane Diop, que comanda a livraria e editora Présence Africaine desde a morte de seu companheiro, Alioune Diop, em 1980. Fundada em 1947 como revista, a Présence Africaine logo expande suas atividades e se torna ponto de convergência de intelectuais negros vindos da África e das Antilhas.




E os cães se calavam
Et les chiens se taisaient, Sarah Maldoror, 1976, 13 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Peça teatral cuja narrativa foca na rebelião de um homem contra a escravização de seu povo, filmada no interior do Musée de l'Homme, em Paris. Com atuações de Gabriel Glissant e Sarah Maldoror.


Em Bissau, o carnaval
Carnival en Guinée-Bissau, Sarah Maldoror, 1980, 13 minutos, Guiné-Bissau. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Um curta-metragem documental que aborda como os habitantes da Guiné-Bissau enxergam sua identidade e cultura negra, tendo como pano de fundo a celebração anual do Carnaval.


Fogo, uma ilha em chamas

Fogo, l'île de feu, Sarah Maldoror, 1979, 23 minutos, Cabo Verde, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: A Ilha do Fogo, em Cabo Verde, é o cenário deste documentário dos anos 70 produzido pelo governo revolucionário do novo país, no qual a diretora optou por uma abordagem antropológica. O filme lança um olhar belíssimo sobre uma nação no início de sua independência.

Léon G. Damas



Léon G. Damas, Sarah Maldoror, 1995, 24 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Um curta sobre o cofundador da revista L'Étudiant Noir, que promoveu a conscientização cultural negra, colaborador da Présence Africaine, poeta, deputado guianense, representante da UNESCO e combatente da resistência francesa.


Louis Aragon, uma máscara em Paris
Un Masque à Paris: Louis Aragon, Sarah Maldoror, 1978, 13 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Sarah Maldoror entrevista, neste documentário, Louis Aragon, poeta e figura fundamental do surrealismo francês. Ao mesmo tempo, questiona a forma como o movimento surrealista – nos períodos entre e pós-guerra – encarou a questão racial, do "outro" e da afirmação de outras identidades.


Monangambééé
Monangambeee, Sarah Maldoror, 1968, 16 minutos, Angola. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Os abusos dos traficantes de escravos portugueses em sua colônia de Angola são retratados por meio da tortura de um prisioneiro, fundamentada na ignorância e na incompreensão.


O hospital de Leningrado
L'hôpital de Leningrad, Sarah Maldoror, 1983, 58 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Uma história de prisão política ambientada em um hospital psiquiátrico, onde a polícia estatal de Stalin colocava seus opositores. A narrativa é fiel ao texto original, um conto do escritor russo Victor Serge.


Primeiro encontro internacional das mulheres negras

Première rencontre internationale des femmes noires, Sarah Maldoror, 1986, 6 minutos, França

Reportagem sobre o encontro ocorrido em novembro de 1986, em Paris.


René Depestre, poeta haitiano
René Depestre, poète haïtien, Sarah Maldoror, 1981, 5 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Pequeno documentário sobre René Depestre, poeta e antigo ativista comunista, umas das mais importantes figuras da literatura do Haiti.


Retrato de uma mulher africana 

Portrait d'une femme africaine, Sarah Maldoror, 1985, 3 minutos, França. Classificação: Livre.

Reportagem televisia a respeito da imigração de senegaleses para a França. A cineasta acompanha uma jovem cozinheira senegalesa, que trabalha em um centro de acolhimento para trabalhadores estrangeiros.


Sambizanga



Sambizanga, Sarah Maldoror, 1972, 97 minutos, Angola, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Domingos é membro de um movimento de libertação africano, preso pela polícia secreta portuguesa, após eventos sangrentos em Angola. Ele não trai seus companheiros, mas é espancado até a morte na prisão, e sem saber que ele morreu, sua esposa percorre diversas prisões, tentando em vão descobrir o seu paradeiro.


Uma sobremesa para Constance
Un dessert pour Constance, Sarah Maldoror, 1981, 63 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Nos anos 70, Bokolo e Mamadou, varredores na cidade de Paris, buscam uma maneira de custear o retorno para casa de um de seus companheiros doentes.


FILMES DE OUTROS CINEASTAS


CONSTELAÇÃO SARAH MALDOROR

Filmes em que Sarah Maldoror trabalhou como assistente ou que contêm imagens filmadas por ela

A batalha de Argel
La battaglia di Algeri, Gillo Pontecorvo, 1966, 121 minutos, Argélia e Itália. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Nos anos 1950, o medo e a violência aumentam à medida que o povo da Argélia luta pela independência do governo francês. Sarah Maldoror foi assistente de Pontecorvo nas filmagens.


Elas
Elles, Ahmed Lallem, 1966, 22 minutos, Argélia. Classificação: 14 anos.
Sinopse: No período pós-independência, estudantes argelinas do ensino médio falam sobre suas vidas e comentam como vislumbram o futuro, a democracia e o seu lugar na sociedade. Sarah Maldoror foi assistente de Lallem nas filmagens.


