Certo é um Espírito Santo e não o Espírito Santo

 José Reis Chaves



Este título é como se fosse uma frase dita no deserto, tal é a fixação milenar errada contrária a ela na mente dos cristãos.

 O escritor José Pinheiro de Souza que, infelizmente, não está mais entre nós, era do Norte de Mina, mas mudou-se para Fortaleza, Ceará. Lá se formou como Padre Salesiano, mas nas vésperas de ser ordenado padre, avisou para seus superiores que queria um prazo de seis meses, para concluir se queria mesmo ser padre ou não, tendo decidido pelo não e ido para os Estados Unidos, onde ficou 6 anos e fez alguns cursos.

Em 2007, mais ou menos, ele leu uma coluna minha de O TEMPO sobre o Espírito Santo. E no seu livro “Mitos Cristãos – Desafios para o Diálogo Religioso”, nas páginas 115 e 116, colocou (avisando-me) textos literais dela, de que faço um resumo:

 “Como já esclareci, com o escritor José Reis Chaves, até o ano de 381, a expressão “espírito santo” nada tinha a ver com “o Espírito Santo da Santíssima Trindade que não existia no Antigo Testamento, nem nas primeiras gerações cristãs. Só havia o Deus uno dos judeus e cristãos. E o Espírito Santo da Santíssima Trindade só foi criado no Concílio Ecumênico de Constantinopla, em 381. Até aí, a expressão bíblica “espírito santo” nada tinha a ver com o Espírito Santo da Santíssima Trindade. O “espírito santo” era a alma (o espírito) duma pessoa, como em Paulo: “Nosso corpo é santuário de um Espírito Santo (1 Coríntios 6: 19). Nesse texto de Paulo e outros, o uso do artigo definido “o” é um erro de tradução (proposital?)  A correta deve ser “um”: “Nosso corpo é santuário de um espírito santo, já que o Espírito Santo da Santíssima Trindade ainda não havia sido criado.

 No grego não existe o artigo indefinido “um”. Existe o artigo definido “ho” (“o”). E assim, quando a expressão “espírito santo” se encontra no original grego sem o artigo definido “ho”, a tradução para o português tem que ser com o artigo indefinido “um” (um espírito santo) e não com o artigo definido “o” (o espírito santo). O tradutor só poderia empregar o artigo definido “o”, repito, se no original grego existisse esse definido grego “ho” (“o”), mas se no original grego não havia o artigo definido, repetimos que a tradução correta para o português tinha que ser com o artigo indefinido “um”, e não com o artigo definido “o”.

 Mas, infelizmente, todas as traduções foram adaptadas à nova doutrina do Espírito Santo da Santíssima Trindade, e passaram a usar, erroneamente, a expressão “o Espírito Santo”, quando o certo é “um Espírito Santo”, a que a Bíblia já se referia antes da instituição do Espírito Santo da Santíssima Trindade, e como está no original grego.


José Reis Chaves é professor aposentado de português e literatura, formado na PUC Minas, ex-seminarista Redentorista, jornalista, escritor, entre seus livros: "A Reencarnação na Bíblia e na Ciência" e "A Face Oculta das Religiões", Ed. EBM-Megalivros, SP, ambos lançados também em Inglês nos Estados Unidos e tradutor de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Kardec, Ed. Chico Xavier.  contato@editorachicoxavier.com.br Cássia e Cléia. Programa “Presença Espírita na Bíblia, na TV Mundo Maior” e coluna no jornal O Tempo de Belo Horizonte. Vídeos de palestras e entrevistas em TVs no Youtube e Facebook. Email:  jreischaves@gmail.com).

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