Confiar é o ato mais corajoso de um gestor




Por Fábio Ventura*


Confiar é difícil. Talvez seja o ato mais complexo e, por isso mesmo, mais corajoso que um gestor pode praticar.

Com um mercado solidificado por metas agressivas, competição acirrada e uma longa lista de experiências frustrantes que moldam nosso instinto de autoproteção, confiar parece quase um gesto subversivo.

É muito mais fácil se esconder atrás do ceticismo, vestir a armadura do sarcasmo ou adotar a postura defensiva de quem sempre espera o pior. Difícil é abrir espaço para o otimismo e, ainda mais, para o outro.

Mas não existe construção de futuro possível sem confiança. Liderar não é apenas tomar decisões estratégicas. É criar condições para que pessoas possam realizar o que, individualmente, seria inalcançável. 

Quando um gestor decide confiar, ele escolhe formar bons times, dar autonomia, permitir que talentos floresçam e que erros inevitáveis sejam transformados em evolução. 

Delegar não é abdicar do controle, é reconhecer que ninguém escala sozinho. É acreditar que um colaborador pode conduzir um processo com competência e que isso não diminui o gestor; ao contrário, o engrandece.

Confiar também é acreditar que o cliente, na maioria das vezes, está tão bem-intencionado quanto você. É comum assumir que todo contato esconde uma segunda intenção. Mas essa postura, além de desgastante, é improdutiva. 

Quando a relação nasce da desconfiança, ela já começa fragilizada. Quando nasce da confiança com limites claros e expectativas alinhadas, tem espaço para gerar valor real.

Todos estamos marcados por histórias que nos deixaram mais cautelosos do que gostaríamos. Mas reduzir a liderança a um exercício permanente de desconfiança é desperdiçar o que há de mais potente na construção coletiva: a colaboração, a criatividade e a capacidade de fazer diferente.

Quando um gestor decide confiar, ele se expõe e é aí que está a coragem. 

Ele assume que não controla tudo, que depende dos outros e abre espaço para novas possibilidades. O excesso de defesa não elimina riscos, elimina oportunidades. E, no fim, a conta que realmente pesa não é a dos erros cometidos, mas a das alianças que deixaram de ser feitas, dos talentos que não foram aproveitados, dos caminhos promissores que se fecharam antes mesmo de começar.

Estar inserido em uma época onde a complexidade cresce mais rápido do que qualquer manual de gestão consegue acompanhar, confiar não é ingenuidade: é estratégia. É entender que a inteligência coletiva supera qualquer genialidade individual. 

É perceber que a tecnologia é sempre bem-vinda, mas o potencial humano ainda é o ativo mais valioso de qualquer organização. Confiemos. 

 

*Fábio Ventura é fundador e CEO da Like Leads. Com passagens pelo jornal O Estado de São Paulo, TV Tem, TV Integração e EPTV, atuou como repórter, apresentador, editor e chefe de reportagem. Já conquistou os prêmios Sebrae, ABAG, Prêmio Mapa de Jornalismo, entre outros. Com pós-graduações pelo Ibmec e UFSCar e graduado em Comunicação Social pela UEL,  Fábio fundou a Like Leads em 2019, onde já liderou centenas de projetos de Marketing & Relações Públicas de empresas no Brasil e no exterior.

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