O Brasil não é bonzinho



            *José Renato Nalini

            Embora se queira dourar a pílula, o Brasil não é herói na questão do enfrentamento às emergências climáticas. Já não pairam dúvidas sobre a causa do aquecimento global, gerador do efeito estufa: a emissão de gases venenosos. Pois o Brasil é o terceiro devedor da dívida climática, estando entre os países ricos, os que mais empesteiam o mundo.

            Se isso for calculado em dinheiro, alcançará a cifra nada desprezível de 97,5 trilhões de dólares. Quantos zeros são necessários para exprimir numericamente essa quantia?

            Considerada a emissão de CO2 por combustíveis fósseis, mudança do uso da terra e desmatamento das florestas, desde 1990, os Estados Unidos são o maior devedor do planeta: 46.606 trilhões. O Japão vem logo a seguir, responsável por 9.419 trilhões e o Brasil em terceiro lugar, com 8.755 trilhões. À frente da Rússia, com 8.128 e Alemanha, com 7.022 trilhões.

            Essa dívida total representa nada menos do que 516 trilhões de reais. É o que indica o estudo produzido pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Embora o Brasil não esteja entre os países mais ricos do mundo, ele tem responsabilidade histórica por ser um fabricante de desertos e por acabar com sua cobertura vegetal com uma cupidez alucinada.

            É importante que a sociedade civil saiba disso e motive o Poder Público, principalmente o Parlamento Federal, a ser mais cuidadoso com a tutela da natureza. Uma pesquisa patrocinada pelo Instituto Clima e Sociedade constatou que 56% da população pensa que o enfrentamento ao colapso do clima terá um peso grande – 34% - ou muito grande – 22% - durante a corrida eleitoral de 2026. Assim, eleger menos dendroclastas, menos congressistas que aprovem Lei da Devastação e que sejam mais responsáveis. É uma questão de sobrevivência, não de simpatia pela causa ecológica.

            O paradoxo é que embora a população confira importância ao ambiente, já que 89% dos entrevistados enxergam as mudanças climáticas como ameaça grave ao País, 43% dizem não ter alterado nenhum hábito nos últimos doze anos. Como reflexo disso, 66% dos pesquisados não tinham conhecimento de que a COP iria ocorrer, enquanto 34% estavam cientes da realização do encontro da ONU em Belém.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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