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| foto/Shutterstock /divulgação |
Negligenciado e subnotificado, o lipedema é uma doença crônica e progressiva, ainda pouco diagnosticada, que afeta majoritariamente mulheres. Caracterizado pelo acúmulo desproporcional de gordura, especialmente em pernas e braços, associado a dor, inchaço e facilidade para surgimento de hematomas, tem influência genética, mas pode ser identificado a partir de alguns gatilhos inflamatórios. Quem explica é a nutróloga Giovanna Spagnuolo Brunello, formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pós-graduada em Nutrologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
“Entre os principais fatores associados ao agravamento da doença estão as mudanças hormonais, a inflamação crônica de baixo grau, o estresse contínuo, o ganho de peso rápido, o sedentarismo e uma alimentação inadequada. Esses elementos atuam de forma silenciosa, muitas vezes sem que a paciente perceba, contribuindo para a piora dos sintomas e para a dificuldade no controle do quadro clínico”, observa. Estudos indicam que aproximadamente 12,3% das mulheres adultas no Brasil, o que representa mais de 8,8 milhões delas entre 18 e 69 anos, tenham sintomas compatíveis com lipedema.
Justamente por não possuir um código amplamente utilizado de forma padronizada nos sistemas públicos de saúde e por não ser obrigação notificá-lo, o lipedema pode ser identificado a partir de alguns fatores. Segundo a nutróloga, um deles é observar momentos de grande alteração hormonal, que costumam marcar o início dos primeiros sinais da doença. “Muitas mulheres relatam o surgimento da dor, do inchaço e do aumento de volume nos membros após fases como puberdade, gestação, uso de anticoncepcionais hormonais ou menopausa. Essas etapas funcionam como gatilhos importantes para a manifestação da doença em pessoas predispostas.”
Além dos fatores hormonais, estudos indicam que processos inflamatórios persistentes e níveis elevados de estresse podem interferir no funcionamento do tecido adiposo e do sistema linfático, favorecendo a progressão do lipedema. “O estilo de vida moderno, caracterizado por longos períodos sentados, baixa atividade física e consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, também pode intensificar os sintomas”, alerta a médica. Conforme a nutróloga, o diagnóstico precoce e a identificação desses gatilhos são considerados fundamentais para o controle da doença. “Quanto mais cedo o lipedema é reconhecido, maiores são as chances de adotar estratégias que reduzam a dor, melhorem a mobilidade e retardem sua evolução, por meio de acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida e tratamentos adequados.”
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| Giovanna Spagnuolo Brunello, formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pós-graduada em Nutrologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. |
Na avaliação de Giovanna, a conscientização sobre o lipedema é um passo essencial para reduzir o subdiagnóstico e o sofrimento de milhares de mulheres. “Informar a população e os profissionais de saúde sobre os sinais de alerta e os fatores de risco contribui para uma abordagem mais humanizada, eficaz e focada na qualidade de vida das pacientes.”


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