Depois da folia: o que o Carnaval deixa nas ruas do Brasil

Entre blocos lotados, especialista explica por que tanto material reciclável ainda é descartado de forma incorreta e o que pode ser feito para mudar esse cenário

O Carnaval transforma ruas de Norte a Sul do país em palco para a maior festa popular do Brasil. Fantasias, música e blocos lotados tomam conta das cidades. Mas, quando o som diminui, e os foliões vão embora, outra cena passa a chamar atenção: calçadas cobertas de latinhas, copos e embalagens, muitas vezes jogados no chão ou misturados aos resíduos orgânicos.

A imagem se repete ano após ano e escancara um dos principais desafios dos grandes eventos de rua: o alto volume de resíduos gerados em poucas horas, especialmente materiais que poderiam ser reciclados, como latas de alumínio e garrafas plásticas.

“Em eventos como o Carnaval, o problema não é apenas o comportamento individual, mas a falta de infraestrutura adequada para o volume de resíduos gerado. Muitas vezes, mesmo quem quer descartar corretamente não encontra pontos suficientes ou sistemas de coleta separada, o que dificulta a reciclagem já na origem”, explica Renato Paquet, especialista em logística reversa e CEO da Polen, cleantech que atua com rastreabilidade de resíduos e inclusão produtiva de catadoras e catadores de materiais recicláveis.

Além do impacto ambiental, o descarte incorreto também representa perda econômica. Latas e plásticos têm valor de mercado e são fonte de renda para milhares de catadoras e catadores em todo o país. O descarte correto criaria um impacto positivo nesse processo: quando os materiais são separados na origem, eles chegam em melhores condições para triagem, aumentando o aproveitamento e o retorno econômico para quem vive da reciclagem.

Segundo o especialista, existem soluções relativamente simples que podem ser adotadas pelo poder público e por organizadores de eventos para melhorar a gestão de resíduos durante o Carnaval. “É possível criar mais pontos de descarte  ao longo dos blocos, reforçar a sinalização para recicláveis incentivando o descarte correto e firmar parcerias com cooperativas para atuar de forma mais organizada antes, durante e depois dos eventos. Comunicação clara e estrutura adequada fazem muita diferença”, afirma.

A discussão não é sobre burocratizar a festa, mas pode ampliar a consciência sobre o papel de cada um. Atitudes individuais, como não descartar resíduos no chão e separar materiais recicláveis, sempre que possível, ajudam a reduzir o impacto negativo da folia e facilitam o trabalho de quem atua na limpeza urbana e na coleta de recicláveis.

O Carnaval é coletivo — e o cuidado com as cidades também.

Sobre a Polen:

A Polen é uma entidade gestora estruturante, autorizada pelo Ministério do Meio Ambiente, que transforma obrigações legais em ativos estratégicos. Através da logística reversa de embalagens, conectamos empresas a uma rede nacional de cooperativas, garantindo a compensação ambiental via créditos rastreáveis. Asseguramos transparência total e segurança jurídica no cumprimento da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos), convertendo obrigações legais em impacto socioambiental mensurável e dados para decisões estratégicas.

Saiba mais: https://www.brpolen.com.br/


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