Concurso de contos em celebração aos 50 anos da Unesp seleciona 33 narrativas inspiradas em memórias pessoais do ambiente universitário


Organizado pela Coordenadoria de Ação Cultural da Pró-Reitoria de Extensão Universitária e Cultura, concurso de contos foi o mais abrangente da história da Universidade e qualidade dos trabalhos surpreende comissão julgadora; textos classificados serão reunidos em publicação da Editora Unesp e Fundação Vunesp



Equipe de Arte / ACI Unesp

Um egresso do câmpus de Ilha Solteira, um estudante de pós-graduação do câmpus de Araraquara e um docente do câmpus de Marília são os três grandes vencedores do concurso de contos "Universidade: Um Encontro Marcado". A iniciativa integra a celebração dos 50 anos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e foi realizada pela Coordenadoria de Ação Cultural (CoAC) da Pró-Reitoria de Extensão Universitária e Cultura (PROEC), em parceria com a Editora Unesp e a Fundação Vunesp.

Sob o pseudônimo "Cida do Nascimento", Rafael Guerra de Oliveira foi quem melhor expressou vivências, experiências e dores inspiradas no ambiente universitário na visão da comissão julgadora e obteve o primeiro lugar com o conto "No ventre do tempo curvo: dois corpos, uma órbita e a colisão de um mundo inflacionário". Rafael Oliveira, que concluiu a licenciatura em física em 2021 na Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira (Feis), receberá a premiação de R$ 10 mil destinada ao primeiro lugar.

A segunda colocação ficou para o pós-graduando Milton César da Costa, da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara (FCLAr), autor de "Sinal Fechado", assinado com o pseudônimo de "Ismália Bittencourt". O terceiro lugar foi para "No retiro dos docentes", elaborado por "Paulinho Júnior", pseudônimo criado pelo professor Sinésio Ferraz Bueno, da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) de Marília. O segundo e o terceiro melhores classificados no concurso receberão as quantias de R$ 7.000 e R$ 4.000, respectivamente.

Ao todo, foram classificados 33 contos finalistas, entre os quais os três premiados. Todo o conjunto de produções será reunido pela Editora Unesp em uma publicação em meio impresso e digital.

Concurso com ampla participação da comunidade
Além de originais, os textos tiveram que ser escritos em língua portuguesa e tiveram como extensão máxima 21 mil caracteres, com espaços. O uso de pseudônimos foi obrigatório para que se preservasse a isenção na avaliação dos trabalhos. A comissão julgadora foi composta por três professores: João Luís Cardoso Ceccantini, do câmpus de Assis; Susanna Busato, do câmpus de São José do Rio Preto; e Ude Baldan, do câmpus de Araraquara.

"Foi uma iniciativa muito interessante, maravilhosa. Houve relatos engraçados e, como esperávamos, muitas memórias pessoais. Afinal, são 50 anos de Unesp", afirma Ude Baldan, professora aposentada da área de estudos literários da FCLAr e uma das três pessoas integrantes da comissão avaliadora. "Foi muito difícil escolher porque, de alguma forma, os contos apontavam para a mesma direção. Muitos textos bons, com depoimentos comoventes sobre a Unesp. Muito bom para nós, unespianos, termos lido tudo o que lemos. Uma pena não poder contemplar mais trabalhos (entre os finalistas)", diz.

O concurso de contos "Universidade: Um Encontro Marcado" foi o mais abrangente do gênero já realizado pela Unesp, pois abriu a participação a todos os integrantes da comunidade universitária, a egressos e funcionários de fundações de apoio à Universidade, incluindo ex-servidores, a egressos dos cursos dos antigos institutos isolados que deram origem à Unesp em 1976 e a funcionários aposentados.

No total, foram 334 contos participantes, com representantes da Reitoria e de 30 das 34 unidades universitárias. Entre os grupos que mais se engajaram no concurso, os discentes responderam por quase metade das inscrições (49,1%), seguidos por discentes egressos (22,8%), servidores técnico-administrativos (16,8%) e servidores docentes (10,2%).

"Achei excelente. O processo foi difícil, mas foi encantador. No final, eu, particularmente, fiquei assim muito surpresa com a qualidade dos contos que nós recebemos", relata a professora Susanna Busato, do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários do Ibilce. "Na leitura, muitos contos me chamaram a atenção pela qualidade. Muitos que tinham boa qualidade de escrita, de coerência, de adequação ao tema. A grande maioria me encantou pelos depoimentos. Eram narrativas pessoais, ainda que ficcionalizadas."

Racismo estrutural
Em uma breve análise do conto vencedor (“No ventre do tempo curvo: dois corpos, uma órbita e a colisão de um mundo inflacionário”) feita a pedido do Portal da Unesp, o professor aposentado João Luís Cardoso Ceccantini, que atuava junto à disciplina de literatura Brasileira na Faculdade de Ciências e Letras do câmpus de Assis, afirma que o texto desde o primeiro momento causou um grande impacto sobre seu espírito, sobressaindo-se em meio à leitura do conjunto de mais de três centenas de narrativas inscritas no concurso.

"Quando li pela primeira vez o conto que se revelou, ao final da análise dos jurados, o vencedor, apostei comigo mesmo que o conto estaria entre os finalistas, percebendo que havia ali um conto impactante e original, de ótimo nível literário", afirma o docente da Unesp.

"Trata-se de uma narrativa poética que aborda um tema fulcral da agenda política e cultural do país – o racismo estrutural –, mas que não se limita à denúncia do problema. O tema é abordado na narrativa por meio de uma escrita apurada, precisa e tocante, que emprega elementos da Física e sua linguagem específica, mas sem se tornar hermética, pedagogizante ou apelativa, aspectos frequentemente presentes na produção literária contemporânea", diz João Ceccantini.

A Unesp completa 50 anos neste 30 de janeiro de 2026.

Veja o resultado final do concurso no portal da Universidade.

Comentários