Sem Sol
Sans soleil, Chris Marker, 1983, 104 minutos, França. Classificação: 14 minutos.
Sinopse: Uma mulher narra os escritos contemplativos de um viajante do mundo experiente, com foco no Japão contemporâneo.


O legado da coruja - Episódio 7
L'héritage de la chouette - "Logomachie ou Les mots de la tribu", Chris Marker, 1990, 27 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Cineastas ensaístas como Marker e Godard adoram jogos de palavras. Aqui, conforme as imagens mostram como vocábulos de origem grega permeiam a nossa mídia, as placas de rua e até mesmo os grafites, mergulhamos, sob uma perspectiva semiótica, nas bases da própria fala.


Prefácio a Fuzis para Banta
Préface à Des fusils pour Banta, Mathieu Kleyebe Abonnenc, 2011, 28 minutos, França. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Uma elegia ao filme perdido de Sarah Maldoror, "Fuzis para Banta", filmado em 1970 na Guiné-Bissau, durante a guerra de independência e confiscado durante a montagem, na Argélia. Abonnenc estrutura seu filme em torno das fotografias de cena, das anotações do roteiro e de conversas com Sarah Maldoror. 



GENEALOGIA IMAGINATIVA

Filmes que apresentam proximidade estética e política com a obra de Sarah Maldoror


Alma no olho
Alma no olho, Zózimo Bulbul, 1973, 11 minutos, Brasil. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Metáfora sobre a escravidão e a busca pela liberdade por meio da transformação interna do ser, em um jogo de imagens de inspiração concretista.


Ôrí
Ôrí, Raquel Gerber, 1989, 100 minutos, Brasil. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Um olhar sobre o movimento negro brasileiro entre 1977 e 1988, a partir da relação entre o Brasil e a África.


Cais
Cais, Safira Moreira, 2025, 70 minutos, Brasil. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Dois meses após o falecimento de sua mãe Angélica, Safira viaja em busca de encontrá-la em outras paisagens. Num curso fluvial, o filme percorre cidades banhadas pelo Rio Paraguaçu, na Bahia, e pelo Rio Alegre, no Maranhão, para imergir em novas perspectivas sobre memória, tempo, nascimento, vida e morte.


Curtas de Safira Moreira


Travessia

Travessia, Safira Moreira, 2017, 5 minutos, Brasil. Classificação: 14 anos

Articulando poesia, arquivos fotográficos e encenação, Safira Moreira problematiza de forma poética a ausência ou dificuldade de permanência das imagens das pessoas negras.


Nascente

Nascente, Safira Moreira, 2020, 6 minutos, Brasil

Quatro mulheres e uma criança, reunidas em numa casa em Salvador, em agosto de 2020. Apesar das restrições pandêmicas, tudo ali flui como um rio correndo nas matas, em uma energia etérea e misteriosa.

 

Alágbedé 

Alágbedé, Safira Moreira, 2021, 12 minutos, Brasil

Ogum, orixá yiorubá. Quando se manifesta sob o epíteto de Alágbedé, estão ressaltam-se suas habilidades com a forja, o fogo e os metais. Senhor das técnicas e das tecnologias – desceu à Terra para ensinar aos seres humanos a metalurgia. 


Da pele prata 

Da pele prata, Safira Moreira, 2025, 27 minutos

Neste filme dedicado aos seus pais, Angélica Moreira, pedagoga e idealizadora do Ajeum da Diáspora, e Chico da Prata, ourives especializado em joias com temática relacionada ao candomblé, Safira Moreira retoma, sob uma perspectiva diversa de Travessia (2017), a construção de um percurso breve, mas profundo, sobre a história da sua família. 


Curtas de Sara Gómez


Ilha do tesouro
Isla del tesoro, Sara Gómez, 1969, 9 minutos, Cuba. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Uma curta evocação poética de Sara Gómez sobre a Ilha de Pinos, a ilha onde Fidel Castro foi preso por Batista e onde a revolução constrói uma nova sociedade. O filme apresenta uma justaposição da prisão Presídio Modelo com a produção de cítricos.


Uma ilha para Miguel
Una isla para Miguel, Sara Gómez, 1968, 22 minutos, Cuba. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Miguel, um de 12 filhos oriundos de um bairro pobre de Havana, é enviado pela família para a "Isla de Pinos", para se tornar um novo homem. Gómez aponta a sua câmara para este território, para onde os marginalizados (jovens, negros, pobres, homossexuais, religiosos, hippies) eram enviados para trabalho e reeducação forçados.


Na outra ilha
En la otra isla, Sara Gómez, 1968, 41 minutos, Cuba. Classificação: 14 anos.
Sinopse: Sara Gómez entrevista habitantes da Ilha da Juventude, em Cuba (então conhecida como Ilha de Pinos), capturando suas perspectivas sobre diversas questões sociais.

Comentários